O uso da Internet para fins educativos

 O trabalho abaixo foi apresentado VIII ENDIPE (Encontro Nacional de Didática e Prática do Ensino), dia 7 a 10 de maio de 1996, na UFSC, Florianópolis, SC, e será publicado nos anais do evento. Deste atigo existe uma versão jornalística, publicada no dia 12 de abril 1996, no jornal INDÚSTRIA&COMÉRCIO

Resumo

A Internet é uma ferramenta maravilhosa para o ensino em geral, de línguas estrangeiras em especial. Ela permite o acesso fácil de professores e alunos a uma infinidade de material informativo autêntico e atualizado sobre todos os assuntos da cultura alvo. Além de dar muitos exemplos concretos e de mostrar as possibilidades de usar a rede para projetos interativos e para a formação e capacitação de professores, o trabalho dá um resumo da história e do funcionamento dos procedimentos básicos da Internet.

 Die folgende Arbeit wurde als Kongreßbeitrag auf dem VIII. Nationalen Treffen für Didaktik und Unterrichtspraxis, von 7. bis 10. Mai 1996 an der UFSC, Florianópolis, SC vorgetragen und wird im Sammelband der Veranstaltung veröffentlicht. Von diesem Artikel existiert auch eine gekürzte, journalistische Fassung, erschienen am 12. April 1996 in der Zeitung INDÚSTRIA&COMÉRCIO

Resumé

Internet stellt generell ein ausgezeichnet für den Unterricht einsetzbares Medium dar, besonders aber für den Fremdsprachenunterricht. Es erlaubt Lehrern und Studenten direkten Zugang zu fast unbegrenzten Mengen an aktuellem und authentischem Informationsmaterial über alle Themengebiete der Zielkultur. Die Arbeit zeigt in verschiedenen konkreten Beispielen die Einsatzmöglichkeiten, im Unterricht, in interaktiven Projekten oder zur Lehrerfortbildung. Daneben wird ein kurzer Abriß über Geschichte, Struktur und elementare Funktionsprinzipien des Internet gegeben.

O uso da Internet para fins educativos


Markus J. Weininger,
Professor de Alemão/UFPR,
Doutorando em Lingüística Aplicada/UFSC
e-mail: markus@humanas.ufpr.br
markus@mbox1.ufsc.br

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A rede mundial de dados

A explosão de informações e conhecimentos humanos continua ocorrendo em ritmo cada vez mais acelerado: existem entre 100.000 e 300.000 revistas científicas e técnicas no mundo, o que equivale a 3 a 10 milhões de ensaios e artigos por ano. 2.000 livros são publicados a cada dia, um terço deles em inglês, alemão e francês (230.000 por ano). Só os pesquisadores publicam 7.000 trabalhos por dia. 800.000 patentes são registradas por ano(1). Ainda é possível dominar esta maré de sabedoria? Ou estaremos cada dia com mais sede de informações enquanto já estamos, de fato, nos afogando nos dados?

A sociedade de informações não apenas produz quantidades imensas de informações; ela também gerou meios para sua estocagem, numa "memória global" computadorizada, acessível e interligada pelas redes mundiais de computadores. Estes bancos de dados (mundialmente cerca de 8.000) dão acesso ao seu conteúdo em poucos segundos, através de buscas estruturadas. Muitos deles já não se contentam apenas com a informação sobre as fontes de dados e informações, mas trazem o próprio item, na integra, diretamente para o computador do usuário conectado.(2)

O sistema internacional de redes de dados inclui redes científicas como a Internet, a European Academic Research Net (EARN), UseNET e BITNET (Because it's time Network) ou a Rede Nacional de Pesquisa brasileira (RNP); redes comerciais abertas ao público são CompuServe e America Online (AOL) dos Estados Unidos, Datex-J da Alemanha, Minitel da França. Para fins educativos existem várias redes ou subdivisões de redes: K12 (USA; abrange assuntos de educação desde o pré-primário até o fim do segundo grau - 12º ano nos EUA), Campus 2000 (Rede Européia de Escolas, GB), KIDLINK (rede internacional de crianças na idade escolas). Além disso existe um grande número de redes para o uso exclusivo de empresas, ou servindo objetivos militares e policiais (Interpol, FBI) etc.

