ISSN 1518-2924             n.9, junho 2000                 http://www.ced.ufsc.br/bibliote/encontro/
    Enc. Bibli: R. Bibliotecon. Ci.Inf., Florianópolis,  n.9, jun.2000
     
    O MODERNO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO: formação e perspectiva profissional
     
    Marta Lígia Pomim Valentim - valentim@uel.br
    Doutoranda em Ciência da Informação e Documentação
    da Universidade Estadual de Londrina
     
    Resumo:
    O profissional da informação, neste caso o bibliotecário, precisa mudar seus paradigmas. A sociedade da informação vem se consolidando no Brasil e exige um profissional com características, capacidades e habilidades modernas, no que diz respeito a sua atuação no mercado de trabalho. As perspectivas sócio-econômicas neste final de século em relação ao bibliotecário, são no mínimo interessantes, uma vez que a informação é insumo de trabalho de vários profissionais, bem como tem contribuído para o desenvolvimento das organizações e das nações.

    Palavras-Chave:
    Moderno Profissional da Informação – MIP – Mudança de Paradigma – Ciência da Informação –  Biblioteconomia – Formação Profissional

    Abstracts:
    The professional of information, in the present case the librarian, needs to change his/her paradigm. The society of information has been getting consolidated in Brazil and demands a professional with modern characteristics, capacities, and abilities concerning his/her role in the working market. Socio-economic perspectives in the of this century regarding the librarian are. At least, interesting, since information is the work input of drivers professionals and has contributed in the development of organizations and nations.

    Key-Words:
    Modern Information Professional – MIP – Paradigm Change - Information Science – Librarianship – Profesional Education
     

