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Palavras-Chave:
Moderno Profissional da Informação – MIP – Mudança
de Paradigma – Ciência da Informação – Biblioteconomia
– Formação Profissional
Abstracts:
The professional of information, in the present case the librarian,
needs to change his/her paradigm. The society of information has been getting
consolidated in Brazil and demands a professional with modern characteristics,
capacities, and abilities concerning his/her role in the working market.
Socio-economic perspectives in the of this century regarding the librarian
are. At least, interesting, since information is the work input of drivers
professionals and has contributed in the development of organizations and
nations.
Key-Words:
Modern Information Professional – MIP – Paradigm Change - Information
Science – Librarianship – Profesional Education
1 INTRODUÇÃO
A
história dos registros do conhecimento, conhecida dos profissionais
da informação, será inicialmente repassada, para a
partir dos fatos acontecidos, estabelecer relações entre
o passado e o futuro.
O primeiro registro informacional que se tem notícia, uma pictografia
Suméria, datada de 4.000 A.C.; a utilização do papiro,
no Egito, em 3.500 A.C.; a grande Biblioteca de Alexandria de 323 A.C.;
invenção do papel, em 105 D.C.; primeira publicação
em série, datada de 770 D.C.; invenção da imprensa
por Gutenberg, em 1450 na Alemanha; a revolução industrial
de 1750 a 1900, época em que várias invenções
como a máquina de escrever, telefone, rádio, gramofone surgiram;
a televisão em 1936, em Londres; a tecnologia aerospacial em 1940;
a invenção do ENIAC – The Electronic Numerical Integrator
and Calculator, primeiro computador, em 1946 nos Estados Unidos; a invenção
dos transistores, em 1950, a invenção dos chips, circuitos
integrados, em 1959, o surgimento da indústria da informação,
em 1962 nos Estados Unidos; os microcomputadores na década de setenta;
o surgimento da telefonia celular, na década de oitenta; a invenção
dos CD-Rom’s, a partir de 1985; as redes de comunicação de
dados, em nível comercial, como a Internet, iniciou-se nos anos
sessenta através da ARPANET, mas se consolida realmente como rede
mundial a partir de 1990.
Inicialmente pode-se perceber que as mudanças acontecem em intervalos
maiores, no entanto, a partir do advento da informática as mudanças
acontecem com maior velocidade. Essa velocidade tem afetado a sociedade
de maneira geral, provocando diferentes reações, tanto positivas
quanto negativas – modificando desde o comportamento social até
o comportamento profissional –, atingindo a segurança, o controle,
e as perspectivas dos indivíduos em geral.
A tecnologia de telecomunicação está imprimindo mais
velocidade ainda às mudanças ocorridas desde a década
de setenta, além disso, está promovendo o fenômeno
da globalização, forçando uma mudança de paradigma.
Tapscott afirma que “A tecnologia de informação está
também penetrando em todos os demais setores de forma surpreendente
(...) Com mercados e seus protagonistas constantemente mudando, a possibilidade
de que as empresas possam estabelecer vantagem competitiva duradoura não
existe mais” (1995, p.7).
Para os profissionais da informação, o bibliotecário
dentre eles, as mudanças estão afetando de maneira mais complexa,
seus tradicionais modelos de trabalho, isto porque, o objeto de trabalho
destes profissionais “é a informação (...) e seu knowhow
e tecnologia própria são os processos ligados ao ciclo documentário
ou informacional” (Tarapanoff, 1996, p.115). A informação,
portanto, como objeto de trabalho e estudo do bibliotecário, tem
sido afetada pelas tecnologias de informação, modificando
seu formato, seu suporte, seu processamento e disseminação,
influindo na forma de mediação entre o bibliotecário
e o usuário/cliente.
A globalização da economia promove a globalização
de segmentos diversos, a indústria nacional já está
sendo afetada diretamente com a abertura do mercado e a competitividade
dos produtos estrangeiros em termos de custo e de qualidade. De outro lado
está a regionalização dos mercados, por exemplo o
Mercosul, fazendo com que as relações comerciais, científicas
e tecnológicas sejam fomentadas.
Segundo Muller “Estamos vivendo, certamente, num mundo de profundas e céleres
mudanças paradigmáticas nos campos científico, tecnológico,
político e social. E neste mutável mundo de hoje, em que
tudo acontece com uma rapidez incrível, só resta mesmo uma
saída, tanto para as organizações como para os indivíduos
– ousar/mudar...” (1995, p.42).
