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Nos últimos
sete anos, o professor Vicente Martins vem desenvolvendo estudos sobre
a contribuição da lingüística para o diagnóstico
da dislexia. A dislexia é uma perturbação ou transtorno
ao nível de leitura. A criança dislÉXICA é um
mau leitor: é capaz de ler, mas não é capaz de entender
eficientemente o que lê. A estimativa do professor é a de que,
no Brasil, pelo menos, 15 milhões crianças e jovens sofram
com distúrbios de letras. Para o professor, a dislexia é a
maior causa do baixo rendimento escolar. Segundo o professor Vicente Martins,
a linguagem é fundamental para o sucesso escolar. Ela está presente
em todas as disciplinas e todos os professores são potencialmente professores
de linguagem, porque utilizam a língua materna como instrumento de
transmissão de informações. Muitas vezes uma dificuldade
no ensino da matemática está relacionada à compreensão
do enunciado do que ao processo operatório da solução
do problema. Os disléxicos em geral sofrem com a discalculia (dificuldade
de calcular) porque encontram dificuldade de compreender os enunciados das
questões. O professor defende o diagnóstico precoce da dislexia
já nos primeiros anos de educação infantil, envolvendo
as crianças de 4 a 5 anos de idade. Quando não se diagnostica
a dislexia, ainda na educação infantil, o distúrbios
de letras podem levar crianças de 8 a 9, no ensino fundamental, a
apresentar perturbações de ordem emocional, efetiva e lingüística.
" Uma criança disléxica encontra dificuldade de lê e
as frustrações acumuladas podem conduzir a comportamentos anti-sociais,
à agressividade e a uma situação de marginalização
progressiva", adverte. Indicadores da dislexia - O professor Vicente Martins
diz que os pais, professores e educadores devem estar atentar a dois importantes
indicadores para o diagnóstico precoce da dislexia: a história
pessoal do aluno e as suas manifestações lingüísticas
nas aulas de leitura e escrita. A orientação do professor Vicente
Martins é a de que, quando os professores se depararem com crianças
inteligentes, saudáveis, mas com dificuldade de ler e entender o que
lê, investiguem imediatamente se há existência de casos
de dislexia na família. A história pessoal de um disléxico,
geralmente, traz traços comuns como o atraso na aquisição
da linguagem, atrasos na locomoção e problemas de dominância
lateral. Estes dados poderão ser de grande utilidade para profissionais
como psicólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos que atuam
no processo de reeducação lingüística das crianças
disléxicas. No plano da linguagem, os disléxicos, segundo o
professor, fazem confusão entre letras, sílabas ou palavras
com diferenças sutis de grafia como "a-o", "e-d", "h-n" e "e-d", por
exemplo. As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito
defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando,
assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio.
As crianças disléxicas, ainda segundo o professor, apresentam
confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação
no espaço como " b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "d-p", "d-q", "n-u" e
"a-e". A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação
comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q",
por exemplo. Na lista de dificuldades dos disléxicos, para o diagnóstico
precoce dos distúrbios de letras, o professor Vicente Martins chama
a atenção de educadores, professores e pais para as inversões
de sílabas ou palavras como "sol-los", "som-mos" bem como a adição
ou omissão de sons como "casa-casaco", repetição de
sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de
palavras. Indagado se o mau uso do computador pode levar a criança
a ter algum distúrbio de letras, o professor Vicente Martins diz que,
até agora, não há estudos científicos sobre o
assunto, mas, pelo relato de pais e professores, dirigidos ao seu site, na
Internet, revelam que posições pouco ergonômicas perante
a um computador, pode comprometer o sistema perceptivo da criança,
levando à dificuldade de leitura e escrita. O professor acredita também
que o transporte inadequado de mochilas pode também comprometer o
sistema perceptivo da crianças, de modo a embaraçar sua visão
na hora de ler ou escrever
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