Palavras-chave: Educação profissional; Ciência da Informação – Santa Catarina
ABSTRACT
This is a analysis about the professional literature production at
library and information science in Santa Catarina State, Brazil, from 1973
to 1990 and its insertion on the professional education curriculum
of the undergraduated library and information science schools of the UFSC
[Universidade Federal de Santa Catarina] and UDESC [Universidade do Estado
de Santa Catarina], from 1973 to 1993. The tables and graphics present
a low insertion of this literature on the curriculum.
Key-word: Librarianship education; Information Science – Santa
Catarina
1. INTRODUÇÃO
A Educação de profissionais é tema que exige ser estudado sob a perspectiva sociológica, na medida em que trata de um modo institucionalizado de ação entre pessoas e entre pessoas e um estado. Como ação institucionalizada, é realizada com normas e procedimentos, em geral, determinadas por pares, os quais incorporam papéis de sócios de um grande objetivo. A dúvida é sob que ângulo sociológico utilizar. As possibilidades parecem várias, pois o tratamento teórico das profissões que exigem como habilitação ao seu exercício a escolarização universitária é realizado tanto pela chamada Sociologia do Conhecimento, em seu aspecto mais particular da Sociologia das Profissões, quanto pela Sociologia do trabalho onde pode ser buscada a visada mais geral da abordagem ocupacional.
A partir deste último ponto de análise, opera Eliot Freidson. Seu tratamento do tema muito interessa para esta pesquisa, na medida em que ela trata da Educação de Profissionais de informação documentária na Região Sul do Brasil. Um campo multifacetado que se desdobra em Biblioteconomia, Arquivologia e Ciência da Informação.
Freidson, no livro traduzido ao português sob o título Renascimento do profissionalismo, (p. 68) dá características fundamentais que consolidam uma profissão moderna dependente de escolarização universitária. Uma dessas características e que tem relação direta com esta pesquisa é a que reconhece nos profissionais, enquanto agrupados em corporações, a total capacidade de controlar o seu próprio trabalho e, como decorrência, o pleno domínio sobre as ações de organizar e administrar a prática de um corpo de conhecimento. Isto significa que o grupo dos profissionais que compõem uma determinada profissão tem que gerar o corpo dos saberes profissionais que lhes servem de instrumento de intervenção, como trabalhadores, em dada sociedade. Isto se torna possível a partir da ação associativa, que deve fazer valer o seu poder de organizar o total do membros que compõe todo o grupo e, no específico da educação, deve exercer, no entendimento de Freidson, o poder de determinar as qualificações e o número de indivíduos a serem treinados para a prática profissional, o conteúdo a ser ministrado neste treinamento, os requisitos para a conclusão satisfatória do treinamento, as exigências mínimas para recebimento de autorização para o exercício profissional, os termos, as condições e as metas a serem consideradas pelo conjunto dos membros da profissão. Nesse sentido, Freidson chama a atenção para o fato de que deve-se levar em conta o que, de fato, constituem o conhecimento e as habilidades que particularizam a atuação de uma profissão diante dos seus próprios membros, diante do público, perante as instituições que transmitem ao público as informações e idéias que formam as concepções distintivas de uma dada profissão.
Claramente, o que o autor coloca pode ser traduzido pelo seguinte: o cerne de uma profissão dependente de escolarização universitária, para se distinguir como possuidora de conhecimento e habilidades particulares, está nas funções educação profissional e difusão do saber profissional.
São estas duas frentes de atuação que vão dar a cara de uma profissão. Estas duas frentes estão mais objetivamente, embora não apenas, nas mãos dos intelectuais da profissão. Maria da Glória Bonelli, ao prefaciar o livro de Freidson, acima mencionado, faz um estudo mais amplo de sua obra, e ao resgatar suas idéias, expõe à página 25, que "Os profissionais estabelecem e sustentam lugares no mercado de trabalho diferenciados em praticantes, administradores e intelectuais". Caracterizando o conteúdo do papel exercido por cada um desses grupos, ela diz: "Os administradores condicionam como e onde os praticantes podem exercer poder sobre os clientes. Os praticantes divulgam a profissão e garantem uma clientela, tendo algum poder sobre ela e sobre o trabalho que fazem. Os acadêmicos não têm poder nos locais de trabalho, mas produzem o conhecimento abstrato e formal que dá a autoridade científica da profissão e forma a base para as regras organizacionais e para as decisões de trabalho dos praticantes individuais".
É evidente que estes três grupos, em geral, podem ser definidos como estratos decorrentes de uma divisão do trabalho no interior das profissões. Essa estratificação surge na medida em que as profissões saem do estágio de meras ocupações ou práticas curiosas e se institucionalizam gerando as necessidades de criar e gerir um mercado de usuários, atuar nesse mercado e forjar o conhecimento teórico, as explicações e os textos que constituem conhecimento científico, conhecimento didático e conhecimento ao público. É ainda Maria da Glória Bonelli quem vai destacar que "Essa divisão interna das profissões gera uma tensão no relacionamento entre seus distintos segmentos". (p. 25)
No contexto deste estudo, situado no espaço e no tempo, cabe observar que há um ambiente brasileiro de sociedade importadora de conhecimento biblioteconômico, arquivístico e de ciência da informação e que esta sociedade é ainda pouco geradora de conhecimento nestes campos. Assim, embora se perceba a existência, também no Brasil, da divisão interna acima mencionada entre os profissionais da informação documentária, deve ser levado em consideração o estágio embrionário dos instrumentos de controle de produção de conhecimento em biblioteconomia, arquivologia e ciência da informação o que limita a realização de estudos interpretativos do desenvolvimento da prática e da teoria profissional no país.
