O trabalho abaixo foi apresentado VIIIš
ENDIPE (Encontro Nacional de Didática e Prática do Ensino), dia 7 a 10 de maio de 1996, na UFSC,
Florianópolis, SC, e será publicado nos anais do evento. Deste atigo existe uma
versão jornalística, publicada no dia 12 de abril 1996, no jornal
INDÚSTRIA&COMÉRCIO
Die folgende Arbeit wurde als Kongreßbeitrag
auf dem VIII. Nationalen Treffen für Didaktik und Unterrichtspraxis, von 7. bis 10. Mai 1996 an der UFSC,
Florianópolis, SC vorgetragen und wird im Sammelband der Veranstaltung veröffentlicht.
Von diesem Artikel existiert auch eine gekürzte, journalistische Fassung, erschienen am 12. April 1996
in der Zeitung INDÚSTRIA&COMÉRCIO

Obs.: As notas de rodapé da versão HTML deste texto exigem um pouco de navegação: Clicando nos números coloridos e sublinhados entre parênteses no texto, o leitor é levado diretamente à nota certa. Para voltar ao texto, será necessário clicar a cetinha que está junto com a nota.



A sociedade de informações não apenas produz quantidades imensas de informações; ela também gerou meios para sua estocagem, numa "memória global" computadorizada, acessível e interligada pelas redes mundiais de computadores. Estes bancos de dados (mundialmente cerca de 8.000) dão acesso ao seu conteúdo em poucos segundos, através de buscas estruturadas. Muitos deles já não se contentam apenas com a informação sobre as fontes de dados e informações, mas trazem o próprio item, na integra, diretamente para o computador do usuário conectado.(2)
O sistema internacional de redes de dados inclui
redes científicas como a Internet, a European Academic
Research Net (EARN), UseNET e BITNET (Because it's time Network)
ou a Rede Nacional de Pesquisa brasileira (RNP); redes comerciais
abertas ao público são CompuServe e America Online
(AOL) dos Estados Unidos, Datex-J da Alemanha, Minitel da França.
Para fins educativos existem várias redes ou subdivisões
de redes: K12 (USA; abrange assuntos de educação
desde o pré-primário até o fim do segundo
grau - 12º ano nos EUA), Campus 2000 (Rede Européia
de Escolas, GB), KIDLINK (rede internacional de crianças
na idade escolas). Além disso existe um grande número
de redes para o uso exclusivo de empresas, ou servindo objetivos
militares e policiais (Interpol, FBI) etc.
Já em 1972, esta rede militar (com o nome
de ARPANET - Advanced Research Projects Agency Net) foi aberta
à comunidade científica mundial e se transformou
aos poucos na Internet. Inicialmente só utilizada por alguns
institutos de pesquisa e poucos cientistas nas universidades,
a Internet ganhou o papel de uma rede de comunicação
planetária através do seu crescimento exponencial
e suas convenções mundialmente estabelecidas. No
Brasil, o acesso era primeiro restrito às universidades
e alguns institutos ligados à RNP; desde 1995, provedores
comerciais dão acesso ao público em geral.(3)
Network: Utilizou-se
uma rede diversificada com conexões entre todos os possíveis
tipos de canais físicos de comunicação: linhas
de dados e de telefone, transmissão por rádio e
satélite. Havia muitos caminhos para chegar de um computador
ao outro. Se um deles estava interrompido, escolhia-se o desvio
mais próximo.
Protocols: Criaram-se
padrões para o formato dos dados comunicados entre computadores.
Estes "protocolos" são independentes das plataformas
de hard- e softwares utilizados. Desta forma, computadores dos
tipos IBM/PC, Apple/Macintosh, Atari, Amiga, UNIX etc. podem se
comunicar, independente do aplicativo utilizado. A família
de protocolos TCP/IP se tornou a língua franca da Internet.
Packet switching:
O fluxo de dados é dividido em pequenos pacotes, que são
encaminhados independente um do outro, junto com os dados do remetente
e destinatário, igual a uma encomenda postal tradicional.
Quando um deles é danificado ou extraviado no transporte,
ele é retransmitido automaticamente, sem necessidade de
repetir toda a comunicação. O "serviço
de troca de pacotes" também facilita o uso simultâneo
de uma linha de dados por um grande número de usuários.
Name Service: Cada
computador tem um nome e uma identificação de 4
grupos numéricos (parecido com o sistema mundial de números
telefônicos). Nos servidores de nomes encontram-se tabelas
para a conversão entre os dois. Assim, o computador que
é a porta para a UFSC tem o nome: www.ufsc.br e
o número: 150.162.1.240
Mirroring: Bancos
de dados importantes são "espelhados", ou seja,
mantidos em várias cópias físicas sob diferentes
endereços, para facilitar o acesso.
