Resumo
Relata a experiência de organização de uma Biblioteca
Escolar, buscando a adequação junto ao perfil da escola e
fazendo dela um recurso didático-pedagógico a ser utilizado
para a integração e dinamização do processo
ensino-aprendizagem.
Palavras-Chaves: Biblioteca escolar – relato de experiência,
Recurso didático-pedagógico
1 INTRODUÇÃO
O ensino escolar é
uma prática social decidida e estabelecida pela sociedade, para
formal e institucionalmente, transmitir a cultura às novas gerações,
de maneira regular, sistemática e intencional.
O desenvolvimento das tecnologias,
nas últimas décadas, vem afetando todos os setores da atividade
humana, proporcionando maior agilidade de comunicação, reduzindo
distância e esforços nas rotinas diárias e ampliando
as possibilidades de acesso à informação em todo o
mundo. Com isso, as escolas estão inovando os métodos de
ensino, considerando que o perfil dos alunos muda constantemente ao assimilarem
conhecimentos informalmente no dia a dia, em casa, na rua, no clube e em
qualquer segmento da sociedade.
Para que a escola tenha
o desenvolvimento desejado é necessário a utilização
de recursos que facilitem a integração e dinamização
do processo ensino-aprendizagem. Entre os recursos existentes, destaca-se
a Biblioteca Escolar, instrumento indispensável como apoio educacional,
didático-pedagógico e cultural. A Biblioteca Escolar é
também elemento de ligação entre professor e aluno
na elaboração das leituras e pesquisas, buscando sempre uma
melhor metodologia de transmissão do conhecimento, influenciando
o hábito da leitura e tornando o aluno mais crítico.
Considerando a importância
da existência da biblioteca em qualquer escola, desenvolveu-se um
projeto com o objetivo de organizar a Biblioteca da Escola Jardim Anchieta
de forma integrada ao processo pedagógico da escola, projetando
sua estrutura, serviços/atividades e metodologias a serem adotadas.
Desta maneira, busca-se
relatar a experiência destacando os aspectos mais importantes, principalmente
a questão das mudanças ocorridas com a organização
da Biblioteca na Escola Jardim Anchieta, descrevendo assim as suas várias
etapas, reuniões, acertos e discussões na adequação
das políticas biblioteconômicas à realidade da Escola.
Apresentadas da seguinte maneira: políticas da Biblioteca
da Escola Jardim Anchieta, fluxograma das atividades e considerações
finais.
2 ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA ESCOLAR
Analisando e acompanhando
as literaturas da área, observando e visitando escolas, percebe-se
que as bibliotecas escolares desempenham o papel de educadoras na formação
dos seus usuários. Desta forma, é importante que sejam organizadas
de modo a levar os alunos a aprenderem os conceitos de organização,
armazenamento, e posterior recuperação das informações,
bem como, a questão da preservação e manutenção
de uma biblioteca, pois é aí que eles encontram as respostas
aos seus questionamentos e saciam suas curiosidades. Cabe aos profissionais
da área aproveitarem estes momentos de curiosidade e despertar em
cada um o hábito pela leitura, o uso de bibliotecas, a pesquisa
e busca pela informação e o reconforto de sentir-se saciado,
de ter descoberto, de ser informado. Como bem coloca Ribeiro (1994, p.
61), "a biblioteca possibilita acesso à literatura e as informações
para dar respostas e suscitar perguntas aos educandos, configurando uma
instituição cuja tarefa centra-se na formação
não só do educando como também de apoio informacional
ao pessoal docente."
É necessário
que os padrões adotados não fujam radicalmente daqueles utilizados
na maioria das bibliotecas, a fim de que as crianças tenham conhecimento
adquirido quando forem utilizá-las em qualquer momento de sua vida.
Ao definir a política para a organização da biblioteca
escolar, buscar sempre a simplificação e a clareza e deixar
bem claro e visível a todos os usuários como é que
a biblioteca funciona e como está organizada. Partindo deste pressuposto,
destacamos tópicos pesquisados na literatura, considerados relevante
à organização de uma biblioteca a nível escolar:
a) Obras de referência (dicionários, enciclopédias...)