Sobre este fundo contextual, traz-se para subsídio interpretativo quatro estudos recentes relacionados à literatura em Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil enfocando a disseminação da pesquisa, a produção documentária na área e a produção institucional de literatura em biblioteconomia e ciência da informação dirigida ao uso didático.
No primeiro desses estudos, de Müller, Campello e Dias, os autores partem do pressuposto de que a existência de literatura científica e profissional é talvez o requisito mais importante dentre as três características que mencionam como definidores da maturidade de uma área de saber. Afirmam que essa característica faz sobressair a preocupação pela qualidade, confiabilidade e credibilidade do que é divulgado. Isso viria a determinar a existência da avaliação prévia dos manuscritos propostos para publicação e o exame de teses e dissertações, levando essa produção a ser integrada ao circuito global de comunicação e divulgação da ciência, pois a ciência só existe quando é tornada pública.
Neste seu artigo, Müller, Campello e Dias buscam descrever o estado atual da disseminação da pesquisa em Ciência da Informação e Biblioteconomia no Brasil, abordando aspectos da produção editorial de periódicos, monografias e anais de encontros científicos e aspectos do controle bibliográfico. Ao concluírem o estudo, os autores percebem crescimento e reafirmação da disseminação da pesquisa em Ciência da Informação e Biblioteconomia no Brasil. Apesar disso, demonstram ceticismo quanto à suficiência ou eficiência da estrutura de disseminação existente, pois ocorrem fragilidades na produção de periódicos, na edição de livros, na difusão da produção em eventos profissionais e científicos e no controle bibliográfico.
Saindo do âmbito nacional para uma realidade localizada em Santa Catarina, vem o segundo estudo apresentado por Ohira, Maia e Sell. Ao produzirem a base BIDAC, as autoras fazem uma análise da produção intelectual dos profissionais da informação do Estado de Santa Catarina, de 1976 a 1996 (p. 71). Especificamente, trabalham no sentido de: a) identificar os tipos ou categorias de documentos e veículos de comunicação utilizados para divulgação dos trabalhos produzidos; b) verificar o ano com maior número de trabalhos publicados e quais os fatores que influenciaram; c) analisar o tipo de autoria dos documentos publicados; d) relacionar a produção intelectual com a área de atuação dos profissionais da informação; e) identificar os periódicos utilizados para publicação dos trabalhos, e f) verificar os eventos onde foram apresentados os trabalhos publicados. Como resultado, a base contém 675 referências bibliográficas relativas a documentos de produção local, dos quais 61,78% foram publicados e 38,22% não publicados. 137 desses documentos, ou 20,3%, foram publicados como artigos de periódicos e 71, ou 10,5% publicados como livros ou capítulos de livros. 28 dos 258 documentos não publicados dizem respeito a teses ou dissertações, 455 documentos, ou seja 67,41%, foram produzidos por um único autor e 54,52%, ou seja 368 documentos, corresponde a produção de pessoal atuante no setor de ensino.
Outra análise, agora de caráter comparativo internacional, vem apresentada pelo terceiro estudo. Produzido por Población, Noronha e Currás, o estudo traz os primeiros resultados de um trabalho conjunto envolvendo pesquisadores da USP – Universidade de São Paulo – e da Universidade Autônoma de Madrid referente à análise dos autores que, no Brasil e na Espanha, apresentaram comunicação em eventos da área de Ciência da Informação e o confronto dessa produção com o que também publicaram em periódicos em cada um desses países. No Brasil, as autoras trabalharam com a Base Eventos em Ciência da Informação, de onde selecionaram a produção do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias e na Espanha trabalharam com a Base ISOC, subárea Ciencia y Documentación Científica. Após a localização das informações nessas Bases, as autoras fizeram o confronto com periódicos especializados em ambos os países. Os resultados que alcançaram não mostram diferenças substantivas entre os autores de literatura de Ciência da Informação em ambos países quando considerada sua produção em eventos e em periódicos.
O quarto estudo em consideração resulta de pesquisa realizada por Dias, Pitella e Pontello. O relato advém da perspectiva dos autores de considerar como um indicador de produtividade acadêmica a avaliação da qualidade da literatura didática em biblioteconomia e ciência da informação. Os argumentos para afirmar esta perspectiva é o de que há carência de textos desta natureza em língua portuguesa, e de que sua ausência compromete a qualidade de ensino de biblioteconomia e ciência da informação no Brasil.
A postura defendida pelos autores parte do suposto de que a ausência de textos desta natureza pode ser motivada por uma inadequada recompensa de mercado intelectual e que trabalhos avaliativos como o que realizaram pode funcionar como uma recompensa aos autores de material didático.
