Periodicidade Semestral
- Número 10 - Julho/Dezembro de 2004
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1. A PSICOGENÉTICA DE WALLON E A EDUCAÇÃO INFANTIL
Este artigo pretende apresentar alguns aspectos que evidenciem a
necessidade e validade de um estudo aprofundado da psicogenética walloniana
e de suas relações com a educação infantil, além
de refletir sobre uma possível metodologia a ser utilizada para enfrentar
este estudo.
Por Jytte Jull Jensen
Artigo apresentado no Seminário Internacional
“Homens no cuidado de crianças: visando uma cultura de responsabilidade,
divisão e reciprocidade entre gêneros no cuidado de crianças”
Ravenna, Itália – 21, 22 de Maio de 1993
Este artigo deve ser visto no contexto do igualitarismo e sua intenção
é contribuir para promover oportunidades iguais entre homens e mulheres
no que se refere a conciliar empregos e responsabilidades familiares. A
recomendação do Conselho de Ministros sobre cuidados infantis
adotada em 31 de março de 1992, possui um método completo
e recomenda aos Estados Membros iniciativas em quatro áreas: serviços
que forneçam cuidados para as crianças; licença para
pais trabalhadores; tornar o local de trabalho sensível/solidário
aos trabalhadores com filhos e, através do artigo 6, os Estados Membros
“devem promover e incentivar uma participação maior por parte
dos homens (no cuidado e educação das crianças)”, o
que significa homens cuidando de crianças não apenas como pais,
mas em outras funções como trabalhar no cuidado de crianças
profissionalmente.
A criança que ri na rua
A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo.
Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo
E tem qualquer coisa de amor,
Ainda que o amor seja mudo.
Fernando Pessoa
As reflexões tecidas ao longo deste texto constituem uma tentativa
de compreender os universos infantis, partindo da premissa de que as crianças
são sujeitos atuantes e, por isso, críticas e (co)construtoras
de seus “mundos”. Embora não estejam à parte do mundo dos
adultos, ou alheias aos artefatos culturais disponibilizados pela sociedade,
as crianças, “à sua moda”, (re)significam a realidade para
melhor entendê-la, ou como diria Walter Benjamim, constroem
um pequeno mundo inserido no grande.
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