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Periodicidade semestral - Número 16 - Julho/Dezembro de 2007
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SEÇÃO ARTIGOS


1. A CRIANÇA NA CRECHE E O SEU REMANEJAMENTO

Cláudia Regina Pinto Michelli*

        Este artigo trata do remanejamento de crianças numa instituição de Educação Infantil situada em uma cidade do estado de Santa Catarina, a partir da sua idade, tendo sido eixo central de uma pesquisa de mestrado, que teve, entre outros objetivos, o de analisar a fala das crianças, de seus pais e de educadoras em relação a esse processo.

        Apresenta-se, neste artigo, uma parte da pesquisa, na qual tivemos o intuito de ouvir o sujeito infantil no interior da creche, sendo que, para isso, optamos por entrevistar as crianças remanejadas, todas de 3 anos de idade, e considerar suas vozes e pontos de vista a partir dessa experiência específica. Consideramos que, ouvindo a criança falar sobre sua experiência em relação ao remanejamento, seria possível direcionar reflexões em torno dela no contexto da creche, bem como suscitar um olhar mais atento do adulto no sentido de considerá-la como alguém ativo, e não, passivo, para a inculcação de verdades. Além disso, se considerássemos somente a voz das educadoras e as nossas observações, enquanto pesquisadoras, as crianças transformar-se-iam em objetos, e não, em sujeitos.

* Mestre em Educação pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), situada em Blumenau, Santa Catarina. E-mail para contato: claudia@tpa.com.br

 

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2. Descaminhos da democratização da Educação na Infância*

Eloisa Acires Candal Rocha**

Os caminhos da democratização da educação da infância tem exigido a mobilização social e a luta política no sentido de garantir o acesso aos serviços educativos para as crianças pequenas e, paralelamente exige a definição de uma ação pedagógica conseqüente.

Em tempos neo-liberais os projetos educativos vêem-se seduzidos pelos apelos do mercado (capacitação de domínios básicos, flexibilização, etc.), pela ilusão da equiparação dos conhecimentos pela via da transmissão e do ensino de mão única ou, por outro lado, rendem-se aos anseios de uma igualdade de oportunidades focando-se apenas na criança como  individuo isolado e como vir-a-ser.

Afirmar a função educativa das creches e pré-escolas como parte do sistema educativo, no caso brasileiro, não tem sido suficiente para irmos além, no sentido de uma pedagogia que permita a construção de projetos educacionais – pedagógicos[1] que considerem sua vinculação social e política, ultrapassando o mito de uma infância que ignora os processos de dominação e reprodução da desigualdade social.

A curta duração da história da educação infantil no Brasil, e também em Portugal, não tem escapado da reprodução dos antigos binômios que deram base às pedagogias, currículos e práticas, seja de orientação “tradicional”/conservadora (onde ensinar é igual a transmitir e ao professor cabe dominar os processos de instrução e à criança – única, abstrata e natural – assimilar os conteúdos); seja de orientação “nova”/liberal (onde  criança – também única, abstrata e natural necessita para aprender que o professor conheça seus níveis de desenvolvimento e organize as condições para que ele ocorra).

Atualmente temos ainda nos deparado com perspectivas que se intitulam democráticas e no entanto, reiteram a necessidade de “transmissão de conteúdos, não ultrapassando um perfil que podemos definir como neo-conservador, na medida em que não rompem com os modelos de assimilação passiva que reafirmam as funções de reprodução hegemônica. Assim as bases curriculares dominantes colocam a centralidade da ação pedagógica com crianças pequenas, ora no pólo dos conteúdos disciplinares, ora nas áreas ou aspectos a desenvolver. Outros ainda tentam somar estas duas dimensões, cruzando procedimentos pedagógicos, entre atividades e projetos,  sem contudo romper com a base comum que os orienta: a criança e a infância como referências abstratas e universais. 

[1] Termo utilizado por Machado (1996)

*Comunicação apresentada no Congresso Educação e Democratização – 2 e 3 de Maio de 2007-                                                Aveiro - PT

**Este trabalho contou com a valiosa contribuição de Ângela Coutinho – integrante do NUPEIN e Doutoranda do IEC-UMINHO – PT

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3. Gênero e Escola: Por outras práticas educativas

Mara Rita Duarte de Oliveira*

Os estudos de gênero procuraram mostrar que as referencias culturais são sexualmente produzidas por meio de símbolos, jogos de significação e relações de poder, de parentesco, econômico e políticas. “As relações de gênero é uma construção cultural e social e como tal representa um processo contínuo e descontínuo de produção de lugares e poderes do homem e da mulher em cada cultura e sociedade” (OLIVEIRA, 1999:70).

Assim, Parafraseando LOURO (2003), a discussão sobre gênero tem por objetivo combater as relações autoritárias, questionar a rigidez dos padrões de conduta estabelecidos para homens e mulheres e apontar caminhos para a transformação dos paradigmas estabelecidos em torno da relação homens/mulheres na sociedade, o que nos possibilita repensar e discutir nossa participação social seja no espaço escolar seja em nossas relações afetivas, ou seja estabelecendo novas relações entre a subjetividade do outro e a nossa, respeitando as semelhanças  e diferenças, mas acima de tudo propondo-se ao diálogo com essas diferenças.

* Professora de Sociologia da Educação do Campus Universitário do Sul e Sudeste do Pará/UFPA

 

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A idéia original da publicação desta revista é da profa.  Eloisa A.C. Rocha que permanece a discutir os temas e a seleção dos assuntos.
 



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