No estudo, fizeram a análise de citações e consideraram que a inclusão de um item bibliográfico num programa de curso ou disciplina seria similar ao de citação de autores num trabalho científico, pois essa inclusão também é uma forma de reconhecimento do trabalho incluído. As escolas analisadas como referência à citação desses textos em seus programas de cursos foram a UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – e a USP, que, argumentaram os autores, estão como as duas melhor cotadas no Guia do Estudante e na Avaliação da CAPES – Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
Os autores encontraram que na EB/UFMG – Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais – é citada 63% de literatura brasileira e na USP 67%. Encontraram também que 43,9% do material citado se apresenta no formato artigo de periódico e 42,3% no formato livro e que 90% da literatura citada pelas duas escolas foi publicada entre 1970 e 1989, com 82,4% do material incluído na bibliografia se apresentando em língua portuguesa, 15,7% em inglês e 1,9% em espanhol.
Entre seus achados encontraram que em torno de 60% de instituições brasileiras com cursos de Biblioteconomia estão representadas na bibliografia adotada pela USP e UFMG.
Por fim, os autores acreditam que uma avaliação como a que realizaram nesse estudo pode servir de estímulo e recompensa intelectual para que mais autores se dediquem à produção de textos para uso didático em Cursos de Biblioteconomia.
Em síntese, os quatro estudos acima apresentados ressaltam que: 1) a existência de literatura científica e profissional é um requisito dos mais importantes para definir a maturidade de uma área de saber; 2) há crescimento e reafirmação da disseminação da pesquisa em Ciência da Informação e Biblioteconomia no Brasil, apesar de algumas fragilidades em âmbito editorial e de controle bibliográfico; 3) a autoria única é marcante na área que também tem o predomínio de autores atuantes na docência; 4) entre autores brasileiros e espanhóis na área de Ciência da Informação há pouca diferença quando considerada a produção apresentada em eventos e a publicada em periódicos; 5) deve ser estimulada a produção de literatura na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação adotando-se como um recurso estimulador a recompensa intelectual que pode ser dada a partir da avaliação de citação dessa produção em programas de disciplinas integrantes dos cursos de biblioteconomia.
Como era de se esperar, os autores desses estudos são docentes universitários, plenos ou eventuais. Em si, estes estudos se caracterizam pelo que Freidson demarca como tarefa esperada do grupo intelectual ou acadêmico de uma profissão. Freidson diz que o grupo acadêmico não têm poder nos locais de trabalho técnico ou prático, mas, no entanto, são os membros deste subgrupo profissional que produzem o conhecimento abstrato e formal que dá a autoridade científica da profissão e forma a base para as regras organizacionais e para as decisões de trabalho dos praticantes individuais e estes autores não realizam outra coisa senão isso mesmo.
Estes trabalhos analisados relacionam-se diretamente ao que está em questão no estudo objeto deste artigo, ou seja, a produção da pesquisa ou de conhecimento em biblioteconomia e ciência da informação e o seu uso na educação de profissionais. Em outros termos, estuda-se o que existe como produção de cunho acadêmico na biblioteconomia ou ciência da informação em Santa Catarina, sua difusão e o seu uso pelos dois cursos de biblioteconomia existentes no estado.
Porém, Santa Catarina situa-se no espaço social e geográfico brasileiro, precisamente na Região Sul. Daí, um dado de realidade mais amplo com que se trabalhou durante a pesquisa é que a Região Sul possui algumas características particulares que a tornam singular enquanto contexto para se compreender a educação que nela se empreende.
Neste sentido, torna-se importante encará-la como um contexto que, preservando uma razoavelmente alta qualidade de vida, poderia oferecer certos traços próprios quanto à prática de geração de conhecimento em Biblioteconomia, Arquivologia e Ciência da Informação pois, pelos seus indicadores sociais, é diferente de outras regiões do país. Considerando algumas de suas cidades pólo, encontra-se Curitiba, a capital do Estado do Paraná, como um exemplo, mostrado ao mundo inteiro, de um processo de urbanização que preserva fatores de equilíbrio social construído a partir de uma visão humanista das relações interpessoais; Florianópolis, a capital do Estado de Santa Catarina, como a única das cidades capitais dos Estados brasileiros cujo tamanho da população não segue a regra das demais, isto é, sua população total é inferior a de algumas cidades do próprio Estado, como Joinville; e Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul, como apresentando relevantes indicadores de escolarização e ação cultural que a destacam quando comparada a outras capitais brasileiras.
Junto a estes fatores de qualidade, pode-se reunir a perspectiva analítica de que estes estados do sul do país à medida em que investem em qualidade de vida, necessariamente investiriam também em meios de organização e disseminação da informação. Isso teria levado ao estabelecimento da profissão bibliotecária na Região e à conseqüente implantação do processo educacional específico que começa no ano de 1947 com a criação do Curso de Biblioteconomia hoje instalado na UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, seguido dos Cursos instalados na UFPR – Universidade Federal do Paraná – (1952), UFSC (1973), UDESC (1974), FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – (1974) e UEL – Universidade Estadual de Londrina – (1974), num total de 6 escolas, instaladas 2 em cada Estado da Região. Fora o Estado de Santa Catarina, cujos cursos funcionam sediados na capital, os demais Estados têm suas escolas funcionando nas capitais (Curitiba e Porto Alegre) e em cidades que polarizam atividades econômicas ou estratégicas como Londrina e Rio Grande.
Apesar das características sociais apresentadas, a educação bibliotecária na Região, é majoritariamente realizada em nível de graduação (bacharelado), embora o potencial econômico-cultural da Região indique a necessidade de implementação mais forte da pós-graduação stricto sensu.