A sociedade da informação é diretamente proporcional
aos investimentos de um determinado país em educação,
ciência e tecnologia. Pode-se observar que o imperialismo econômico
atual, ataca com armamento não tradicional – não está
se falando aqui de armas tradicionais como bombas, ou ainda de armas modernas
como agentes químicos ou biológicos –, isto é, armamento
informacional. O poder das nações, ou das organizações,
uma vez que o mundo globalizado é uma realidade, perpassa pela informação.
O valor que a sociedade atribui à informação, também
é diretamente proporcional ao seu desenvolvimento, quanto mais desenvolvido
um país, maior é o nível de produção
informacional, consequentemente maior é o valor que a sociedade
daquele país outorga à informação. De outro
lado, os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, produzem
um menor número de informações e a sociedade não
atribui valor à informação.
O profissional da informação precisa estar em sintonia com
esta realidade e se readequar para enfrentar as mudanças cada vez
maiores. “A grande mudança na área de biblioteconomia é
a mudança do paradigma do acervo para o paradigma da informação”
(Valentim, 1995, p.4).
A informação como objeto de estudo e de trabalho, é
o ponto norteador para a atuação do profissional bibliotecário.
É necessário que o ensino da biblioteconomia, tanto o de
formação quanto o de atualização, imprima esse
paradigma. Assumir este paradigma é fundamental, “...ser um profissional
da informação é fundamental” (Marchiori, 1996, p.32).
Segundo Müeller “o profissional que devemos ser é vivo e atuante.
Como? Através do aprimoramento contínuo e afinado com a realidade”
(1996, p.271). Esse aspecto dinâmico que o profissional da informação
deve ter, como propõe Müeller, somente será possível
a partir de uma postura crítica de si mesmo e uma busca constante
pela atualização e adequação às mudanças
paradigmáticas.
Para incorporar essa postura o profissional da informação
– o bibliotecário –, deve atuar consciente de seis pontos fundamentais
e responder claramente para si e para outros sobre:
2 O MODERNO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
A
ciência da informação – área do conhecimento
relativamente nova, se comparada a outras áreas –, que se apoia
na comunicação, na lingüística, na informática,
na administração, na psicologia entre outras, vem se desenvolvendo
e formando seu corpo teórico-metodológico. O moderno profissional
da informação deve estar ciente desta interdisciplinaridade
e perceber a importância disso para o entendimento da ciência
da informação.
Para Welch apud Moderno “moderno profissional é um termo amplo e
dele se infere um ideal que todos deveríamos estar buscando, sejamos
bibliotecários, arquivistas (...) ou gerentes da informação
(...) modernos? É o que somos e que vamos ser. Informação
é com o que lidamos. Profissional: esta é a palavra que junta
tudo” (1998, p.5).
As tecnologias de informação devem ser consideradas ferramentas
básicas de trabalho, instrumental de trabalho para qualquer tipo
de unidade de trabalho/informação, uma vez que o processamento,
o gerenciamento e a recuperação e a disseminação
da informação, através destas tecnologias, são
mais eficientes e eficazes.
Além disso, os cursos formadores devem disponibilizar todo e qualquer
tipo de tecnologias ao seu corpo docente e discente, buscando um ensino-aprendizagem
que permita ao profissional atuar no mercado de trabalho de forma segura
e competente.
O tratamento da informação deve contemplar novas metodologias
de análise, processamento e disseminação da informação,
buscando futuras realidades sociais. A informação é
complexa necessitando de equipes multidisciplinares para desenvolver os
processos de análise da informação. O profissional
da informação deve apreender a trabalhar em equipe, buscando
qualidade de resposta às pesquisas solicitadas pelos usuários/clientes.
O tratamento da informação pressupõe uma “fabricação
de informação documentária (...) e determina o acesso
à informação estocada, tornando-se assim um filtro,
ou mediador na busca da informação. Cabe, portanto, além
da constatação de que políticas institucionais obviamente
influem no processo, uma última digressão sobre a fabricação
da informação documentária” (Smit,1998, p.9).
O moderno profissional da informação, portanto, deve perceber
claramente seu papel de processador e filtrador da informação
e utilizá-lo de forma coerente e eficiente, voltado para o usuário/cliente.
Novas mediações da informação entre o profissional
da informação e o usuário devem ser estudadas e implementadas,
assim como a disseminação da informação e seus
canais de distribuição devem ser reestruturados. No caso
específico da mediação da informação,
as tecnologias de informação têm afetado e afetarão
sobremaneira a forma e o meio de mediar. A Internet, por exemplo, modificou
a forma e o meio quanto a busca da informação, conseqüentemente,
modificou também a forma e o meio de mediar a informação.