História e estrutura da Internet

A Internet nasceu - segundo um mito muito popular , porém com fundo verdadeiro - no final dos anos 60, quando o ministério da defesa dos EUA encomendou uma ligação entre os computadores mais potentes e importantes da nação, de modo que a comunicação de dados militares funcionasse mesmo depois de um ataque nuclear. A solução apresentada era um pacote tão genial quanto simples.

Já em 1972, esta rede militar (com o nome de ARPANET - Advanced Research Projects Agency Net) foi aberta à comunidade científica mundial e se transformou aos poucos na Internet. Inicialmente só utilizada por alguns institutos de pesquisa e poucos cientistas nas universidades, a Internet ganhou o papel de uma rede de comunicação planetária através do seu crescimento exponencial e suas convenções mundialmente estabelecidas. No Brasil, o acesso era primeiro restrito às universidades e alguns institutos ligados à RNP; desde 1995, provedores comerciais dão acesso ao público em geral.(3)

Network: Utilizou-se uma rede diversificada com conexões entre todos os possíveis tipos de canais físicos de comunicação: linhas de dados e de telefone, transmissão por rádio e satélite. Havia muitos caminhos para chegar de um computador ao outro. Se um deles estava interrompido, escolhia-se o desvio mais próximo.

Protocols: Criaram-se padrões para o formato dos dados comunicados entre computadores. Estes "protocolos" são independentes das plataformas de hard- e softwares utilizados. Desta forma, computadores dos tipos IBM/PC, Apple/Macintosh, Atari, Amiga, UNIX etc. podem se comunicar, independente do aplicativo utilizado. A família de protocolos TCP/IP se tornou a língua franca da Internet.

Packet switching: O fluxo de dados é dividido em pequenos pacotes, que são encaminhados independente um do outro, junto com os dados do remetente e destinatário, igual a uma encomenda postal tradicional. Quando um deles é danificado ou extraviado no transporte, ele é retransmitido automaticamente, sem necessidade de repetir toda a comunicação. O "serviço de troca de pacotes" também facilita o uso simultâneo de uma linha de dados por um grande número de usuários.

Name Service: Cada computador tem um nome e uma identificação de 4 grupos numéricos (parecido com o sistema mundial de números telefônicos). Nos servidores de nomes encontram-se tabelas para a conversão entre os dois. Assim, o computador que é a porta para a UFSC tem o nome: www.ufsc.br e o número: 150.162.1.240

Mirroring: Bancos de dados importantes são "espelhados", ou seja, mantidos em várias cópias físicas sob diferentes endereços, para facilitar o acesso.

Telnet: Pequeno programa que estabelece uma ligação direta entre dois computadores na rede, por exemplo para acessar material em diretórios públicos no computador remoto.

FTP (file transfer protocol): Este "protocolo de transferência de arquivos" é um outro pequeno programa útil para copiar arquivos de máquinas remotas, sem acessar o conteúdo destes arquivos.

World Wide Web: "Teia mundial" (abreviado como WWW ou W3), é um serviço gráfico, baseado em documentos editados no padrão HTML (hypertext mark-up language = linguagem de marcar em hipertextos) que podem incluir links (ligações) que remetem o usuário para outras partes do mesmo documento (útil quando se trata de volumes maiores de texto), para arquivos multi-mídia (sons, gráficos, vídeos), para programas externos (como o FTP, um programa de busca de dados ou alguma outra aplicação), ou para outros documentos em qualquer localização da rede mundial. Estas páginas encontram-se em diretórios abertos ao público, em máquinas permanentemente ligadas na rede (chamadas de servers = servidores).

Em termos da teoria de sistemas, há uma analogia surpreendente com sistemas biológicos, como, por exemplo, processamento e estocagem de informações holísticos e distribuídos nas redes neuronais do nosso cérebro; a estrutura rigidamente caótica com controle decentralizado pela cooperação de todas as partes, a grande flexibilidade e capacidade de se adaptar a novas exigências com rapidez e sem interromper o funcionamento atual, a contribuição simultânea ativa e passiva de todos os componentes, etc.

Nos EUA, o avanço da Internet teve seu respaldo na política educacional. A National Science Foundation, por exemplo, financia a ligação de universidades e escolas, desde que todos os computadores destinados ao trabalho de professores e alunos sejam conectados. Em final de 1993, o governo Clinton estabeleceu a meta de dar acesso à Internet a todos os cidadãos americanos até o final da década.