A perspectiva desenvolvida neste estudo, ao centrar-se inicialmente
no estado de Santa Catarina, vem do fato de que o conhecimento sobre a
produção de literatura em biblioteconomia e ciência
da informação no Estado catarinense não tem se dado
de forma sistemática e da mesma maneira parece que também
não o tem sido na Região Sul. Isto, ao se perpetuar, cria
dificuldade quando se busca compreender qual o tipo de contribuição
qualitativa para a Educação de profissionais em informação
documentária que é oferecida pela produção
escrita ou comunicada oralmente pelos pesquisadores, professores, bibliotecários
e outros profissionais da informação registrada que atuam
no Estado. Numa primeira vista, partiu-se da percepção
de que a reflexão sobre a produção existente é
rarefeita e decorre de contribuições em eventos
realizados na área biblioteconômica ou nos Grupos
de Trabalho da ABEBD - Associação Brasileira de Ensino
de Biblioteconomia e Documentação. Portanto, tratar-se-ia
de uma produção sem o claro sentido de uma produção
pública de conhecimento mais organizado, mais científico,
sobre a Educação bibliotecária e de ciência
da informação no Estado. Parcialmente, essa deficiência
decorreria da dispersão das informações que ainda
permanecem insuficientemente reunidas e, mais grave, quando alguns pacotes
de controle já foram elaborados, ocorre que os respectivos documentos
primários não foram armazenados em um acervo consolidado
que garanta o acesso integral para fins de estudo dessa mesma produção.
Face a isso, este estudo projeta uma pretensão de política
profissional partindo da necessidade de estabelecer, começando por
Santa Catarina, um Núcleo de informação, estudos
e pesquisas sobre o Ensino de Biblioteconomia, Documentação
e Ciência da Informação para a Região Sul.
2. OBJETIVOS
A questão principal, uma vez colocada e definida como a avaliação de impacto qualitativo da produção bibliográfica na educação de profissionais de informação documentária na própria região, foi traduzida para objetivar a pesquisa, de modo a se procurar vencer as limitações de recursos materiais e humanos com que se pode contar. Desse modo, em linhas gerais, o objetivo principal da pesquisa foi descrito como: "Fortalecer as estruturas científico-técnicas da educação em Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação existentes na Região Sul do Brasil, iniciando-se pelo Estado de Santa Catarina".
Colocado nestes termos, pode-se partir dos quatro direcionamentos abaixo
arroladas, isto é, dos seguintes objetivos específicos da
pesquisa:
3. QUADRO METODOLÓGICO
A pesquisa aqui relatada é parte de um projeto mais amplo que visa a longo prazo alcançar os três estados do Sul do Brasil. Esse projeto mais amplo engloba um conjunto de quatro subprojetos que se integram operacionalmente, embora a sua realização não ocorra concomitantemente. Cada subprojeto tem uma abordagem própria, exigindo formas metodológicas e instrumentalização específicas.
O projeto, como um todo, está sediado no Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFSC [Universidade Federal de Santa Catarina], dele recebendo apoio institucional e vem contando com o apoio do FUNPESQUISA – Fundo de Apoio à Pesquisa – da UFSC através de equipamento de microinformática para armazenamento, processamento, teste e disponibilização de bases de dados de textos referenciais. Também conta com o apoio de uma Bolsa de Iniciação Científica do PIBIC- UFSC.
3.1. Procedimento para coleta e tratamento dos dados
3.1.1. Para construir as bases de dados retrospectivas e correntes de caráter referencial e com textos integrais dos trabalhos de congressos, simpósios, etc., dissertações de Mestrado, Teses de Doutorado e de Livre Docência e Palestras e Conferências sobre Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e áreas afins, realizadas no país e no exterior por profissionais, pesquisadores e docentes de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação atuantes no Estado de Santa Catarina, adotou-se os seguintes procedimentos:
4. RESULTADOS ALCANÇADOS
No período do desenvolvimento do projeto aqui exposto (dezembro de 1997 a outubro de 1998), foi possível realizar um volume grande de ações que ofereceram produtos palpáveis capazes de dar subsídios importantes para quem estudar a produção na área de biblioteconomia e ciência da informação em Santa Catarina.
4.1. PROCALBI
No âmbito do primeiro objetivo específico foi produzida a Base PROCALBI. Nesta Base, que contém 344 referências bibliográficas, foi reunida a produção científico-técnica de responsabilidade de profissionais, pesquisadores e docentes com atividades nas áreas de Biblioteconomia, Arquivologia, Documentação e Ciência da Informação em diferentes instituições do estado de Santa Catarina.
a) Tipo de Material
Na Base PROCALBI os documentos encontrados são dos tipos mostrados nas tabelas 1 e gráfico 1.