    1 INTRODUÇÃO

                A história dos registros do conhecimento, conhecida dos profissionais da informação, será inicialmente repassada, para a partir dos fatos acontecidos, estabelecer relações entre o passado e o futuro.
                O primeiro registro informacional que se tem notícia, uma pictografia Suméria, datada de 4.000 A.C.; a utilização do papiro, no Egito, em 3.500 A.C.; a grande Biblioteca de Alexandria de 323 A.C.; invenção do papel, em 105 D.C.;  primeira publicação em série, datada de 770 D.C.; invenção da imprensa por Gutenberg, em 1450 na Alemanha; a revolução industrial de 1750 a 1900, época em que várias invenções como a máquina de escrever, telefone, rádio, gramofone surgiram; a televisão em 1936, em Londres; a tecnologia aerospacial em 1940; a invenção do ENIAC – The Electronic Numerical Integrator and Calculator, primeiro computador, em 1946 nos Estados Unidos; a invenção dos transistores, em 1950, a invenção dos chips, circuitos integrados, em 1959, o surgimento da indústria da informação, em 1962 nos Estados Unidos; os microcomputadores na década de setenta; o surgimento da telefonia celular, na década de oitenta; a invenção dos CD-Rom’s, a partir de 1985; as redes de comunicação de dados, em nível comercial, como a Internet, iniciou-se nos anos sessenta através da ARPANET, mas se consolida realmente como rede mundial a partir de 1990.
                Inicialmente pode-se perceber que as mudanças acontecem em intervalos maiores, no entanto, a partir do advento da informática as mudanças acontecem com maior velocidade. Essa velocidade tem afetado a sociedade de maneira geral, provocando diferentes reações, tanto positivas quanto negativas – modificando desde o comportamento social até o comportamento profissional –, atingindo a segurança, o controle, e as perspectivas dos indivíduos em geral.
                A tecnologia de telecomunicação está imprimindo mais velocidade ainda às mudanças ocorridas desde a década de setenta, além disso, está promovendo o fenômeno da globalização, forçando uma mudança de paradigma. Tapscott afirma que “A tecnologia de informação está também penetrando em todos os demais setores de forma surpreendente (...) Com mercados e seus protagonistas constantemente mudando, a possibilidade de que as empresas possam estabelecer vantagem competitiva duradoura não existe mais” (1995, p.7).
                Para os profissionais da informação, o bibliotecário dentre eles, as mudanças estão afetando de maneira mais complexa, seus tradicionais modelos de trabalho, isto porque, o objeto de trabalho destes profissionais “é a informação (...) e seu knowhow e tecnologia própria são os processos ligados ao ciclo documentário ou informacional” (Tarapanoff, 1996, p.115). A informação, portanto, como objeto de trabalho e estudo do bibliotecário, tem sido afetada pelas tecnologias de informação, modificando seu formato, seu suporte, seu processamento e disseminação, influindo na forma de mediação entre o bibliotecário e o usuário/cliente.
                A globalização da economia promove a globalização de segmentos diversos, a indústria nacional já está sendo afetada diretamente com a abertura do mercado e a competitividade dos produtos estrangeiros em termos de custo e de qualidade. De outro lado está a regionalização dos mercados, por exemplo o Mercosul, fazendo com que as relações comerciais, científicas e tecnológicas sejam fomentadas.
                Segundo Muller “Estamos vivendo, certamente, num mundo de profundas e céleres mudanças paradigmáticas nos campos científico, tecnológico, político e social. E neste mutável mundo de hoje, em que tudo acontece com uma rapidez incrível, só resta mesmo uma saída, tanto para as organizações como para os indivíduos – ousar/mudar...” (1995, p.42).
                A sociedade da informação é diretamente proporcional aos investimentos de um determinado país em educação, ciência e tecnologia. Pode-se observar que o imperialismo econômico atual, ataca com armamento não tradicional – não está se falando aqui de armas tradicionais como bombas, ou ainda de armas modernas como agentes químicos ou biológicos –, isto é, armamento informacional. O poder das nações, ou das organizações, uma vez que o mundo globalizado é uma realidade, perpassa pela informação.
                O valor que a sociedade atribui à informação, também é diretamente proporcional ao seu desenvolvimento, quanto mais desenvolvido um país, maior é o nível de produção informacional, consequentemente maior é o valor que a sociedade daquele país outorga à informação. De outro lado, os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, produzem um menor número de informações e a sociedade não atribui valor à informação.
                O profissional da informação precisa estar em sintonia com esta realidade e se readequar para enfrentar as mudanças cada vez maiores. “A grande mudança na área de biblioteconomia é a mudança do paradigma do acervo para o paradigma da informação” (Valentim, 1995, p.4).
                A informação como objeto de estudo e de trabalho, é o ponto norteador para a atuação do profissional bibliotecário. É necessário que o ensino da biblioteconomia, tanto o de formação quanto o de atualização, imprima esse paradigma. Assumir este paradigma é fundamental, “...ser um profissional da informação é fundamental” (Marchiori, 1996, p.32).
                Segundo Müeller “o profissional que devemos ser é vivo e atuante. Como? Através do aprimoramento contínuo e afinado com a realidade” (1996, p.271). Esse aspecto dinâmico que o profissional da informação deve ter, como propõe Müeller, somente será possível a partir de uma postura crítica de si mesmo e uma busca constante pela atualização e adequação às mudanças paradigmáticas.
                Para incorporar essa postura o profissional da informação – o bibliotecário –, deve atuar consciente de seis pontos fundamentais e responder claramente para si e para outros sobre:

      1. Realidade: a) saber separar a situação real da situação ideal; b) conhecer os pontos fracos e fortes da área; c) ter noção de conjunto; e) ter consciência de país.
      2. Identidade: a) quem somos?; b) o que queremos?; c) qual é o nosso objeto de trabalho?; d) onde queremos chegar?; e) qual é a nossa estratégia profissional?
      3. Foco: a) quem são nossos clientes reais?; b) quem são nossos clientes potenciais?; c) quem são nossos parceiros?; d) quem são nossos concorrentes?; e) o que somos para a sociedade?; f) o que queremos ser para a sociedade?
      4. Processos: a) qual é a nossa matéria-prima de trabalho?; b) quais são os nossos produtos informacionais?; c) quais são os nossos serviços?; d) o que e como produzimos atualmente?; e) o que e como queremos produzir no futuro?
      5. Recursos: a) quais as tecnologias atuais e quais as tendências para as tecnologias de informação no próximo milênio?; b) quais as competências e habilidades necessárias ao profissional hoje e quais serão no futuro?; c) como é a unidade de trabalho hoje e como será no futuro?
      6. Perspectivas: a) quem seremos no futuro?; b) qual será o nosso objeto de trabalho no futuro?; c) qual será nosso mercado de trabalho no futuro?; d) o que a sociedade estará precisando no futuro?
                Segundo Santos, “Quais desses profissionais deseja-se idealizar e vislumbrar como moderno? A pergunta é respondida com facilidade: aqueles ligados ao setor da informação, no sentido de sua participação nos processos de geração, disseminação, recuperação, gerenciamento, conservação e utilização da informação, ou seja, bibliotecários e documentalistas. O que requer uma atenção especial é o perfil que esses profissionais devem possuir...” (1996, p.5).
     

    2 O MODERNO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO

                A ciência da informação – área do conhecimento relativamente nova, se comparada a outras áreas –, que se apoia na comunicação, na lingüística, na informática, na administração, na psicologia entre outras, vem se desenvolvendo e formando seu corpo teórico-metodológico. O moderno profissional da informação deve estar ciente desta interdisciplinaridade e perceber a importância disso para o entendimento da ciência da informação.
                Para Welch apud Moderno “moderno profissional é um termo amplo e dele se infere um ideal que todos deveríamos estar buscando, sejamos bibliotecários, arquivistas (...) ou gerentes da informação (...) modernos? É o que somos e que vamos ser. Informação é com o que lidamos. Profissional: esta é a palavra que junta tudo” (1998, p.5).
                As tecnologias de informação devem ser consideradas ferramentas básicas de trabalho, instrumental de trabalho para qualquer tipo de unidade de trabalho/informação, uma vez que o processamento, o gerenciamento e a recuperação e a disseminação da informação, através destas tecnologias, são mais eficientes e eficazes.
                Além disso, os cursos formadores devem disponibilizar todo e qualquer tipo de tecnologias ao seu corpo docente e discente, buscando um ensino-aprendizagem que permita ao profissional atuar no mercado de trabalho de forma segura e competente.
                O tratamento da informação deve contemplar novas metodologias de análise, processamento e disseminação da informação, buscando futuras realidades sociais. A informação é complexa necessitando de equipes multidisciplinares para desenvolver os processos de análise da informação. O profissional da informação deve apreender a trabalhar em equipe, buscando qualidade de resposta às pesquisas solicitadas pelos usuários/clientes.
                O tratamento da informação pressupõe uma “fabricação de informação documentária (...) e determina o acesso à informação estocada, tornando-se assim um filtro, ou mediador na busca da informação. Cabe, portanto, além da constatação de que políticas institucionais obviamente influem no processo, uma última digressão sobre a fabricação da informação documentária” (Smit,1998, p.9).
                O moderno profissional da informação, portanto, deve perceber claramente seu papel de processador e filtrador da informação e utilizá-lo de forma coerente e eficiente, voltado para o usuário/cliente.
                Novas mediações da informação entre o profissional da informação e o usuário devem ser estudadas e implementadas, assim como a disseminação da informação e seus canais de distribuição devem ser reestruturados. No caso específico da mediação da informação, as tecnologias de informação têm afetado e afetarão sobremaneira a forma e o meio de mediar. A Internet, por exemplo, modificou a forma e o meio quanto a busca da informação, conseqüentemente, modificou também a forma e o meio de mediar a informação.
                O moderno profissional da informação deve antever as mudanças nos canais de distribuição de informação e é necessário que ele esteja preparado para esses novos canais de distribuição da informação. A partir desta percepção, modifica-se a forma e o meio de mediar, adequando-se e desenvolvendo modelos eficazes para atender as novas realidades.
                Segundo Guimarães (1997, p.130), “à atuação do MIP, precede necessariamente a sua formação, seja no âmbito da educação formal (em nível de graduação e de pós-graduação), seja em nível de educação continuada (cursos de atualização e eventos)”.
                A atualização contínua do profissional da informação – assim como para qualquer outro profissional que queira ser competente e dinâmico –, é fundamental. No entanto, a formação básica é absolutamente fundamental, na medida em que o indivíduo apreende a relacionar a teoria e a praxis antes de atuar no mercado de trabalho. Além disso, algumas características são fundamentais no profissional da informação e nem sempre são apreendidas durante a sua formação ou atualização como focar o objetivo da unidade de trabalho/informação na organização em que estiver atuando, bem como ter visão estratégica e estar antenado às mudanças.
     