O moderno profissional da informação deve antever as mudanças
nos canais de distribuição de informação e
é necessário que ele esteja preparado para esses novos canais
de distribuição da informação. A partir desta
percepção, modifica-se a forma e o meio de mediar, adequando-se
e desenvolvendo modelos eficazes para atender as novas realidades.
Segundo Guimarães (1997, p.130), “à atuação
do MIP, precede necessariamente a sua formação, seja no âmbito
da educação formal (em nível de graduação
e de pós-graduação), seja em nível de educação
continuada (cursos de atualização e eventos)”.
A atualização contínua do profissional da informação
– assim como para qualquer outro profissional que queira ser competente
e dinâmico –, é fundamental. No entanto, a formação
básica é absolutamente fundamental, na medida em que o indivíduo
apreende a relacionar a teoria e a praxis antes de atuar no mercado de
trabalho. Além disso, algumas características são
fundamentais no profissional da informação e nem sempre são
apreendidas durante a sua formação ou atualização
como focar o objetivo da unidade de trabalho/informação na
organização em que estiver atuando, bem como ter visão
estratégica e estar antenado às mudanças.
3 PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS
A
economia globalizada, a sociedade globalizada, a entrada no novo século,
afinal, quais são as perspectivas profissionais para o moderno profissional
da informação?
Identificando de uma forma sistematizada o mercado de trabalho do profissional
bibliotecário, verifica-se que é possível dividi-lo
em três grandes grupos: a) mercado informacional tradicional; b)
mercado informacional existente não ocupado; c) mercado informacional
- tendências.
O mercado informacional tradicional é composto por segmentos bastante
conhecidos dos profissionais e, geralmente, são os únicos
lembrados pela sociedade e às vezes pelo próprio profissional
bibliotecário.
Inicialmente as bibliotecas públicas: mercado consolidado, com uma
grande concentração de profissionais, mas infelizmente, a
atuação da biblioteca pública brasileira tem sido
distorcida, uma vez que sua atuação está mais para
uma biblioteca escolar do que propriamente para uma biblioteca pública.
Esta distorção acontece, devido a problemas estruturais do
país, como a falta de apoio a educação e a cultura.
No entanto, apesar de ser um problema grave e afetar sobremaneira a biblioteca
pública, não será objeto de reflexão neste
momento.
Com relação as bibliotecas escolares, poucas vêm atuando
no país, pelo mesmo motivo estrutural anteriormente citado. Neste
caso, existe um imenso mercado de trabalho que se de fato fosse atuante,
não haveria profissionais suficientes para atender a demanda nacional.
As bibliotecas universitárias, também um mercado consolidado
com grande concentração de profissionais, têm atuado
de forma coerente aos seus objetivos. No entanto, a biblioteca universitária
brasileira sofre dos males orçamentários de suas instituições,
ou seja, atuam de acordo com os recursos repassados pela administração
das universidades. Isto significa altos e baixos, dependendo da prioridade
e consequentemente dos recursos que a alta administração
da instituição a qual pertence designa a ela ou ainda, das
políticas governamentais, nos diferentes níveis, isto é,
municipal, estadual ou federal definem para suas universidades.
As bibliotecas especializadas são aqui entendidas como bibliotecas
pertencentes a institutos de pesquisa e a empresas privadas. Neste caso,
os grandes centros urbanos são os grandes empregadores, já
que no caso das empresas privadas, na sua maioria, estão concentradas
em regiões metropolitanas. É um mercado consolidado, no entanto
tem pequena concentração de profissionais, pois a maioria
das empresas privadas, contratam poucos profissionais para atender suas
demandas informacionais, a média de profissionais encontrados em
empresas privadas é de três profissionais da informação.
Finalizando o primeiro segmento, os centros culturais, um mix de biblioteca
pública com modernidade, que têm uma proposta diferente da
biblioteca pública tradicional. Neste caso, também os grandes
centros urbanos são os grandes empregadores e existe uma grande
concentração de profissionais, já que a demanda informacional
da população em relação a este tipo de aparelho
cultural é grande.
Os arquivos, neste caso os públicos, também fazem parte deste
primeiro segmento. Geralmente possuem eles bibliotecas em sua estrutura.
Os museus de forma geral, também possuem bibliotecas em sua estrutura.
Ambos são mercados que concentram pequeno número de profissionais
bibliotecários e na grande maioria estão localizados em grandes
centros urbanos.
Os mercados informacionais existentes e não ocupados, segundo segmento
identificado, têm na biblioteca escolar o seu primeiro exemplo, ou
seja, apesar de ser tradicional, apesar do país ter muitas
bibliotecas escolares, verifica-se que é um mercado de trabalho
não ocupado.