Telnet: Pequeno
programa que estabelece uma ligação direta entre
dois computadores na rede, por exemplo para acessar material em
diretórios públicos no computador remoto.
FTP (file transfer protocol):
Este "protocolo de transferência de arquivos"
é um outro pequeno programa útil para copiar arquivos
de máquinas remotas, sem acessar o conteúdo destes
arquivos.
World Wide Web:
"Teia mundial" (abreviado como WWW ou W3), é
um serviço gráfico, baseado em documentos editados
no padrão HTML (hypertext mark-up
language = linguagem de marcar em hipertextos) que
podem incluir links (ligações) que remetem
o usuário para outras partes do mesmo documento (útil
quando se trata de volumes maiores de texto), para arquivos multi-mídia
(sons, gráficos, vídeos), para programas externos
(como o FTP, um programa de busca de dados ou alguma outra aplicação),
ou para outros documentos em qualquer localização
da rede mundial. Estas páginas encontram-se em diretórios
abertos ao público, em máquinas permanentemente
ligadas na rede (chamadas de servers = servidores).
Em termos da teoria de sistemas, há uma analogia
surpreendente com sistemas biológicos, como, por exemplo,
processamento e estocagem de informações holísticos
e distribuídos nas redes neuronais do nosso cérebro; a
estrutura rigidamente caótica com controle decentralizado pela
cooperação de todas as partes, a grande flexibilidade
e capacidade de se adaptar a novas exigências com rapidez
e sem interromper o funcionamento atual, a contribuição
simultânea ativa e passiva de todos os componentes, etc.
Nos EUA, o avanço da Internet teve seu respaldo na política educacional. A National Science Foundation, por exemplo, financia a ligação de universidades e escolas, desde que todos os computadores destinados ao trabalho de professores e alunos sejam conectados. Em final de 1993, o governo Clinton estabeleceu a meta de dar acesso à Internet a todos os cidadãos americanos até o final da década.
No momento, a Internet integra mais de 40 milhões
de usuários diretos em mais de 50 países. Outras
redes, como EARN, BITNET, UseNET, NewsNet, FidoNET ou CompuServe,
America On-line etc. dão acesso indireto, via "gateways".
Na área científica, grande parte do intercâmbio
de conhecimentos e sua discussão já hoje acontece
na Internet, seja por contato individual mediante correio eletrônico
(e-mail), seja por "e-mail coletivo" nos mais de 6.000
grupos de discussão de assuntos específicos da UseNET,
e, cada vez mais, pela WWW, com a facilidade de abranger informações
em formato multimídia (imagens, sons, vídeos).
Com isso, o adolescente e adulto teriam o maior aproveitamento na aprendizagem se recebessem as informações justamente na hora em que são necessárias (para resolver uma outra tarefa). A dificuldade básica do defasamento e da distância do ensino da vida real é resumido drasticamente por Williamson (1994, p. 84), que chama a sala de aula tradicional de "oxímoro". Qualquer forma de aprendizagem controlada e planejada dificilmente escapará deste dilema. O uso da Internet no ensino pelo menos pode dar a chance de aumentar as atividades autóctonas e direcionadas do estudante, dentro da área de conhecimento em questão. O estudo de Ellis (1992), sobre o uso da Internet para o ensino do francês como língua estrangeira no Canadá, documenta esta vantagem, apesar das limitações (técnicas) vigentes na rede do final dos anos 80.
Partindo da teaching machine do behaviorismo skinneriano no início do uso do computador como instrumento didático, a metodologia da Internet de hoje se aproxima muito mais dos modelos construtivistas, que são amplamente citados como embasamento teórico do emprego destas tecnologias interativas no ensino, e não por acaso. Tanto o ideário do construtivismo (como o princípio básico de que no processo de aprendizagem, o estudante constrói e conecta elementos de compreensão em vez de repetir pedaços de instrução(4)) quanto o do ensino interativo (que a mão dupla da interação facilita todo processo de apreender, por evitar barreiras mentais como o medo e a insegurança e por incentivar atividade porcionada com progressão rumo ao objetivo do ensino(5)) encontram na Internet uma ferramenta que implementa grande parte de seus axiomas.