Poderá ser separada
por tipo de documento e colocadas por ordem alfabética de título,
ou utilizar a classificação adotada pela biblioteca, ordenando-as
sem maiores problemas e armazenadas em estantes baixas que facilitem o
acesso da criança.
b) Livros didáticos
Apresentam-se de forma muito
intensa, principalmente na forma de “livro do professor”, abrangendo as
áreas de português, matemática, estudos sociais (história,
geografia, educação moral e cívica), ciências
(física, química, biologia), educação artística
(música, artes plásticas, artes cênicas) entre outras.
Devem ser classificados de acordo com o sistema adotado, o qual irá
organizá-los por assunto, autor e título. No entanto, devem
ser providenciadas formas mais fáceis de recuperar as informações,
auxiliando as crianças menores, como uso de cores bem chamativas
e bem divulgadas e deverão estar em estantes de aço, de forma
bem acessível.
c) Livros de lazer (literatura em geral)
A melhor forma é
dividi-los por faixa etária, através do uso das cores. No
caso da Biblioteca da Escola Jardim Anchieta, além da classificação
da CDD, é utilizado a identificação de cores por faixa
etária, o que facilita o manuseio dos usuários. Devem ser
armazenados em local de fácil acesso, para que a criança
possa pegar o livro sozinha.
d) Periódicos (jornais e revistas)
Por ordem alfabética
de título e então por ordem cronológica. Os jornais
são armazenados em estantes próprias e as revistas em caixas
de plástico ou aço.
e) Gibis
Devem ser organizados por
tipo de coleção: turma da Mônica, Walt Disney, entre
outros. Armazenados em caixas ou estantes bem baixas e largas, o que facilita
o manuseio e não ficam caindo o tempo todo. Não devem
ser classificados e nem registrados, por tratar-se de acervo descartável
e de fácil reposição.
f) Folhetos
Atendendo as necessidades
de escola e de seus docentes, principalmente, quando a escola trabalha
com crianças de 0 a 6 anos, onde os trabalhos de recorte e montagens
são importantes. Podem ser organizados por tipo: catálogos,
folders, panfletos, etc e armazenados em arquivos de pastas suspensas ou
em estantes próprias para folhetos. Quando o orçamento da
biblioteca não permitir isto, o melhor é guardar em caixas
ou pastas, identificando o conteúdo.
g) Gravuras
Material muito bom para
se ter em bibliotecas escolares, principalmente naquelas que atendem a
faixa etária de 0 a 6 anos. Os alunos necessitam de figuras para
fazer cartazes, ornamentar trabalhos e demais atividades de artes. Podem
ser guardadas em arquivos de pastas suspensas, organizadas por tipo de
gravura, como por exemplo: crianças, flores, animais, árvores,
casas, ruas, parques, e outros.
h) Jogos
Em se tratando de biblioteca
escolar, os jogos poderão estar presente, utilizados principalmente
pelas professoras nas horas de recreação, tipo: dominó,
quebra-cabeça, xadrez, entre tantos outros. Devem ser colocados
em armários próprios, facilitando a guarda, a manutenção
e a recuperação.
i) Material audiovisual (multimeios)
Com o advento das tecnologias,
a cada dia temos novos tipos de documentos a serem catalogados, armazenados
e disseminados aos usuários, entre eles, destacam-se: fitas cassetes,
fitas de vídeo, diapositivos, slides, CD ROM, entre outros. Na realidade,
podem ser classificados e catalogados da forma convencional, uma vez que
somente os bibliotecários e demais funcionários cuidarão
do armazenamento e a recuperação dos mesmos, mas deixando
sempre acessível aos usuários. É de suma importância
a divulgação deste material para os professores, funcionários,
pais e alunos utilizado-se listas com todos os títulos.