Editoras e livrarias são mercados existentes e verifica-se poucos
profissionais atuantes neste nicho de mercado. Neste caso, o profissional
bibliotecário pode e deve atuar, no tocante às editoras,
na normalização das publicações literárias
e científicas. Nas livrarias, no desenvolvimento de coleções
para o público – aquisição e seleção
–, bem como na organização e recuperação dessas
coleções pelo público.
As empresas privadas, independentemente de possuir uma biblioteca ou um
centro de informação/documentação, podem utilizar
a mão de obra de profissionais bibliotecários, como o setor
de informática/microinformática da empresa, uma vez que este
setor gera farta documentação de sistemas e necessita gerenciar,
processar e recuperar as informações. Outro setor em empresas
privadas que necessita de um profissional bibliotecário é
a área de planejamento estratégico, aqui o profissional da
informação terá a função básica
de buscar informação relevante para a organização,
disseminado-a para setores chave da empresa, utilizando-se das tecnologias
de informação para distribuí-la.
Os provedores Internet, outro nicho de mercado não ocupado. Atualmente,
um grande mercado para os profissionais da informação, porque
necessitam organizar, processar e disseminar as informações
contidas em seus sites, bem como precisam disponibilizar mecanismos de
busca eficientes para os usuários do sistema.
Bancos de dados continuam sendo um grande mercado de atuação
para o profissional bibliotecário brasileiro. No entanto, no Brasil,
é necessário despertar a iniciativa privada para investir
neste segmento econômico, já que a maioria dos bancos de dados
é ainda ligado a iniciativa pública, o que dificulta enormemente
o crescimento da indústria da informação no país.
Tanto no caso dos provedores Internet – quer sejam portais de conteúdo
ou portais de acesso –, quanto no caso dos bancos de dados, o profissional
bibliotecário, na sua maioria, desconhece esse mercado. Não
sabe como pode atuar e, principalmente, tem medo de ser ele próprio
o dono desse negócio.
Nestes últimos anos verifica-se um crescimento na atuação
do profissional bibliotecário, como consultor, assessor, profissional
autônomo, ou mesmo terceirizado. No entanto, sabe-se que é
uma minoria. Neste mercado livre é necessário um profissional
bibliotecário mais empreendedor, mais ousado.
Para o terceiro milênio o profissional da informação
deverá ser mais observador, empreendedor, atuante, flexível,
dinâmico, ousado, integrador, proativo e principalmente mais voltado
para o futuro. A formação, portanto, deve estar voltada para
a obtenção de um profissional que atenda essas características.
Os setores ligados a informação estão sendo afetados
pelas mudanças. A tecnologia e a telecomunicação,
contribuem sobremaneira para um panorama mutante e dinâmico, conforme
quadro a seguir:
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4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Moderno profissional da
informação: elementos para sua formação no
Brasil. Transinformação, Campinas, v.9, n.1, p.124-137,
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Londrina, v.1, n.1, p.27-34, jan./jun. 1996.
MODERNO profissional da informação: o perfil almejado
pelos cursos de biblioteconomia brasileiros. Porto Alegre : ABEBD,
1998. 109p. (Documentos ABEBD, n.13)
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. Formação profissional
e educação continuada – que profissional devemos ser? IN:
Simpósio Brasil-Sul de Informação, Londrina, 27 a
30 de maio de 1996. Anais... Londrina : Editora UEL, 1996. p.253-272
MULLER, Mary Stela. Mudar é preciso. Informação&Informação,
Londrina, v.0, n.0, p.42-46, jul./dez. 1995.
SANTOS, Jussara Pereira. O moderno profissional da informação:
o bibliotecário e seu perfil face aos novos tempos. Informação&Informação,
Londrina, v.1, n.1, p.5-13, jan./jun. 1996.
SMIT, Johanna W. A disponibilização da informação
institucionalizada: condicionantes e perspectivas. Cadernos FUNDAP,
1998. 11p. (prelo)
TAPSCOTT, Don, CASTON, Art. Mudança de paradigma: a nova
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TARAPANOFF, Kira. O profissional da informação pensando
estrategicamente. IN: Simpósio Brasil-Sul de Informação,
Londrina, 27 a 30 de maio de 1996. Anais... Londrina : Editora UEL,
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VALENTIM, M. L. P. Assumindo um novo paradigma na biblioteconomia.
Informação&Informação, Londrina,
v.0, n.0, p.2-6, jul./dez. 1995.
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