No momento, a Internet integra mais de 40 milhões de usuários diretos em mais de 50 países. Outras redes, como EARN, BITNET, UseNET, NewsNet, FidoNET ou CompuServe, America On-line etc. dão acesso indireto, via "gateways". Na área científica, grande parte do intercâmbio de conhecimentos e sua discussão já hoje acontece na Internet, seja por contato individual mediante correio eletrônico (e-mail), seja por "e-mail coletivo" nos mais de 6.000 grupos de discussão de assuntos específicos da UseNET, e, cada vez mais, pela WWW, com a facilidade de abranger informações em formato multimídia (imagens, sons, vídeos).

Algumas considerações teóricas

Um dos grandes perigos que se corre com o uso das novas tecnologias no ensino é cair no erro de propagar modelos didáticos da "idade da pedra" com a ajuda da tecnologia da "idade do espaço", conforme Hardisty e Windeatt (1989;3) ao citarem Alan Maley, que reforça uma crítica de Higgins (1988) neste sentido. Na primeira onda de utilizar o computador para fins educativos, nos anos 80, muitas vezes tratava-se o computador de fato "as a one-way system, a purveyor of information, a drillmaster, or tutor which spent more time telling students what they should know than it did encouraging them to discover things for themselves" (Underwood, 1989, p. 72). Mais uma vez confirmou-se uma das teses do clássico da mídia, Marshall McLuhan, de que uma mídia nova, de início, apenas divulga os mesmos conteúdos anteriores (McLuhan, 1964, p. 16), sem nem questioná-los ou desenvolver novas formas, mais adequadas. Depois de uma fase inicial, de jogar apenas toda a produção impressa dentro da rede mundial de dados, hoje, devido à World Wide Web e seus recursos multi-mídia, a Internet começa a sua própria linguagem, e, com as facilidades da linkagem entre elementos e meios normalmente separados, acrescenta formas inéditas de trabalhar e apresentar conteúdos. Segundo Begley (1994, p. 47), o ser humano consegue reter 10% do que ele vê, 20% do que ele ouve, 50% do que ele ouve e vê (a vantagem multi-mídia), e 80% do que ele simultaneamente ouve, vê e faz (o salto interativo).

Com isso, o adolescente e adulto teriam o maior aproveitamento na aprendizagem se recebessem as informações justamente na hora em que são necessárias (para resolver uma outra tarefa). A dificuldade básica do defasamento e da distância do ensino da vida real é resumido drasticamente por Williamson (1994, p. 84), que chama a sala de aula tradicional de "oxímoro". Qualquer forma de aprendizagem controlada e planejada dificilmente escapará deste dilema. O uso da Internet no ensino pelo menos pode dar a chance de aumentar as atividades autóctonas e direcionadas do estudante, dentro da área de conhecimento em questão. O estudo de Ellis (1992), sobre o uso da Internet para o ensino do francês como língua estrangeira no Canadá, documenta esta vantagem, apesar das limitações (técnicas) vigentes na rede do final dos anos 80.

Partindo da teaching machine do behaviorismo skinneriano no início do uso do computador como instrumento didático, a metodologia da Internet de hoje se aproxima muito mais dos modelos construtivistas, que são amplamente citados como embasamento teórico do emprego destas tecnologias interativas no ensino, e não por acaso. Tanto o ideário do construtivismo (como o princípio básico de que no processo de aprendizagem, o estudante constrói e conecta elementos de compreensão em vez de repetir pedaços de instrução(4)) quanto o do ensino interativo (que a mão dupla da interação facilita todo processo de apreender, por evitar barreiras mentais como o medo e a insegurança e por incentivar atividade porcionada com progressão rumo ao objetivo do ensino(5)) encontram na Internet uma ferramenta que implementa grande parte de seus axiomas.

Os tão criticados programas de CBT (computer based training), CAI (computer aided instruction) e CALL (computer assisted language learning) não devem ser considerados completamente obsoletos, desde que tenham um grau de interatividade razoável, que os diferencie de um mero retroprojetor individual de alto luxo, onde a interação limita-se a virar as páginas com a ajuda do mouse. Principalmente na parte do estudo autônomo, numa midiateca ou em casa, estes sistemas podem dar uma contribuição válida, ainda mais quando são integrados às aulas em termos de conteúdo e metodologia. Porém, o uso da Internet, sem dúvida, representa o ponto mais avançado da aplicação das novas tecnologias para fins educativos, não apenas no sentido de hard- e software.

