Periodicidade semestral
-Número 16 -
Julho/Dezembro de 2007
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O QUE É BRINCAR?
O Artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança da
ONU diz o seguinte:
“Toda criança tem o direito ao descanso e ao lazer, e a participar de
atividades de jogo e recreação, apropriadas à sua idade, e a participar
livremente da vida cultural e das artes”.
Brincar é um comportamento espontâneo da criança. Observando-a por alguns instantes, você verá que ela começa a juntar pedrinhas, transforma uma caixinha de fósforos num carrinho, inventa personagens, transforma-se em pássaro...enfim, ela brinca!
Será que a criança está brincando apenas quando pega um carrinho ou quando inventa histórias com uma boneca? Essas são, sim, formas de brincar, mas existem outras bem mais simples e que passam por nós quase despercebidas no dia-a-dia.
Ao mudar objetos de lugar, esfregar a mão na mesa, brincar com bichos ou jogar uma caneta para o ar, a criança, além de brincar, está conhecendo o mundo ao seu redor por meio de seus sentidos. Infelizmente, comportamentos como esses, muitas vezes são repreendidos e condenados por serem considerados como "traquinagens". Entretanto esses momentos contribuem para a formação da criança tanto ou mais que brincadeiras com brinquedos industrializados. O importante é que pais e educadores dêem liberdade às crianças para que elas possam se expressar e vivenciar novas experiências, contudo devem mostrar as crianças que além da liberdade existem limites. .
Apesar do brincar ser um comportamento espontâneo da criança, o adulto deve criar situações que estimulem a brincadeira, sendo ele muitas vezes, a ponte entre a criança e o novo conhecimento.
O
BRINCAR E SUA IMPORTÂNCIA
No brincar espontâneo, na "fantasia", a criança exterioriza sua realidade interior, libera sentimentos e expressa opiniões. Por meio da brincadeira, a criança aprende a seguir regras, experimenta formas de comportamento e se socializa, descobrindo o mundo ao seu redor. Por isso, a brincadeira tem um papel decisivo nas relações entre a criança e o adulto, entre as próprias crianças e entre a criança e o meio ambiente.
Brincando, a criança pode vivenciar uma mesma situação diversas vezes. Isso, além de permitir que ela repita brincadeiras que lhe dão prazer, possibilita que ela solucione problemas e aprenda processos e comportamentos estabelecidos na cultura em que vive.
É importante que a criança tenha um tempo livre, sem atividades agendadas, no qual possa escolher o que quer fazer, inventar coisas, jogar, conviver com amiguinhos sem um objetivo estabelecido pelo adulto.
Há uma grande preocupação com a formação da criança. Pais e educadores buscam meios de torná-las responsáveis, equilibradas, atenciosas, trabalhadeiras e esquecem-se de que o brincar também é uma ferramenta para que a criança desenvolva essas qualidades. Brincar é também um ato de aprendizagem.
ASPECTOS
DA BRINCADEIRA
Oferecer oportunidades para que a criança brinque é algo muito importante, mas é preciso que pais e educadores contribuam de muitas outras maneiras.
Uma delas é dar um bom exemplo. A criança se espelha naqueles que cuidam de sua educação, portanto é importante que pais e educadores mostrem a ela que brincar é algo divertido e valorizado. Participe das fantasias! Isso estimulará suas crianças a soltar a imaginação.
Toda criança tem seu próprio ritmo, inclusive para brincar. Isso deve ser levado em consideração para que o ato de brincar não se torne uma atividade estressante. Vivenciar experiências com prazer é, muitas vezes, mais importante que concluir tarefas com eficiência. A criança precisa de tempo e espaço para brincar. Cabe a pais e educadores balancear o tempo destinado à brincadeira na escola, em casa, na rua, em parques, etc. O importante é que a criança tenha tempo para brincar em vários tipos de espaço. A riqueza de oportunidades, seja em relação ao tempo, seja em relação à variedade do espaço, contribui decisivamente para o desenvolvimento infantil.
Os companheiros de brincadeira também são muito importantes. Diferentes companhias geram diferentes tipos de brincadeiras e estabelecem diferentes relações com a criança. Portanto é interessante que a criança brinque com amigos da mesma idade, amigos mais velhos e mais novos, pais, familiares, vizinhos, etc. Cada uma dessas pessoas pode estimular coisas diferentes numa criança, diversificando sua relação com o mundo em que vive. É interessante, também, que a criança seja capaz de brincar sozinha, usando sua imaginação para criar e organizar situações novas.