    3 PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS

                A economia globalizada, a sociedade globalizada, a entrada no novo século, afinal, quais são as perspectivas profissionais para o moderno profissional da informação?
    Identificando de uma forma sistematizada o mercado de trabalho do profissional bibliotecário, verifica-se que é possível dividi-lo em três grandes grupos: a) mercado informacional tradicional; b) mercado informacional existente não ocupado; c) mercado informacional - tendências.
                O mercado informacional tradicional é composto por segmentos bastante conhecidos dos profissionais e, geralmente, são os únicos lembrados pela sociedade e às vezes pelo próprio profissional bibliotecário.
                Inicialmente as bibliotecas públicas: mercado consolidado, com uma grande concentração de profissionais, mas infelizmente, a atuação da biblioteca pública brasileira tem sido distorcida, uma vez que sua atuação está mais para uma biblioteca escolar do que propriamente para uma biblioteca pública. Esta distorção acontece, devido a problemas estruturais do país, como a falta de apoio a educação e a cultura. No entanto, apesar de ser um problema grave e afetar sobremaneira a biblioteca pública, não será objeto de reflexão neste momento.
                Com relação as bibliotecas escolares, poucas vêm atuando no país, pelo mesmo motivo estrutural anteriormente citado. Neste caso, existe um imenso mercado de trabalho que se de fato fosse atuante, não haveria profissionais suficientes para atender a demanda nacional.
                As bibliotecas universitárias, também um mercado consolidado com grande concentração de profissionais, têm atuado de forma coerente aos seus objetivos. No entanto, a biblioteca universitária brasileira sofre dos males orçamentários de suas instituições, ou seja, atuam de acordo com os recursos repassados pela administração das universidades. Isto significa altos e baixos, dependendo da prioridade e consequentemente dos recursos que a alta administração da instituição a qual pertence designa a ela ou ainda, das políticas governamentais, nos diferentes níveis, isto é, municipal, estadual ou federal definem para suas universidades.
                As bibliotecas especializadas são aqui entendidas como bibliotecas pertencentes a institutos de pesquisa e a empresas privadas. Neste caso, os grandes centros urbanos são os grandes empregadores, já que no caso das empresas privadas, na sua maioria, estão concentradas em regiões metropolitanas. É um mercado consolidado, no entanto tem pequena concentração de profissionais, pois a maioria das empresas privadas, contratam poucos profissionais para atender suas demandas informacionais, a média de profissionais encontrados em empresas privadas é de três profissionais da informação.
                Finalizando o primeiro segmento, os centros culturais, um mix de biblioteca pública com modernidade, que têm uma proposta diferente da biblioteca pública tradicional. Neste caso, também os grandes centros urbanos são os grandes empregadores e existe uma grande concentração de profissionais, já que a demanda informacional da população em relação a este tipo de aparelho cultural é grande.
                Os arquivos, neste caso os públicos, também fazem parte deste primeiro segmento. Geralmente possuem eles bibliotecas em sua estrutura. Os museus de forma geral, também possuem bibliotecas em sua estrutura. Ambos são mercados que concentram pequeno número de profissionais bibliotecários e na grande maioria estão localizados em grandes centros urbanos.
                Os mercados informacionais existentes e não ocupados, segundo segmento identificado, têm na biblioteca escolar o seu primeiro exemplo, ou seja, apesar de ser tradicional, apesar do país ter  muitas bibliotecas escolares, verifica-se que é um mercado de trabalho não ocupado.
                Editoras e livrarias são mercados existentes e verifica-se poucos profissionais atuantes neste nicho de mercado. Neste caso, o profissional bibliotecário pode e deve atuar, no tocante às editoras, na normalização das publicações literárias e científicas. Nas livrarias, no desenvolvimento de coleções para o público – aquisição e seleção –, bem como na organização e recuperação dessas coleções pelo público.