O uso da Internet para fins educativos

Para as escolas, a Internet, até o momento, ocupa um papel secundário. Atualmente encontram-se cerca de 1.000 escolas na rede no mundo inteiro. Existem, porém, projetos em vários países para incentivar o uso dos recursos da Internet para o ensino em geral. O meu objetivo aqui é parecido: encorajar professores de todos os tipos de escolas a utilizar o potencial da rede mundial de dados para as suas aulas. Para isso quero esboçar algumas possibilidades concretas, ilustradas com exemplos práticos.

Em primeiro lugar, a Internet não deve ser apenas encarada como milhões de computadores, cujos recursos podem ser compartilhados, e sim como os milhões de seres humanos atrás das telas e dos teclados: cientistas, professores, alunos e pais, que podem entrar em contato como pessoas, fazer perguntas ou respondê-las, discutir, trocar informações e dicas, colocar opiniões, divulgar informações e muito mais, independentemente do tempo e do espaço. Ao contrário do telefone, o remetente e destinatário de um e-mail ou os debatedores de um forum de discussões não precisam participar ao mesmo tempo, um fator importante não apenas no intercâmbio entre continentes. Não há mais necessidade de reunir grupos de trabalho no mesmo lugar na mesma hora para poder resolver um problema em comum.

Evidentemente, a comunicação eletrônica abrange apenas uma parte da comunicação humana. Ela não pode nem deve substituir o diálogo pessoal (em aula) ou o contato humano direto. Mas ela abre dimensões novas de contato e comunicação adicionais, justamente além das limitações impostas por tempo e espaço, que não seriam possíveis (física e financeiramente) sem ela. O uso da rede mundial de comunicação propicia acesso à informação e comunicação mundial (os bens mais valiosos da sociedade do 3º milênio) para as regiões e instituições menos privilegiadas. Antes disponível apenas para a máquina militar da 1ª potência do planeta, hoje estão ao alcance de cada escola que possa destinar um computador médio e uma linha telefônica a este fim.

O uso produtivo da Internet para fins educativos é quase tão infinito quanto as ramificações da própria rede e encontra seu limite apenas na imaginação dos professores e alunos que queiram tirar proveito dela. Alguns poucos exemplos aqui são destinados apenas a despertar a criatividade de cada um neste sentido:(6)

1. A Internet como fonte de informações atualizadas de 1ª mão

Todos os setores da sociedade (economia, política, instituções públicas e privadas) colocam à disposição da rede suas contribuições que consideram relevantes, interessantes, ou necessárias. O fato da concorrência esmagadora de ofertas informativas na rede faz com que as entidades sejam obrigadas a colocar atrativos gratuitos "no ar" para conseguir a atenção do público e justificar o investimento do serviço ou viabilizar patrocínios comerciais etc. Desta forma é possível encontrar informação de virtualmente todas as áreas de conhecimento e atividade humana através de uma busca direcionada com a ajuda das chamadas "search engines" (máquinas de busca), que localizam em poucos instantes todas as ofertas relacionadas a um determinado assunto(7). Algumas destas máquinas famosas são:

Serviços internacionais em inglês

Informações sobre o Brasil

Mesmo o serviço em si sendo em inglês, o alvo da busca pode ser qualquer sequência alfanumérica. Com um pouco de experiência na busca de bancos de dados grandes(8), os resultados são surpreendentemente satisfatórios, apesar da tarefa quase tão impossível quanto encontrar uma moeda perdida no fundo dos oceanos de 5 continentes. Como normalmente cada página na rede está conectada diretamente a outras páginas relacionadas por meio de links, cada busca leva a um número grande de resultados pelo sistema cumulativo conhecido como "bola de neve".

No mundo da informação, as grandes empresas da mídia internacional e nacional estão presentes também na Internet. Alguns exemplos:

Mundo:


Brasil:

Para o ensino de línguas estrangeiras, o uso da Internet pelos alunos não se limita a uma fonte (valiosíssima) de material autêntico da língua e cultura alvos. Navegando nas páginas deste país, o estudante experimenta a satisfação de dominar uma interação real no idioma alvo, tão importante para estimular a sua motivação no processo de aprendizagem.