Os tão criticados programas de CBT (computer
based training), CAI (computer aided instruction) e
CALL (computer assisted language learning) não devem
ser considerados completamente obsoletos, desde que tenham um
grau de interatividade razoável, que os diferencie de um
mero retroprojetor individual de alto luxo, onde a interação
limita-se a virar as páginas com a ajuda do mouse. Principalmente
na parte do estudo autônomo, numa midiateca ou em casa,
estes sistemas podem dar uma contribuição válida,
ainda mais quando são integrados às aulas em termos
de conteúdo e metodologia. Porém, o uso da Internet,
sem dúvida, representa o ponto mais avançado da
aplicação das novas tecnologias para fins educativos,
não apenas no sentido de hard- e software.
Em primeiro lugar, a Internet não deve ser apenas encarada como milhões de computadores, cujos recursos podem ser compartilhados, e sim como os milhões de seres humanos atrás das telas e dos teclados: cientistas, professores, alunos e pais, que podem entrar em contato como pessoas, fazer perguntas ou respondê-las, discutir, trocar informações e dicas, colocar opiniões, divulgar informações e muito mais, independentemente do tempo e do espaço. Ao contrário do telefone, o remetente e destinatário de um e-mail ou os debatedores de um forum de discussões não precisam participar ao mesmo tempo, um fator importante não apenas no intercâmbio entre continentes. Não há mais necessidade de reunir grupos de trabalho no mesmo lugar na mesma hora para poder resolver um problema em comum.
Evidentemente, a comunicação eletrônica abrange apenas uma parte da comunicação humana. Ela não pode nem deve substituir o diálogo pessoal (em aula) ou o contato humano direto. Mas ela abre dimensões novas de contato e comunicação adicionais, justamente além das limitações impostas por tempo e espaço, que não seriam possíveis (física e financeiramente) sem ela. O uso da rede mundial de comunicação propicia acesso à informação e comunicação mundial (os bens mais valiosos da sociedade do 3º milênio) para as regiões e instituições menos privilegiadas. Antes disponível apenas para a máquina militar da 1ª potência do planeta, hoje estão ao alcance de cada escola que possa destinar um computador médio e uma linha telefônica a este fim.
O uso produtivo da Internet para fins educativos
é quase tão infinito quanto as ramificações
da própria rede e encontra seu limite apenas na imaginação
dos professores e alunos que queiram tirar proveito dela. Alguns
poucos exemplos aqui são destinados apenas a despertar
a criatividade de cada um neste sentido:(6)
1. A Internet como fonte de informações atualizadas de 1ª mão
Todos os setores da sociedade (economia, política,
instituções públicas e privadas) colocam
à disposição da rede suas contribuições
que consideram relevantes, interessantes, ou necessárias.
O fato da concorrência esmagadora de ofertas informativas
na rede faz com que as entidades sejam obrigadas a colocar atrativos
gratuitos "no ar" para conseguir a atenção
do público e justificar o investimento do serviço
ou viabilizar patrocínios comerciais etc. Desta forma é
possível encontrar informação de virtualmente
todas as áreas de conhecimento e atividade humana através
de uma busca direcionada com a ajuda das chamadas "search
engines" (máquinas de busca), que localizam em
poucos instantes todas as ofertas relacionadas a um determinado
assunto(7). Algumas destas máquinas famosas são:
Serviços internacionais em inglês
Informações sobre o Brasil
Mesmo o serviço em si sendo em inglês, o alvo da busca pode ser qualquer sequência alfanumérica. Com um pouco de experiência na busca de bancos de dados grandes(8), os resultados são surpreendentemente satisfatórios, apesar da tarefa quase tão impossível quanto encontrar uma moeda perdida no fundo dos oceanos de 5 continentes. Como normalmente cada página na rede está conectada diretamente a outras páginas relacionadas por meio de links, cada busca leva a um número grande de resultados pelo sistema cumulativo conhecido como "bola de neve".
No mundo da informação, as grandes
empresas da mídia internacional e nacional estão
presentes também na Internet. Alguns exemplos:
Mundo:
Brasil:
Para o ensino de línguas estrangeiras, o uso da Internet pelos alunos não se limita a uma fonte (valiosíssima) de material autêntico da língua e cultura alvos. Navegando nas páginas deste país, o estudante experimenta a satisfação de dominar uma interação real no idioma alvo, tão importante para estimular a sua motivação no processo de aprendizagem.
Uma outra grande vantagem da Internet como fonte
de informação é que todo o material encontrado
é (pelo menos temporariamente) copiado para o computador
de quem o acessa. Isto é, textos, tabelas, estatísticas,
imagens, sons, vídeos etc., podem ser estocados, editados
e reutilizados em trabalhos e projetos de qualquer natureza.
2. Projetos interativos
Em princípio, todo trabalho com informações da Internet é interativo, na medida em que o usuário dirige por escolha de menus ou de links o fluxo de dados. Ao contrário de assistir o programa informativo da CNN na TV a cabo, no serviço on-line da CNN, o "leitor" tem a possibilidade de se concentrar apenas nas áreas e nas notícias de seu interesse, fazendo com que ele obtenha muito mais informação específica em muito menos tempo.