                As empresas privadas, independentemente de possuir uma biblioteca ou um centro de informação/documentação, podem utilizar a mão de obra de profissionais bibliotecários, como o setor de informática/microinformática da empresa, uma vez que este setor gera farta documentação de sistemas e necessita gerenciar, processar e recuperar as informações. Outro setor em empresas privadas que necessita de um profissional bibliotecário é a área de planejamento estratégico, aqui o profissional da informação terá a função básica de buscar informação relevante para a organização, disseminado-a para setores chave da empresa, utilizando-se das tecnologias de informação para distribuí-la.
                Os provedores Internet, outro nicho de mercado não ocupado. Atualmente, um grande mercado para os profissionais da informação, porque necessitam organizar, processar e disseminar as informações contidas em seus sites, bem como precisam disponibilizar mecanismos de busca eficientes para os usuários do sistema.
                Bancos de dados continuam sendo um grande mercado de atuação para o profissional bibliotecário brasileiro. No entanto, no Brasil, é necessário despertar a iniciativa privada para investir neste segmento econômico, já que a maioria dos bancos de dados é ainda ligado a iniciativa pública, o que dificulta enormemente o crescimento da indústria da informação no país.
                Tanto no caso dos provedores Internet – quer sejam portais de conteúdo ou portais de acesso –, quanto no caso dos bancos de dados, o profissional bibliotecário, na sua maioria, desconhece esse mercado. Não sabe como pode atuar e, principalmente, tem medo de ser ele próprio o dono desse negócio.
                Nestes últimos anos verifica-se um crescimento na atuação do profissional bibliotecário, como consultor, assessor, profissional autônomo, ou mesmo terceirizado. No entanto, sabe-se que é uma minoria. Neste mercado livre é necessário um profissional bibliotecário mais empreendedor, mais ousado.
                Para o terceiro milênio o profissional da informação deverá ser mais observador, empreendedor, atuante, flexível, dinâmico, ousado, integrador, proativo e principalmente mais voltado para o futuro. A formação, portanto, deve estar voltada para a obtenção de um profissional que atenda essas características.
                Os setores ligados a informação estão sendo afetados pelas mudanças. A tecnologia e a telecomunicação, contribuem sobremaneira para um panorama mutante e dinâmico, conforme quadro a seguir:
    QUADRO 1 
    INDÚSTRIA DA 
    INFORMAÇÃO
    PASSADO
    ATUAL
    FUTURO
    TV Retransmissores Locais Cabo/Satélite Satélite
    Programas Locais  Programação Mundial Programação Selecionada
    Jornais Editoração Manual Editoração Eletrônica / Digital Editoração Digital
    Impressão Off-Set Impressão Eletrônica /  
    Digital
    Impressão Digital 
    Distribuição Local Distribuição Local e em Bancos de Dados Distribuição Local e em Redes de Comunicação (Internet)
    Editoras Editoração Manual Editoração Eletrônica /  
    Digital
    Editoração Digital
    Impressão Off-Set Impressão Eletrônica / Digital Impressão Digital
    Vendas Locais Através de Livrarias e Distribuidoras Vendas Locais e em Redes de Comunicação (Internet) Vendas Locais e em Redes de Comunicação (Internet)
    Arquivos Armazenagem do Papel em Arquivos de Aço e em Pastas A/Z ou Suspensas Armazenagem em Arquivos de Aço e Utilização do Microfilme Armazenagem em Arquivos de Aço e Utilização da Tecnologia Óptica (Digitalização de Imagem)
    Recuperação e Disseminação local através de catálogos impressos Recuperação e Disseminação local (Institucional) e através de Sistemas de Informação e Redes de Comunicação Recuperação e Disseminação local; Acesso Domiciliar à Sistemas Eletrônicos / Digitais Próprios  e Externos; Redes de Comunicação (Internet)
    Museus Acesso Local ao Acervo Acesso Local (Institucional) e através de Sistemas de Informação e Redes de Comunicação Próprios e Externos Acesso Domiciliar à Sistemas Eletrônicos / Digitais Próprios  e Externos; Redes de Comunicação (Internet)
     