Na questão da organização
do acervo, não devemos pensar somente nas crianças, mas devemos
estar muito atentos aos professores, mantendo com os mesmos uma interação,
buscando sempre a adequação do acervo ao planejamento escolar
e sua metodologia de ensino. Respaldado por Stumpf (1987, p. 77), afirmando
que “o bibliotecário é elemento-chave, dinamizador de todo
o processo. Dependerá sempre de seus valores e crenças o
resultado das ações efetuadas dentro da biblioteca. Assim,
se ele considerar a educação num sentido amplo e não
restrito somente ao ensino, mas à formação de hábitos
e atitudes próprias no aluno, ele se integrará à ação
docente de forma mais efetiva e abrangente”.
Igualmente importante é
o bibliotecário inovar e divulgar sua biblioteca, considerando como
seu público, além das crianças, os pais. Pois, através
dos pequenos usuários, pode-se atingir uma gama bem maior de usuários
adultos, envolvendo-os nas atividades de ensino e no desenvolvimento de
hábitos de leitura.
2.1 Políticas da Biblioteca da Escola Jardim Anchieta
De acordo com a realidade e o acervo da Biblioteca da Escola Jardim Anchieta, e baseando-se na descrição anterior optou-se, em conjunto com a sua Direção, por alguns critérios para a organização do material bibliográfico, considerados fundamentais para a adequação e pleno funcionamento da biblioteca. São eles:
Busca-se, neste item, esclarecer quaisquer dúvidas referente ao funcionamento da Biblioteca da Escola Jardim Anchieta, definindo-se os materiais bibliográficos utilizados e o processo no tratamento técnico do acervo.
a) Registro
Utilizar registro
manuscrito de seqüência direta (tipo livro ATA), adaptado a
realidade brasileira. Será usado dois (2) livros atas, separando
o acervo por categoria de materiais, como: Monografias, Fitas, CD ROM,
Cartografias e Realias. Em caso de extravio de algum material pertencente
ao acervo, dar baixa no registro, utilizando a numeração
da seqüência para o livro reposto. Quando da chegada de
novos títulos à Biblioteca, efetuar inicialmente o registro
e a colocação dos carimbos necessários, conforme exposto
abaixo: Carimbo de Registro, Carimbo da Biblioteca Escolar Jardim Anchieta
(carimbo sigilo).
b) Classificação
No caso da Biblioteca
da Escola Jardim Anchieta, optou-se: pelo uso da Classificação
Decimal de Dewey, 19. ed., espanhol; o uso do cabeçalho de
assunto da Fundação Getúlio Vargas - FGV e para a
classificação de autor, a Tabela Cutter Sanborn.
c) Rubrica de assunto
Baseando-se no Cabeçalho
de Assunto da Fundação Getúlio Vargas, os assuntos
que forem relevantes à Biblioteca da Escola Jardim Anchieta, serão
controlados, criando-se assim o Catálogo de Rubrica de Assunto da
Biblioteca.
d) Catalogação
Foi adotado para atender
as necessidades de catalogação do acervo da escola, o Código
de Catalogação Anglo-Americano - AACR-2, nível 2,
de modo simplificado.
e) Catálogo de identidade
Buscando a padronização
nas entradas de autores, criou-se o Catálogo de Identidade, da Biblioteca
da Escola Jardim Anchieta, identificando sempre o(s) autor(es), como: nome
pessoal, nome entidade, congresso ou título uniforme. Na geração
do catálogo, as pesquisas foram realizadas nas seguintes fontes:
Cabeçalhos uniformes de nomes, da Câmara Brasileira de Livreiros
de 1978, Catálogo de Autoridades, da FGV, 16-11-95 e na própria
obra que esta sendo catalogada. Este tipo de catálogo favorece e
acelera o processo técnico, visto que muitos autores repetem-se
na literatura escolar.
f) Digitação da planilha
Utilizando o microcomputador
da Biblioteca da Escola Jardim Anchieta, no qual foi instalado o software
MicroIsis, bem como, uma base de dados desenvolvida para atender as necessidades
do acervo, o profissional atuante prepara as planilhas e, após a
conferência, digita-as na base ANCHIETA. Esta base esta estruturada
para atender ao aspecto monografias e, as demais bases: fitas, CD ROM,
mapas e realias estão sendo desenvolvidas. Desta forma, procuramos
atender a demanda da Escola e de seus usuários, gerando a recuperação
dos dados pelo autor, título e assunto.