Tabela 1
| Representação | tipo de material | quantidade | percentual |
| 111 | livros | 11 |
3,2
|
| 113 | relatórios | 2 |
0,6
|
| 114 | teses | 1 |
0,3
|
| 115 | dissertações | 14 |
4,1
|
| 116 | monografias de curso de especialização | 25 |
7,3
|
| 117 | publicações técnicas | 31 |
9,0
|
| 121 | bibliografias | 7 |
2,0
|
| 122 | guias | 2 |
0,6
|
| 123 | catálogos | 8 |
2,3
|
| 124 | manuais | 9 |
2,6
|
| 125 | índices | 4 |
1,2
|
| 127 | outros | 2 |
0,6
|
| 21 | artigos em periódicos técnicos/científicos | 46 |
13,4
|
| 22 | artigos em jornais | 5 |
1,5
|
| 23 | artigos em boletins | 41 |
11,9
|
| 25 | outros | 3 |
0,9
|
| 311 | texto integral em anais | 38 |
11,0
|
| 312 | resumo em anais | 16 |
4,7
|
| 32 | não publicado | 79 |
23,0
|
| Total | 344 |
100,0
|
Na tabela 1, observa-se a utilização de meios variados para veiculação de trabalhos pelos profissionais de Santa Catarina. São vários os tipos de publicações encontrados. Porém, observa-se uma concentração em trabalhos não publicados e a seguir aparecem artigos publicados em periódicos científicos da área, seguido de textos publicados em boletins, os dois últimos categorizados como publicações seriadas. O gráfico abaixo apresenta uma configuração conforme o tipo de publicação o que permite algumas considerações posteriormente.
Gráfico 1
O gráfico acima, destaca que Trabalhos em Eventos é um dos meios mais utilizados para divulgação da literatura elaborada no estado.
b) Ano de Publicação
Os dados obtidos pela Base PROCALBI cobrem o período de 1973 a 1990, e a análise considerou a produção por ano, a fim de verificar possíveis variações. O resultado está no gráfico 2 abaixo.
Gráfico 2
O gráfico 2, mostra que nos anos de 1982 e 1990 houve uma maior
produtividade com 14,8% e 13,7%, respectivamente, no número de trabalhos.
Um fato que chama a atenção é a inexistência
de trabalhos nos anos de 1973 a 1975.
c) Tipo de Autoria
A maior parte dos 344 trabalhos foi produzida com autoria individual (73,5%, ou 253 textos), contra 20%, ou 69 textos de autoria coletiva e 7,3%, ou 25 textos de autoria institucional. Isso não é novidade em Biblioteconomia e Ciência da Informação e tem sido destacado em outros artigos, como o de Ohira e outros.
d) Área de Atuação
Os autores atuam em diferentes tipos de organizações desempenhando diferentes tipos de atividades. Por essa razão foi importante verificar a origem da produção de literatura, tendo como referência a área de atuação profissional. Assim, encontrou-se que nos 344 trabalhos identificados predomina como autor o grupo acadêmico (com 55,5%, ou 191 textos) contra 37,2%, ou 128 textos, dos Profissionais que atuam em diferentes instituições com bibliotecas, sistemas, arquivos e 7,3% ou 25 textos, produzidos em âmbito da própria instituição empregadora. Vê-se, assim, que o grupo docente tem a produção de textos em maior quantidade pois a realiza como parte integrante de sua missão profissional.
e) Publicações Seriadas
A Base PROCALBI arrola trabalhos publicados em vários periódicos e boletins, editados no próprio estado de Santa Catarina e em estados de outras regiões, como se vê nas tabelas 2 e 3.
Tabela 2
| Títulos de Periódicos | Quantidade | Percentual |
| Revista de Biblioteconomia de Brasília | 11 | 23,0 |
| Cadernos do CED | 9 | 19,6 |
| Ciência da Informação | 8 | 17,4 |
| Perspectiva; revista do Centro de Ciências da Educação | 4 | 8,7 |
| Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação | 4 | 8,7 |
| Cadernos de Biblioteconomia | 2 | 4,3 |
| Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG | 2 | 4,3 |
| Arquivos & Administração | 1 | 4,3 |
| Idéias em Debate | 1 | 4,3 |
| Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina | 1 | 4,3 |
| R. Latina Americana de Documentação | 1 | 4,3 |
| Trans-in-formação | 1 | 4,3 |
| Revista de Comunicação Social | 1 | 2,2 |
| Total | 46 | 100,0 |
Tabela 3
| Boletins | Quantidade | Percentual |
| Boletim ACB | 20 |
49,0
|
| Boletim ABDF | 8 |
20,0
|
| Acadêmico | 8 |
20,0
|
| Ágora | 2 |
5,0
|
| Informativo da FESC | 1 |
2,4
|
| Boletim do CEPE | 1 |
2,4
|
| SBPSC Informativo | 1 |
2,4
|
| Total | 41 |
100,0
|
f) Trabalhos em Eventos
Boa parte da produção listada na Base PROCALBI advém de eventos, sendo que, em nível local, sobressai-se, conforme a tabela 4, o Painel Biblioteconomia em Santa Catarina, evento que reúne todos os profissionais atuantes no estado e que, nos últimos anos, tem sido organizado com a participação da Associação de Bibliotecários, Conselho de Biblioteconomia e Departamentos de Ensino de Biblioteconomia da UFSC e da UDESC.