     
                No caso da biblioteca, as novas tecnologias e a telecomunicação também afetam as formas, os meios e os fins do gerenciamento, processamento e disseminação de informações, exigindo reposicionamentos contínuos dos profissionais envolvidos nestes trabalhos.
                Além disso, o próprio usuário/cliente exige o reposiocionamento e quando não acontece, a biblioteca será sub-utilizada, bem como não será reconhecida como o local adequado para buscar informações.
                É possível  visualizar algumas mudanças que afetaram, afetam e poderão afetar a biblioteca, conforme quadro a seguir:
     
     
    QUADRO 2 
    BIBLIOTECA 
    PASSADO
    ATUAL
    FUTURO
    Acesso Local ao Acervo (Instituição) através de catálogos Acesso Local ao Acervo através de catálogos e bases de dados próprias em formatos eletrônicos (Intranet e Internet) e ópticos (Cd-Rom) Acesso ao Acervo através de Sistemas Eletrônicos / Digitais Próprios (Intranet) e Externos (Internet)
    Suporte Físico voltado para o Papel Suportes Físicos diversos, bem como Eletrônicos e Digitais Suportes Físicos diversos, bem como Eletrônicos e Digitais
    Conteúdos Integrais em Suporte Papel e Multimeios Conteúdos Integrais em Suporte Papel, Multimeios, Conteúdos Referencias e Integrais em Suportes Eletrônicos e Digitais Conteúdos Integrais em Suportes Eletrônicos e Digitais
    Linguagem Codificada  
    Através de Códigos de Classificação
    Linguagem Documentária através de Tesauros e Terminologias Linguagem Natural através de Sistemas Especialistas e Inteligência Artificial
    Administração Centrada no Processamento Técnico Administração Centrada no Planejamento e Usuário Administração Centrada em Produtos e Serviços para o Cliente
    Grande Espaço para Consultas/Pesquisa por parte do Usuário Espaço Planejado entre a administração, o atendimento e o usuário Espaço Quase Inexistente, Acesso e Pesquisa Elaborada pelo Cliente Remotamente
    Serviços e Produtos Gratuitos Serviços e Produtos Gratuitos e Pagos, Dependendo do Tipo Serviços e Produtos Pagos 
    Altos Gastos com Aquisição de Material Informacional Gastos com Aquisição de Material de Forma Planejada e Dirigida Gastos Dirigidos Repassados ao Cliente 
     