Uma outra grande vantagem da Internet como fonte de informação é que todo o material encontrado é (pelo menos temporariamente) copiado para o computador de quem o acessa. Isto é, textos, tabelas, estatísticas, imagens, sons, vídeos etc., podem ser estocados, editados e reutilizados em trabalhos e projetos de qualquer natureza.

2. Projetos interativos

Em princípio, todo trabalho com informações da Internet é interativo, na medida em que o usuário dirige por escolha de menus ou de links o fluxo de dados. Ao contrário de assistir o programa informativo da CNN na TV a cabo, no serviço on-line da CNN, o "leitor" tem a possibilidade de se concentrar apenas nas áreas e nas notícias de seu interesse, fazendo com que ele obtenha muito mais informação específica em muito menos tempo.

Projetos interativos são chamados aqui trabalhos que nascem da interação de (grupos) de pessoas, alunos de várias escolas ou faculdades com setores específicos representados na rede, sejam eles outros alunos ou professores, orgãos públicos ou empresas particulares. Existem muitas opções para desenvolver projetos nas áreas de línguas estrangeiras, ciências exatas ou sociais. Alguns exemplos dos Estados Unidos, da Alemanha e do Brasil são:

Parceiros interessantes para projetos educativos são ONGs que atuam na área social ou ecológica. Elas dispõem não apenas de material já pronto para a divulgação pela Internet, mas sim, às vezes, dão até apoio individualizado a projetos deste gênero. Alguns endereços internacionais são:


3. O uso da Internet para a atualização e capacitação do professor

Como a Internet facilita o acesso a toda a produção intelectual, ela é, junto com a facilidade de trabalhar com um grupo de pessoas sem o ônus de reuní-las no mesmo lugar e na mesma hora, um instrumento perfeito para a atualização e capacitação do professor de todos os níveis. Tanto em seus esforços individuais neste sentido quanto para atividades organizadas para o mesmo fim.

Em primeiro lugar, o professor tem acesso a material atualizado na sua área, especialmente importante quando ele está longe dos grandes centros, ou no caso do ensino de línguas estrangeiras.

Um "site" (= local) informativo imperdível para professores de línguas estrangeiras é The Agora Language Marketplace (http://www.agoralang.com), onde os seus criadores reúnem todo tipo de informação relacionada com línguas estrangeiras, desde páginas de editoras, universidades e escolas, passando por congressos e listas de discussões.

Praticamente todas as bibliotecas de porte dão acesso aos seus catálogos por Internet, facilitando a pesquisa de forma inédita. Alguns exemplos:

USP: telnet://bee08.uspnet.usp.br/ (login: dedalus)

Biblioteca Nacional: telnet://ars.bn.br/ (login: fbncons; senha: consulta)

Biblioteca Virtual de Língua e Literatura: http://www.cr-sp.rnp.br/literatura/index.html

State Libraries (USA): http://www.state.wi.us/0/agencies/dpi/www/statelib.html

University Libraries: http://www.yahoo.com/Reference/Libraries/University_Libraries/

Library of Congress: telnet://locis.loc.gov

Oxford Library: http://rsl.ox.ac.uk/bibits.html

O segundo passo é a troca de idéias e a discussão com colegas, como, por exemplo na BEE-Net (Beginning English Educators) que se dispõe a dar assistência a jovens professores de inglês. (Contatos: Glenn Blalock, e-mail: gblalock@titan.sfasu.edu, ou Thomas Philion, e-mail: philion@uic.edu). Um outro exemplo, já bem estabelecido, é o projeto "Using Computers in Environmental Education", que disponibiliza amplo material interativo na rede para incentivar projetos com o objetivo de conscientização ecológica (endereço: http://www.econet.apc.org/econet/).

Finalmente, junto com a implementação de projetos de ensino a distância, teremos inevitavelmente projetos específicos direcionados à reciclagem do professor por meio da Internet.