Tabela 4
| Evento | Quantidade | Percentual |
| Painel Biblioteconomia em Santa Catarina | 50 |
47,61
|
| Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação | 15 |
14,28
|
| Encontro de Arquivos Catarinenses e Painel de Arquivos Sul Brasileiros | 8 |
7,61
|
| Seminário Catarinense de Biblioteconomia e Informação | 8 |
7,61
|
| Encontro Nacional de Biblioteconomia e Informática | 5 |
4,76
|
| Jornada Sul-Rio-Grandense de Biblioteconomia e Documentação | 5 |
4,76
|
| Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias | 5 |
4,76
|
| Encontro Interestadual de Bibliotecas Públicas SC/PR | 3 |
2,85
|
| Encontro do Sistema de Bibliotecas da UFSC | 2 |
1,9
|
| Encontro sobre Sistemas de Informação | 2 |
1,9
|
| Seminário de Automação em Bibliotecas e Centros de Documentação | 2 |
1,9
|
| Total | 105 |
100,0
|
4.2. BSB
Como resposta ao segundo objetivo proposto foi construída a Base BSB. Nesta fonte está reunida a literatura inserida nos currículos das escolas de Biblioteconomia da UFSC e UDESC. Nela constam 1250 referências bibliográficas listadas nos planos e programas de ensino das disciplinas ministradas pelos departamentos de Biblioteconomia e Documentação das referidas escolas, cobrindo o período de 1973 a 1993.
a) Tipo de Material
Quanto ao tipo de material arrolado, a BSB expõe nas tabela 5 uma gama variada de materiais, que são apresentados pelas escolas como bibliografia para o estudo de seus alunos.
Tabela 5
| representação | tipo de material | quantidade | percentual |
| 111 | livros | 506 |
40,48
|
| 113 | relatórios | 4 |
0,32
|
| 114 | teses | 7 |
0,56
|
| 115 | dissertações | 16 |
1,28
|
| 116 | monografias de curso de especialização | 7 |
0,56
|
| 117 | publicações técnicas | 55 |
4,4
|
| 118 | outros | 24 |
1,92
|
| 121 | bibliografias | 10 |
0,8
|
| 122 | guias | 19 |
1,52
|
| 123 | catálogos | 6 |
0,48
|
| 126 | tesauros | 17 |
1,36
|
| 127 | outros | 12 |
0,96
|
| 21 | artigos em periódicos técnicos/científicos | 348 |
27,84
|
| 22 | artigos em jornais | 4 |
0,32
|
| 23 | artigos em boletins | 45 |
3,6
|
| 25 | outros | 16 |
1,28
|
| 311 | texto integral em anais | 138 |
11,04
|
| 312 | resumo em anais | 4 |
0,32
|
| 32 | não publicado | 12 |
0,96
|
| Total | 1250 |
100,0
|
Vista em detalhe, a tabela 5, mostra que os livros têm destaque percentual com 40,48% das ocorrências de citação nos programas e planos de ensino, vindo em seguida os artigos de periódicos com 27,84% do total e, depois, os textos integrais em anais.
b) Ano de Publicação
Das várias leituras que o gráfico 3 permite, uma que deve chamar a atenção é que a representação de literatura nova nos últimos 7 anos (1987 a 1993) é exígua, deixando como questão aberta o nível de atualidade do ensino realizado.
Gráfico 3
Pela quantidade produzida,
dentre a literatura citada, podem ser destacados os anos de 78, 80 e 82.
Salienta-se que 80,3% da literatura utilizada pela escola tem data de publicação
dentro do período da pesquisa.
c) Origem dos documentos
O gráfico 4 representa o fato de que a quase totalidade do material arrolado nos planos e programas de ensino é de origem nacional ou traduzido ao português. Do total de 1250 referências localizadas, 1088, ou 87%, está apresentado em língua portuguesa, 98, ou 7,8%, está em língua inglesa, 50, ou 4%, está em língua espanhola e 13, ou 1%, está em língua francesa. Isso leva à conclusão de que a citação de literatura em língua inglesa nos planos e programas de ensino das escolas catarinenses é, percentualmente, a metade da citada pela USP e UFMG. Essa situação, entre outras coisas, desestimula a prática de outros idiomas e, em geral, tende a desconhecer a expressão da produção quantitativa de literatura profissional em outras línguas.
Gráfico 4
d) Publicações Seriadas
Nas duas escolas catarinenses é indicada aos alunos, predominantemente, a literatura periódica produzida no eixo Rio de Janeiro-São Paulo-Brasília e, insignificantemente, a literatura estrangeira. Esta mesma situação se estende aos boletins, conforme se vê nas tabelas 6 e 7.
Tabela 6
| Periódicos | Quantidade | Percentual |
| Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG | 97 |
27,32
|
| Revista de Biblioteconomia de Brasília | 96 |
27,04
|
| Ciência da Informação | 67 |
18,87
|
| Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação | 35 |
9,85
|
| Cadernos de Biblioteconomia | 10 |
2,81
|
| Arquivo & Administração | 8 |
2,25
|
| Library Trends | 8 |
2,25
|
| Leia Livros | 8 |
2,25
|
| Journal of Librarianship | 6 |
1,69
|
| Ciência e Cultura | 4 |
1,12
|
| Revista de la UNESCO de Ciencia de la Información, Bibliotecología y Archivologia | 4 |
1,12
|
| Revista do Núcleo de Documentação | 3 |
0,84
|
| Revista de Comunicação Social | 3 |
0,84
|
| Revista de Administração de Empresas | 3 |
0,84
|
| Revista de Administração Pública | 3 |
0,84
|
| Total | 355 |
100,0
|
| Títulos de boletins | Quantidade | Percentual |
| Boletim ABDF | 19 |
61,29
|
| Cadernos FUNDAP | 5 |
16,12
|
| Boletim ACB | 3 |
9,67
|
| Palavra-Chave | 2 |
6,45
|
| Boletin de la UNESCO para las bibliotecas | 2 |
6,45
|
| Total | 31 |
100,0
|
Os eventos geradores de referências citadas nos programas e planos de ensino de biblioteconomia da UFSC e UDESC apresentam uma curiosidade; trata-se do fato de que o SNBU – Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, evento orientado para um determinado tipo de biblioteca, gerou mais de 20% das citações da categoria trabalhos em eventos, conforme a tabela 8.