g) Preparo do material para circulação e empréstimo
As etiquetas serão
geradas utilizando o Software PIMACO, para a geração das
etiquetas de catalogação e número de chamada que,
depois de impressas, são coladas nas obras, juntamente com a fita
na cor da faixa etária.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No desenvolvimento deste
projeto, buscando adequar a parte teórica e prática com a
realidade da Biblioteca da Escola, com sua Direção, sua Coordenação
pedagógica e professores sentiu-se uma certa resistência,
principalmente no abrir mão de seus acervos, os quais estavam dispersos
pelas várias salas da Escola e seriam misturados formando um todo
– questionava-se: como encontrar de novo!
Desta maneira, buscou-se
fazer um trabalho em parcerias com todos os elementos da escola, ouvindo,
discutindo e informando metodologias e técnicas de recuperação
da informação. E, nesta parte foi fundamental a participação
da bolsista que esta atuando na Biblioteca da Escola Jardim Anchieta, em
regime de 20 horas semanais. Estas discussões envolveram desde as
zeladoras até a Diretora da escola e, num trabalho participativo
e de recuperação de móveis, equipamentos e acervo,
constituiu-se a Biblioteca da Escola Jardim Anchieta.
Nesta experiência
cabe ressaltar as dificuldades financeiras, presentes em todos os momentos,
principalmente em se tratando de materiais bibliográficos necessários
ao tratamento do acervo e sua disponibilidade ao usuário.
Um dos objetivos que se
pretendia alcançar com o início deste trabalho, era garantir
a presença de um profissional nesta biblioteca, e hoje, já
contamos com o espaço para um estagiário e a certeza de que
foi demonstrado o que faz um bibliotecário, que está muito
além do que apenas preparar e disponibilizar o acervo. Ficou visível
que o profissional da informação está presente no
dia a dia da escola, nas atividades de ensino, pesquisa, recreação
e fundamentalmente no desenvolvimento de hábitos como leitura, interpretação,
criatividade, enfim de conhecimentos gerais.
Buscamos com esta experiência
a abertura de campo de atuação para profissionais de Biblioteconomia,
pois, fazendo estes projetos e desenvolvendo as várias atividades
em uma biblioteca escolar, comprova-se sua real importância, passando
então ser necessidade primordial aos próprios membros da
escola: professores, coordenadores, funcionários, pais e alunos,
os quais então passarão a requerer este espaço educacional.
Hoje, no andamento deste
projeto, contamos com a colaboração de uma estagiária
do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina,
através da qual foi possível mostrar àquela comunidade
escolar o real valor de um profissional em Biblioteconomia na prática
que envolve as Bibliotecas Escolares, tais como a participação
do bibliotecário nas diversas atividades do processo didático-pedagógico,
tais como: atividades de incentivo à leitura, auxilio nas
pesquisas, exposições comemorativas de datas importantes,
entre outras.
Dentro do espaço
da biblioteca, nos poucos meses de funcionamento, percebemos a grande evolução
pela busca da leitura, pelo interesse dos alunos e seus pais, que passaram
a se fazer presentes na biblioteca, mesmo por poucos instantes na entrada,
no recreio e na saída das crianças. Hoje, um dos momentos
mais intensos de procura pela Biblioteca é na hora do recreio, onde
as crianças trocam as brincadeiras no parque para ir a Biblioteca.
Percebe-se, claramente, a busca da integração dos professores
com a estagiária, na procura pelas atividades de leitura e recreação
com as turmas, bem como, a solicitação de visita orientadas
das turmas na biblioteca.
As Escolas de Biblioteconomia
deveriam trabalhar e buscar constantemente o trabalho em parcerias com
os diversos tipos de bibliotecas e em especial com as escolares, para tornar
possível que os futuros profissionais conheçam as atividades
e a realidade das bibliotecas escolares. Além disso, estariam colaborando
para a valorização e fortalecimento da Biblioteca Escolar,
mostrando que a biblioteca na escola pode colaborar nas atividades de ensino-aprendizagem,
transformando os seus alunos em cidadãos críticos e criativos,
além de leitores natos.
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