Periodicidade Semestral - Número 5 - Janeiro/Julho de 2002
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SEÇÃO ENTREVISTA
 



PROFESSOR APONTA A DISLEXIA COMO MAIOR CAUSA DO FRACASSO ESCOLAR.

Preocupado com a freqüência com que tem vindo a aumentar a dislexia na comunidade escolar, o professor de lingüística e Leitura do Curso de Letras da UVA, em Sobral (CE), Vicente Martins, vem disponibilizando informações, na Internet, sobre a problemática das dificuldades de aprendizagem relacionadas à linguagem. Há pouco mais de três meses com sites na UOL e na HPG, o professor Vicente Martins já recebeu mais de 8 mil visitas. Aos 39 anos, o professor Vicente Martins é graduado e pós-graduado em Letras pela UECE com mestrado em educação pela UFC. Os links http://www.dislexiologia.hpg.com.br e http://sites.uol.com.br/vicente.mairtins são os mais procurados pelos internautas interessados em assuntos relativos à dislexia (dificuldade de ler), disgrafia (dificuldade de coordenação motora na hora de escrever ) e disortografia (dificuldade de escrever corretamente). Por dia, o professor chega a receber entre 15 a 30 e-mails com pedido de informações e relatos sobre as dificuldades de aprendizagem relacionadas à linguagem. O endereço eletrônico do professor é: vicente.martins@uol.com.br.

Nos últimos sete anos, o professor Vicente Martins vem desenvolvendo estudos sobre a contribuição da lingüística para o diagnóstico da dislexia. A dislexia é uma perturbação ou transtorno ao nível de leitura. A criança dislÉXICA é um mau leitor: é capaz de ler, mas não é capaz de entender eficientemente o que lê. A estimativa do professor é a de que, no Brasil, pelo menos, 15 milhões crianças e jovens sofram com distúrbios de letras. Para o professor, a dislexia é a maior causa do baixo rendimento escolar. Segundo o professor Vicente Martins, a linguagem é fundamental para o sucesso escolar. Ela está presente em todas as disciplinas e todos os professores são potencialmente professores de linguagem, porque utilizam a língua materna como instrumento de transmissão de informações. Muitas vezes uma dificuldade no ensino da matemática está relacionada à compreensão do enunciado do que ao processo operatório da solução do problema. Os disléxicos em geral sofrem com a discalculia (dificuldade de calcular) porque encontram dificuldade de compreender os enunciados das questões. O professor defende o diagnóstico precoce da dislexia já nos primeiros anos de educação infantil, envolvendo as crianças de 4 a 5 anos de idade. Quando não se diagnostica a dislexia, ainda na educação infantil, o distúrbios de letras podem levar crianças de 8 a 9, no ensino fundamental, a apresentar perturbações de ordem emocional, efetiva e lingüística. " Uma criança disléxica encontra dificuldade de lê e as frustrações acumuladas podem conduzir a comportamentos anti-sociais, à agressividade e a uma situação de marginalização progressiva", adverte. Indicadores da dislexia - O professor Vicente Martins diz que os pais, professores e educadores devem estar atentar a dois importantes indicadores para o diagnóstico precoce da dislexia: a história pessoal do aluno e as suas manifestações lingüísticas nas aulas de leitura e escrita. A orientação do professor Vicente Martins é a de que, quando os professores se depararem com crianças inteligentes, saudáveis, mas com dificuldade de ler e entender o que lê, investiguem imediatamente se há existência de casos de dislexia na família. A história pessoal de um disléxico, geralmente, traz traços comuns como o atraso na aquisição da linguagem, atrasos na locomoção e problemas de dominância lateral. Estes dados poderão ser de grande utilidade para profissionais como psicólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos que atuam no processo de reeducação lingüística das crianças disléxicas. No plano da linguagem, os disléxicos, segundo o professor, fazem confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia como "a-o", "e-d", "h-n" e "e-d", por exemplo. As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio. As crianças disléxicas, ainda segundo o professor, apresentam confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como " b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "d-p", "d-q", "n-u" e "a-e". A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q", por exemplo. Na lista de dificuldades dos disléxicos, para o diagnóstico precoce dos distúrbios de letras, o professor Vicente Martins chama a atenção de educadores, professores e pais para as inversões de sílabas ou palavras como "sol-los", "som-mos" bem como a adição ou omissão de sons como "casa-casaco", repetição de sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de palavras. Indagado se o mau uso do computador pode levar a criança a ter algum distúrbio de letras, o professor Vicente Martins diz que, até agora, não há estudos científicos sobre o assunto, mas, pelo relato de pais e professores, dirigidos ao seu site, na Internet, revelam que posições pouco ergonômicas perante a um computador, pode comprometer o sistema perceptivo da criança, levando à dificuldade de leitura e escrita. O professor acredita também que o transporte inadequado de mochilas pode também comprometer o sistema perceptivo da crianças, de modo a embaraçar sua visão na hora de ler ou escrever



Web site: dislexiologia.hpg.com.br
Autor: Vicente Martins

  Dislexia e educação especial



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As seções deste número foram organizadas pelo prof.  João Josué da Silva Filho , reponsável também pela criação do lay-out das páginas e pela edição na internet. Os textos foram produzidos por pesquisadores e mestrandos vinculados ao NEE0A6, os quais estão nominadas em cada matéria específica.
Cooperaram com a organização as profas. Eloisa A.C. Rocha e Ana Beatriz Cerisara que ajudaram a discutir os temas e selecionar os assuntos.


 

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