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A compreensão cada vez mais abrangente que vem se construindo em
nossa sociedade a respeito da infância como uma fase da vida dotada
de especificidade com fundamental importância para a constituição
da identidade humana tanto do ponto de vista subjetivo como social , tem
levado os educadores a dedicar um considerável esforço para
ampliar a compreensão desta fase da vida e estabelecer, em conseqüência,
propostas educativas que atendam às necessidades da especificidade
de ser criança e orientem a organização de espaços
educacionais propícios a tal finalidade. Este fato reflete
uma inquietação gestada nos últimos anos, sobretudo
nas escolas de formação, mas possui também contribuições
oriundas do interior dos próprios sistemas educacionais que mantêm
as creches e as pré-escolas.
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Tais inquietações estão relacionadas com a necessidade
de uma clareza cada vez maior quanto à caracterização
deste espaço: em que medida ele é ( e pode ser) educativo
e quais os limites de sistematização aceitáveis em
uma "educação" infantil? Uma outra entrada desta matriz de
preocupações diz respeito à definição
de critérios que ajudem a analisar os serviços voltados para
as crianças, especialmente as crianças de 0 a 6 anos, incluindo ai parâmetros sobre a
formação de profissionais na área (quais teorias?
quais práticas?) e a disponibilidade de recursos materiais e
educacionais.
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Sabemos que, no Brasil, os objetivos tradicionalmente traçados pelas instituições
responsáveis pela educação das crianças pequenas oscilam entre a educação
e o cuidado quase sempre de forma dicotômica, produzindo, por isso, resultados muitas vezes danosos aos
interesses da infância. Não temos dúvidas de que a
compreensão que se tenha sobre a infância define o caráter
da educação proposta para as crianças, define o perfil
do profissional que as instituições contratam e procuram
moldar, e define também o próprio trabalho que ali se realizará.
O resultado de tais relações é a existência
de diferentes configurações curriculares (explícitas
ou não) e percursos peculiares de formação do educador
infantil (seja em caráter regular ou em serviço). Vários
diagnósticos têm apontado para a diversidade destas instituições
e para a necessidade de se aprofundar os estudos sobre sua constituição,
história e possibilidades. Nesta direção é
que desde 1990 organizamos, junto ao Centro
de Ciências da Educação - CED, um "Núcleo
de Estudos da Educação de 0 a 6 anos" (atualmente com o nome
ampliado para Núcleo de Estudos e Pesquisas da Educação na Pequena Infância)
com o intuito de consolidar espaços de reflexão que possibilitem o avanço do
conhecimento e o aprofundamento das investigações entre os
educadores e pesquisadores que têm desenvolvido seu trabalho em diferentes
instituições (Prefeitura, Secretarias de Educação,
Universidades, etc.), buscando também articular alunos dos
cursos de graduação e pós-graduação
em torno destas investigações. Há uma permanente necessidade
de melhor conhecer as características da clientela que as instituições
atendem, o trabalho que desenvolvem, as condições que oferecem
e o "perfil" do profissional que atua nas mesmas. Esta motivação
tem nos levado a organizar desde 1991 projetos de pesquisa buscando
contemplar os seguintes objetivos :
1. aprofundar o conhecimento sobre as instituições que
ofertam educação infantil (0 a 6 anos), suas práticas
e organização;
2. subsidiar a elaboração de políticas para a
área e participar de fóruns e associações;
3. subsidiar o trabalho de formação de educadores nos
diversos níveis: graduação, pós-graduação
e formação em serviço.
4. Organizar e manter Bases de Dados sobre informações
que interessem à áreaAs atividades desenvolvidas até aqui abriram novas perspectivas,
consolidando o Núcleo e fortalecendo a possibilidade de abrigar
e subsidiar as demandas por informações mais amplas e aprofundadas,
bem como a atualização e manutenção de atividades
e serviços instalados na área, e em realização,
tais como: cursos, palestras e seminários em torno das pesquisas
e voltados para a formação dos profissionais de creche e
pré-escola; banco de dados com informações gerais
das creches e pré-escolas do município de Florianópolis;
banco de dados contendo informações sobre a produção
científica nacional relativa à educação de
0 a 6 anos (Teses, dissertações, artigos em periódicos,
etc.); resultados de pesquisas de iniciação
científica; divulgação da produção resultante
das diversas atividades realizadas por integrantes do Núcleo em
reuniões científicas (ANPED, SBPC, etc.) e outros eventos
regionais, nacionais e internacionais na área de educação
infantil.
A trajetória
traçada até aqui cumpriu o importante papel de aglutinar
professores e alunos pesquisadores de diferentes departamentos e cursos
da UFSC em torno de uma problemática
comum, favorecendo o intercâmbio com outras instituições.
Neste momento, é possível vislumbrar ações
no sentido de aprofundar temas em estudo, além de delinear novas
frentes de investigação relativas a aspectos qualitativos
nos diferentes níveis de oferta da educação infantil.
As pesquisas anteriores suscitaram também a necessidade de desenvolvimento
de pesquisas relativas à: relação creche/família;
especialização profissional na creche e na pré-escola;
relações entre a educação infantil e o ensino
fundamental; análise da demanda; culturas infantis e pesquisas
que possibilitem cruzamentos relativos às áreas de saúde,
nutrição, arquitetura e construção, etc, como
aspectos igualmente envolvidos na garantia de serviços de qualidade
para as crianças.
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Destas demandas tornou-se patente a necessidade de organizar linhas de
pesquisa que contemplem : 1. O Histórico
e as Políticas da Educação Infantil; 2. A
identidade e a formação do profissional de Educação
Infantil; e 3. A Teoria e a Prática
Pedagógica na área.
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