Tabela 8
| Evento | Quantidade | Percentual |
| Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação | 54 |
38,57
|
| Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias | 34 |
24,28
|
| Jornada Sul-Rio-Grandense de Biblioteconomia e Documentação | 17 |
12,14
|
| Congresso Latino Americano de Biblioteconomia e Documentação | 9 |
6,42
|
| Conferência Brasileira de Classificação Bibliográfica | 5 |
3,57
|
| Painel Biblioteconomia em Santa Catarina | 4 |
2,85
|
| Simpósio sobre Biblioteca e Desenvolvimento Cultural | 4 |
2,85
|
| Assembléia das Comissões da FEBAB | 4 |
2,85
|
| Reunião Brasileira de Ciência da Informação | 3 |
2,14
|
| Congresso Brasileiro de Arquivologia | 2 |
1,42
|
| IFLA – General Conference | 2 |
1,42
|
| Congresso Regional de Documentação da IFLA/CLA | 2 |
1,42
|
| Total | 140 |
100,0
|
4.3. BES e "papers" produzidos
Em relação ao terceiro objetivo proposto no projeto foi desenvolvida a Base BES. Nesta Base foi incorporada a literatura de produção local apresentada nos currículos das escolas da UFSC e UDESC. Tomando por base o número de documentos constantes na Base BSB, verifica-se que as escolas indicaram apenas 3,06% de trabalhos de autores catarinenses.
a) Tipo de Material
Pela tabela 9 vê-se que apenas 39 trabalhos de autores catarinenses foram referenciados pelas escolas em seus respectivos programas e planos de ensino, ao longo de um período de 21 anos.
Tabela 9
| Representação | tipo de material | quantidade | percentual |
| 111 | livros | 7 |
17,94
|
| 113 | relatórios | 1 |
2,56
|
| 114 | teses | 1 |
2,56
|
| 115 | dissertações | 3 |
7,69
|
| 116 | monografias de curso de especialização | 4 |
10,25
|
| 123 | catálogos | 2 |
5,12
|
| 21 | artigos em periódicos técnicos/científicos | 4 |
10,25
|
| 23 | artigos em boletins | 5 |
12,82
|
| 311 | texto integral em anais | 7 |
17,94
|
| 312 | resumo em anais | 1 |
2,56
|
| 32 | não publicado | 4 |
10,25
|
| Total | 39 |
100,0
|
É curioso comparar-se as tabelas 5 e 9 e verificar-se que materiais como Bibliografias, Guias e Tesauros elaborados em outros lugares são referidos nos programas e planos de ensino da UFSC e UDESC (conforme a tabela 5) e nenhum desses materiais de origem catarinense é citado (conforme a tabela 9).
Ainda em relação à tabela 9, não deixa de parecer estranho que dos 46 artigos catarinenses que tiveram destaque na Base PROCALBI (ver tabela 1), apenas 4 indicações apareçam nos programas e planos das escolas do estado.
b) Ano de Publicação
O gráfico 5 a seguir apresenta o percentual da produção de autores atuantes em Santa Catarina que foi indicado pelas escolas ano a ano, no período pesquisado.
Gráfico 5
Uma leitura do gráfico
indica que apenas no período de 1981 a 1987 ocorreu uma inserção
sistemática dessa produção como literatura indicada
para uso didático. Chama atenção o fato de que em
7 anos deste período nenhum texto dessa produção foi
aceito pelas escolas como material de valor didático, ou seja, de
1973 a 1976, 1987, 1988 e 1989. O ano com maior índice de recomendação
pelas escolas é 1982 seguido de 1984.
A partir da Base BES, que constitui a síntese das Bases PROCALBI e BSB, e o ponto alto da pesquisa, pois dela resultaram os meios para a análise de fundo sobre o impacto qualitativo da literatura gerada em Santa Catarina, foram redigidos, aceitos e apresentados na XIV Jornada Sul-Rio Grandense de Biblioteconomia e Documentação, Porto Alegre, 26 a 28 de agosto de 1998, os "papers" intitulados Formação do Profissional da Informação no Brasil - ultrapassando os anos noventa, de autoria de Francisco das Chagas de Souza e Literatura Assimilada e Literatura Produzida por Profissionais da Informação em Santa Catarina - caminhos entre a formação e a atuação, de autoria de Francisco das Chagas de Souza e Francisca Rasche.
4.4. NIPEEB
No que se refere ao objetivo quatro do projeto está implantada a Homepage do Núcleo de Informação, Pesquisa e Estudos em Educação Bibliotecária – NIPEEB, desde abril de 1999. Este Núcleo, implantado eletronicamente, no servidor do Centro de Ciências da Educação, oferece acesso via homepage do Curso de Biblioteconomia da UFSC, a partir da URL http://www.ced.ufsc.br/ bibliote/nipeeb.html.