     
                Para isso, o profissional deve estar capacitado a: a) Entender como objeto de trabalho, a informação de maneira ampla; b) Trabalhar de forma globalizada e regionalizada, ou seja, pensar globalmente e agir localmente; c) Conhecer e utilizar as tecnologias de informação; d) Trazer para o cotidiano de trabalho as técnicas administrativas modernas como a administração por projetos; e) Criar e planejar produtos e serviços informacionais visando o cliente; f) Planejar sistema de custos para cobrança dos serviços e produtos informacionais com valor agregado; g) Trabalhar de forma integrada, relacionando formatos eletrônicos e digitais à telecomunicação, possibilitando o acesso local e remoto; h) Reestruturar a estrutura organizacional da unidade de informação de forma a contemplar o cliente; i) Disponibilizar sistemas que possibilitem a avaliação contínua e sua melhoria; j) Estudar sistemas especialistas e inteligência artificial, de forma que estas ferramentas ajudem nos processos repetitivos da unidade de informação.
                Nas instituições privadas o profissional da informação tem papel fundamental para o desenvolvimento da organização, bem como para sua competitividade, a informação passa a ser estratégica.
                O profissional pode e deve trabalhar a informação como apoio à decisão, ou seja, contribuir para a tomada de decisão; como fator de produção, isto é, quanto maior for o valor agregado em um produto ou serviço, maior será a necessidade de informação nas etapas de concepção e produção; como insumo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D), ou seja, o processo de P&D deve ser apoiado integralmente por informações durante sua trajetória; como fator de gestão, ou seja, contribuindo para multiplicar a sinergia entre os indivíduos da organização. Segundo Tarapanoff  “a informação é um recurso sinergético: quanto mais a temos, mais a usamos e mais útil se torna. O setor industrial tem aproveitado essa característica...” (1996, p.124).
                Para isso o profissional da informação deve estar consciente de que: a) As principais decisões estratégicas são tomadas com base em informações; b) Todo produto ou serviço tem dois componentes: uma física e outra informacional; c) O comportamento dos indivíduos são influenciáveis através de informações.
                Para atuar no terceiro milênio com qualidade o profissional deve ter as seguintes questões definidas: a) Remodelagem da unidade/sistema de informação, buscando uma interação profunda entre os atores deste cenário; b) Capacitação dos profissionais de informação, buscando o conhecimento necessário para atuar neste cenário; c) Vocação definida voltada para serviços informacionais, buscando o encantamento do cliente; d) Visualização da unidade/sistema de informação de forma crítica, buscando a melhoria contínua.
                Trabalhando a partir destes indicadores qualquer profissional da informação estará apto a atuar no novo paradigma da informação. No entanto, é necessário expressar a importância da formação, bem como da atualização contínua do profissional, para que ele seja e esteja no novo paradigma da informação.
     

    4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Moderno profissional da informação: elementos para sua formação no Brasil. Transinformação, Campinas, v.9, n.1, p.124-137, jan./abr. 1997.
    MARCHIORI, Patrícia. Que profissional queremos formar para o século XXI – graduação. Informação&Informação, Londrina, v.1, n.1, p.27-34, jan./jun. 1996.
    MODERNO profissional da informação: o perfil almejado pelos cursos de biblioteconomia brasileiros. Porto Alegre : ABEBD, 1998. 109p. (Documentos ABEBD, n.13)
    MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. Formação profissional e educação continuada – que profissional devemos ser? IN: Simpósio Brasil-Sul de Informação, Londrina, 27 a 30 de maio de 1996. Anais... Londrina : Editora UEL, 1996. p.253-272
    MULLER, Mary Stela. Mudar é preciso. Informação&Informação, Londrina, v.0, n.0, p.42-46, jul./dez. 1995.
    SANTOS, Jussara Pereira. O moderno profissional da informação: o bibliotecário e seu perfil face aos novos tempos. Informação&Informação, Londrina, v.1, n.1, p.5-13, jan./jun. 1996.
    SMIT, Johanna W. A disponibilização da informação institucionalizada: condicionantes e perspectivas. Cadernos FUNDAP, 1998. 11p. (prelo)
    TAPSCOTT, Don, CASTON, Art. Mudança de paradigma: a nova promessa da tecnologia de informação. São Paulo : Makron Books, 1995. 433p.
    TARAPANOFF, Kira. O profissional da informação pensando estrategicamente. IN: Simpósio Brasil-Sul de Informação, Londrina, 27 a 30 de maio de 1996. Anais... Londrina : Editora UEL, 1996. p.115-141
    VALENTIM, M. L. P. Assumindo um novo paradigma na biblioteconomia. Informação&Informação, Londrina, v.0, n.0, p.2-6, jul./dez. 1995.
     
     
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