Os brinquedos e objetos usados pela criança durante a brincadeira também contribuem muito para seu aprendizado, pois cada um deles causa uma sensação diferente e oferece possibilidades diversas. Uma criança devidamente estimulada pode descobrir brincadeiras tanto em coisas da natureza como em brinquedos sofisticados.
É preciso não confundir a qualidade do brincar com a quantidade de brinquedos. Hoje, a propaganda está em toda parte e estimula a compra de todo tipo de brinquedo. Isso leva a criança a pedir coisas com as quais irá brincar muito pouco, já que muitos brinquedos são exageradamente específicos e limitam a imaginação. Pais, educadores e as próprias crianças devem consolidar a consciência de que não é o preço nem a quantidade de brinquedos que garantem a diversão. Brinquedos e objetos simples podem proporcionar momentos de muita alegria e aprendizagem. A criatividade é uma importante ferramenta para o brincar. Brincar é possível com e sem brinquedos. Importante mesmo é usar a imaginação.
EVOLUÇÃO
DO BRINCAR
"Brincar é coisa de criança". Você provavelmente já ouviu (ou já disse) essa frase. Mas será que é isso mesmo?
Na Antigüidade, crianças de diversas idades e de ambos os sexos ficavam em locais abertos, livres, e a brincadeira tinha um caráter coletivo e de integração. Subir em árvores, correr pelos campos, colher frutas já eram garantia de diversão. Além disso, muitos dos brinquedos eram construídos nas próprias comunidades.
As brincadeiras são transmitidas e alteradas de geração para geração. Elas constituem um patrimônio cultural de uma comunidade, já que transmitem valores, costumes e pensamentos de um grupo de pessoas. Isto significa que à medida em que muda a sociedade a brincadeira não fica parada no tempo.
Com o crescimento das cidades, a correria do dia-a-dia, a alteração de hábitos de convivência, etc. reduziu-se o espaço e o tempo para brincar. Os avanços tecnológicos afetaram as brincadeiras, alterando, em muitos aspectos, a forma de interação entre as crianças. A publicidade passou a estimular excessivamente o consumo em geral e, em especial, o consumo de brinquedos industrializados.
Será que tais mudanças são todas apenas mudanças negativas? É claro que não. Hoje os brinquedos são mais fiscalizados para que apresentem boa qualidade e segurança. As inovações tecnológicas criaram uma infinidade de novos brinquedos que permitem que a criança se divirta apesar do pouco espaço. Apesar disso tudo, pais e educadores devem saber dosar os diferentes tipos de brincar e estimular as crianças a diversificarem suas brincadeiras, utilizando para isso brinquedos, objetos e situações variados.
Hoje em muitas escolas, bibliotecas públicas, foram criados espaços que proporcionam as crianças a estarem brincando. A estes foi dado o nome de BRINQUEDOTECA.
O QUE É BRINQUEDOTECA?
A brinquedoteca é um espaço destinado a estimular o ato de brincar na criança. Ali, brinquedos são disponibilizados para que atividades lúdicas sejam desenvolvidas e para que as crianças interajam entre si.
A decoração, a atmosfera criada, a companhia de amigos, tudo visa estimular a criança a se entregar à diversão sem receio. Os brinquedos são socializados e alegrias são compartilhadas.
A brinquedoteca busca ampliar e diversificar o espaço da brincadeira na vida das crianças e atenuar aspectos negativos da realidade atual: pouco espaço, tempo e oportunidade para brincar.
A brinquedoteca é um ponto de encontro da brincadeira.
TIPOS DE BRINQUEDOTECAS
Existem brinquedotecas em diversos locais, tais como escolas, hospitais, universidades, centros culturais, etc. O tipo de brinquedoteca e as atividades oferecidas variam de acordo com a comunidade a que se destinam e com as possibilidades dos organizadores. Em algumas, além de espaço e brinquedos para brincar, há empréstimo de brinquedos, oficinas culturais e orientação para pais e profissionais.
* Adaptado de http://www.enaol.com/estudantes/alunos_inf/pais_prof.htm