As bases de dados PROCALBI, BSB e BES foram construídas com a
utilização do software NOTES, da Lotus, sob a orientação
de membro da equipe do Núcleo de Processamento de Dados da UFSC
e podem ser acessadas através da Internet no endereço do
NIPEEB, referido no parágrafo anterior. Contudo, pode-se afirmar
que o objetivo quatro está cumprido na medida em que se propunha
iniciar a implantação do Núcleo e ela está
iniciada.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste momento, em que uma das etapas da Pesquisa A Educação Bibliotecária na Região Sul do Brasil está sendo completada de modo pontual e situada no estado de Santa Catarina, podem ser destacados alguns aspectos. Porém, para não se perder de vista o fundamento sociológico da análise, é preciso revisar na Sociologia do Conhecimento que o tema em tratamento diz respeito à institucionalização de saber e prática profissional, o que provoca uma ação circular entre prática profissional, educação profissional e difusão do saber profissional, envolvendo praticantes, administradores da profissão e intelectuais da área de informação documentária, ou biblioteconomia e ciência da informação.
Sob esta perspectiva institucional, é pertinente considerar que uma síntese da literatura sobre o tema, para a área em estudo, afirma, a partir da realidade conhecida no Brasil, que:
Do que se resgatou dá para perceber a fraqueza das duas escolas, do início dos anos setenta até a metade dos anos noventa, quanto:
A pergunta é pertinente, e se for olhada a realidade da educação bibliotecária em Santa Catarina, a partir da perspectiva de Freidson e de Berger & Luckmann, pode-se perguntar que papel foi desempenhado pelos docentes de biblioteconomia e ciência da informação da UFSC e UDESC, no período de 1973 a 1993? A considerar a partir dos dados levantados, o papel que desempenharam não foi além da postura de espectador, copiador e reprodutor. Talvez isso não faça justiça àqueles que, como exceções, ocuparam-se de tentar quebrar o molde adotado pela maioria. No entanto, está-se olhando não as individualidades pessoais mas a instituição profissão bibliotecária em Santa Catarina. E desse ponto-de-vista esta instituição não conseguia mobilizar adequadamente seus intelectuais para o cumprimento de sua missão mais nobre. Assim, cabe perguntar, o que o subgrupo profissional intelectuais da biblioteconomia catarinense fizeram da missão acadêmica que a Sociologia das Profissões teoriza para os professores universitários, principalmente?
O que se vê, desde que olhando pela lógica das informações resgatadas, é que o ensino de biblioteconomia em Santa Catarina esteve em crise. Valendo a expressão de senso comum de que contra fatos não há argumentos, então como negar este fato, como negar aquela crise? Desse modo, pode-se concluir esta etapa do trabalho afirmando que, no período estudado, a qualidade do ensino de biblioteconomia em Santa Catarina deixou a desejar: foi reprodutivista, desestimulou a produção escrita, manteve-se com literatura desatualizada, não citou em taxas razoáveis – nos programas e planos de ensino – literatura estrangeira para o processo de formação e a própria produção dos professores não foi considerada útil para retroalimentar a bibliografia das disciplinas ministradas.
Para finalizar, não se pode descartar que os efeitos negativos mostrados ainda levarão alguns anos para serem superados pois, em grande parte, estão consolidados nas idéias profissionais dos bibliotecários formados em Santa Catarina sob a orientação dos programas e planos de ensino examinados. Como os programas e planos de ensino examinados alcançam o ano de 1993, é possível que os profissionais formados até 1997-1998 estejam sob sua influência. Assim, mais que uma crise na educação bibliotecária catarinense, há, como decorrência, uma crise na biblioteconomia catarinense.
* Parte destes objetivos vêm sendo estudados, em paralelo, através de duas bolsas cedidas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC – da UFSC para as estudantes Francisca Rasche e Anna P. Vilela, do Curso de Biblioteconomia da UFSC, sob a orientação do Prof. Francisco das Chagas de Souza, respectivamente, a partir de agosto e novembro de 1996 e continuaram através de uma Bolsa PIBIC, fornecida a Francisca Rasche para o período 1997/98 e já renovada para 1998/99. (voltar para texto)
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERGER, Peter, LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade; tratado de Sociologia do conhecimento. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 1985.
BONELLI, Maria da Glória. Origem social, trajetória de vida, influências intelectuais, carreira e contribuições sociológicas de Eliot Freidson. In: FREIDSON, Eliot. Renascimento do profissionalismo; teoria, profecia e política. São Paulo: Ed. USP, 1998. p. 11-29.
DIAS, Eduardo J. W., PITELLA, Monica C., PONTELLO, A. G. G. Literatura utilizada no ensino de graduação em biblioteconomia no Brasil: produtividade institucional. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 1, n.2, p. 157-176, jul./dez. 1996.
FREIDSON, Eliot. Renascimento do profissionalismo; teoria, profecia e política. São Paulo: Ed. USP, 1998.
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____. Repertório estatístico do Brasil; quadros retrospectivos (Separata do Anuário Estatístico do Brasil, ano 5, 1939-1940). Rio de Janeiro, 1986. (Séries Estatísticas Retrospectivas, 1)
____. Anuário estatístico do Brasil - 1991.
____. Anuário estatístico do Brasil - 1992.
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OHIRA, Maria L. B., MAIA, Maria H. B., SELL, Maria A. Produção científica em biblioteconomia no estado de Santa Catarina. Transinformaçào, Campinas, SP, v. 9, n. 3, p. 68-87, set./dez. 1997.
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