Projetos interativos são chamados aqui trabalhos
que nascem da interação de (grupos) de pessoas,
alunos de várias escolas ou faculdades com setores específicos
representados na rede, sejam eles outros alunos ou professores,
orgãos públicos ou empresas particulares. Existem
muitas opções para desenvolver projetos nas áreas
de línguas estrangeiras, ciências exatas ou sociais.
Alguns exemplos dos Estados Unidos, da Alemanha e do Brasil são:
Parceiros interessantes para projetos educativos
são ONGs que atuam na área social ou ecológica.
Elas dispõem não apenas de material já pronto
para a divulgação pela Internet, mas sim, às
vezes, dão até apoio individualizado a projetos
deste gênero. Alguns endereços internacionais são:
3. O uso da Internet para a atualização e capacitação do professor
Como a Internet facilita o acesso a toda a produção intelectual, ela é, junto com a facilidade de trabalhar com um grupo de pessoas sem o ônus de reuní-las no mesmo lugar e na mesma hora, um instrumento perfeito para a atualização e capacitação do professor de todos os níveis. Tanto em seus esforços individuais neste sentido quanto para atividades organizadas para o mesmo fim.
Em primeiro lugar, o professor tem acesso a material atualizado na sua área, especialmente importante quando ele está longe dos grandes centros, ou no caso do ensino de línguas estrangeiras.
Um "site" (= local) informativo imperdível para professores de línguas estrangeiras é The Agora Language Marketplace (http://www.agoralang.com), onde os seus criadores reúnem todo tipo de informação relacionada com línguas estrangeiras, desde páginas de editoras, universidades e escolas, passando por congressos e listas de discussões.
Praticamente todas as bibliotecas de porte dão
acesso aos seus catálogos por Internet, facilitando a pesquisa
de forma inédita. Alguns exemplos:
USP: telnet://bee08.uspnet.usp.br/ (login: dedalus)
Biblioteca Nacional: telnet://ars.bn.br/ (login: fbncons; senha: consulta)
Biblioteca Virtual de Língua e Literatura: http://www.cr-sp.rnp.br/literatura/index.html
State Libraries (USA): http://www.state.wi.us/0/agencies/dpi/www/statelib.html
University Libraries: http://www.yahoo.com/Reference/Libraries/University_Libraries/
Library of Congress: telnet://locis.loc.gov
Oxford Library: http://rsl.ox.ac.uk/bibits.html
O segundo passo é a troca de idéias e a discussão com colegas, como, por exemplo na BEE-Net (Beginning English Educators) que se dispõe a dar assistência a jovens professores de inglês. (Contatos: Glenn Blalock, e-mail: gblalock@titan.sfasu.edu, ou Thomas Philion, e-mail: philion@uic.edu). Um outro exemplo, já bem estabelecido, é o projeto "Using Computers in Environmental Education", que disponibiliza amplo material interativo na rede para incentivar projetos com o objetivo de conscientização ecológica (endereço: http://www.econet.apc.org/econet/).
Finalmente, junto com a implementação
de projetos de ensino a distância, teremos inevitavelmente
projetos específicos direcionados à reciclagem do
professor por meio da Internet.
A configuração de todo o hard- e software necessário para o acesso em alguns casos torna-se uma tarefa para um expert (por exemplo do seu centro de processamento de dados ou do seu provedor comercial). Contudo, os pacotes mais recentes (NetScape, Windows 95 Plus!) facilitam bastante este ponto.
Mesmo tendo êxito no acesso, o tráfego pesado de dados pode tornar uma sessão demorada, especialmente quando as páginas estão repletas de gráficos volumosos. Neste caso, há a possibilidade de configurar seu browser (programa que exibe os dados, por exemplo NetScape) temporariamente para não exibir gráficos, em especial quando este material serve apenas para enfeite, e não carrega o conteúdo central em questão.
Como a Internet não tem dono nem central (ela vive de todos os seus elementos) não há maneira de controlar o material que nela transita. Em princípio, isto é uma de suas maiores virtudes. Pode tornar-se um problema no uso didático da Internet, quando se trata por exemplo de conteúdos não adequados para os nossos estudantes menores de idade, como no caso de material pornográfico, que é facilmente localizável com as buscas acima descritas. A solução para isso em geral é a mera presença do professor. Existe, porém, a possibildade de instalar sotfwares como o NetWatch que impedem o acesso a páginas deste gênero.












