Extração do Látex

 

Para extrair o látex, são feitas incisões na casca ou retiram-se camadas  bem finas (sangria). A sangria consiste na remoção de um pequeno volume de casca, em um corte inclinado que permite o escoamento da seiva, líquido denso e viscoso, colhido em pequenas canecas afixadas na extremidade inferior do corte, que endurece lentamente, em contato com o ar. Após 3 ou 4 horas da sangria, o látex é retirado das canecas e acondicionado, onde pode-se adicionar amônia, numa proporção de 0,05% como estabilizador, evitando a coagulação precoce. Antes de iniciar uma sangria é importante estabelecer-se diversos critérios, que irão determinar a vida útil do seringal e sua produtividade.

 

Depois da coleta do látex, as árvores continuam a exudar látex em quantidades menores, por várias horas, esse látex acaba por coagular-se espontaneamente sobre o corte na casca.  Na próxima sangria essa película será retirada e em seguida será feita uma nova incisão. As películas retiradas das diversas árvores podem ser misturadas com as borrachas em processamento. A quantidade de borracha obtida nesse processo constitui entre 15 a 20% do total da produção.

 

O líquido, o látex,  contém em suspensão um hidrocarboneto de elevado peso molecular. Por aquecimento e adição de ácido acético coagula formando uma massa gomosa que, depois de separada da água e outros produtos, denomina-se “borracha bruta”. A borracha assim obtida é deformável como gesso e deverá ser processada para adquirir os requisitos necessários para ser utilizada em  suas inúmeras aplicações. 

 

Ela é introduzida em máquinas especiais que funcionam mais ou menos como moedoras de carne, chamadas mastigadoras: servem para misturá-la e empastá-la, libertando-a do líquido e das impurezas. A este ponto os indígenas costumam defumá-la, quando em estado bruto, obtendo, assim, um produto bastante elástico e impermeável, mas grudento e, por isso, não prático para trabalhá-lo.

 

Na indústria moderna, ao invés, segue-se uma fase importante, a da mistura, isto é, à borracha são ajuntadas substâncias especiais, capazes de torná-la dura e elástica. para tal fim, emprega-se enxofre ou seus compostos; juntam-se, ainda, corantes e outras substâncias químicas, capazes de orientar a reação. A borracha, agora, está pronta para ser utilizada dos modos mais variados. É-lhe dada a forma definitiva, antes de submetê-la à vulcanização, cujo processo final a tornará realmente tal qual nós a conhecemos.

 

A qualidade das borrachas naturais brasileiras é determinada, em primeira instância, através da inspeção visual, observando sua limpeza, cor, homogeneidade e defeitos. Depois, através de ensaios de laboratório específicos e normalizados são classificadas e comercializadas, com características padronizadas, exigidas pela norma ABNT-EB-1866 de 1988. 

 

Composição Química aproximada da borracha bruta:

 

Hidrocarbonetos de borracha ------------------- ~ 93,7%

Proteínas ------------------------------------------- ~  2,2%

Carbohidratos ------------------------------------- ~  0,4%

Lipídios naturais ---------------------------------- ~  2,4%

Glicolipídios e Fosfolipídios -------------------- ~  1,0%

Materiais inorgânicos ---------------------------- ~  0,2%

Outros ---------------------------------------------- ~  0,1%

 

Este texto foi parcialmente extraído do site NETopédia, Seção/Diversos/Borracha e do site Vulcanizar, na Coluna do Garbim.