Algumas limitações

Até o momento, o número de usuários da Internet cresce em ritmo muito mais acelerado que a capacidade de transmissão de dados. Nos vários níveis de conex&`tilde;o a demanda é maior que os recursos, seja entre os backbones (= espinha dorsal; computadores centrais que sustentam o fluxo de dados) e routers (= roteadores, computadores que repassam e distribuem os dados), seja na rede interna de sua universidade ou empresa, seja no acesso doméstico por modem e linha telefônica. Por isso acontece que às vezes o acesso à rede fica complicado ou até inviabilizado. Isso pode ser devido ao trânsito excessivo de dados (em certos horários!), à sobrecarga do servidor imediato, a problemas técnicos da linha física de conexão que vão desde falhas nos cabos que ligam o seu terminal à rede local até ruídos na linha telefônica do seu bairro ou prédio.

A configuração de todo o hard- e software necessário para o acesso em alguns casos torna-se uma tarefa para um expert (por exemplo do seu centro de processamento de dados ou do seu provedor comercial). Contudo, os pacotes mais recentes (NetScape, Windows 95 Plus!) facilitam bastante este ponto.

Mesmo tendo êxito no acesso, o tráfego pesado de dados pode tornar uma sessão demorada, especialmente quando as páginas estão repletas de gráficos volumosos. Neste caso, há a possibilidade de configurar seu browser (programa que exibe os dados, por exemplo NetScape) temporariamente para não exibir gráficos, em especial quando este material serve apenas para enfeite, e não carrega o conteúdo central em questão.

Como a Internet não tem dono nem central (ela vive de todos os seus elementos) não há maneira de controlar o material que nela transita. Em princípio, isto é uma de suas maiores virtudes. Pode tornar-se um problema no uso didático da Internet, quando se trata por exemplo de conteúdos não adequados para os nossos estudantes menores de idade, como no caso de material pornográfico, que é facilmente localizável com as buscas acima descritas. A solução para isso em geral é a mera presença do professor. Existe, porém, a possibildade de instalar sotfwares como o NetWatch que impedem o acesso a páginas deste gênero.



Bibliografia

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Notas de rodapé:

Obs.: As notas de rodapé da versão HTML deste texto exigem um pouco de navegação: Clicando nos números coloridos e sublinhados entre parênteses no texto, o leitor é levado diretamente à nota certa. Para voltar ao texto, será necessário clicar a cetinha que está junto com a nota.



(1) E.-G. vom Kolke: Online-Datenbanken, München 1994, 1; B . Kurshan: Creating the Global Classroom for the 21st Century. Em: Eric Persson: Net Power. Resource Guide to Online Computer Services. Lancaster PA, 1993, S. iii; L. A. Tsantis: Collaborative Networking. An Educator Looks at the New Technologies. Em: op. cit., S. viii.  
(2) Nem sempre estes serviços são gratuitos. Em geral, porém, o uso para fins educativos é facilitado. Na World Wide Web (WWW) da Internet, a grande maioria das informações é aberta ao público.  

(3) Informações mais detalhadas sobre a história da Internet encontram-se on-line em: Henry E. Hardy, The History of the Net; no servidor-ftp: umcc.umich.edu, diretório: /pub/seraphim/doc/nethist8.txt. A descrição que segue refere-se ao padrão técnico atual da rede.  

(4) Por exemplo: Resnick, 1981; Richards, 1987; Higgs, 1984; Pica, Young, Doughty, 1987, Lebow, 1993  

(5) Gaies, 1986; Long, Porter, 1985; Pica, Doughty, 1985; Doughty, Pica, 1986  

(6) Outros recursos podem ser detectados pelos instrumentos de busca apresentados neste artigo. Todos os endereços indicados foram testados; apesar disso, estão sujeitos a alterações. Caso um deles tenha mudado, localize a entidade por uma busca na própria Internet.  

(7) Trata-se, em geral, de um serviço gratúito. As buscas são baseadas em índices extraídos de todas as páginas que transitam na rede.  

(8) Quando o alvo não é encontrado, será necessário procurar por sinônimos, hiperônimos ou termos relacionados. Na maioria das vezes, porém, acontece o contrário: aparecem dezenas de milhares de ocorrências do item procurado, que nem sempre se revelam úteis. Importante neste caso é limitar e especificar a busca o máximo possível mediante operadores bouleianos ("e", "ou", "não","perto de"), para obter um número razoável de indicações e maior probabilidade de acertos.