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Periodicidade Semestral
- Número 2 - Jul./Dez. 2000
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SEÇÃO ENTREVISTA
Em conversa informal com a professora Maria Carmen,
por ocasião do Seminário de comemoração aos 20 anos do Núcleo de Desenvolvimento
Infantil NDI/UFSC - A infância sob um olhar multidisciplinar, tivemos a
oportunidade de conhecer um pouco sobre a tese de doutorado dela e sobre as
considerações que faz a respeito da rotina na Educação Infantil. O TEMA - " Meu trabalho de Doutorado é relacionado à rotina
na escola. A questão da rotina para mim como educadora era difícil porque eu sempre fui
uma pessoa meio desorganizada. Em função dessa minha inabilidade de lidar com horários
e o descontrole que a rotina fazia sobre minha vida, resolvi escolher um tema que na
supervisão de estágio inquietava também as alunas, pois haviam escolas que tinham
rotinas pré-determinadas, igual para todas as classes, do berçário aos seis anos. Penso
que isso é um absurdo, porque as necessidades das crianças são diferentes. Aí eu
resolvi colocar esta questão, só que eu não queria fazer um estudo da rotina dentro da
escola. QUESTÕES INICIAIS
OS PRIMEIROS ACHADOS
Até a modernidade as crianças e velhos ficavam todos juntos nos grandes asilos, nos hospitais, não existia o específico. Foi exatamente na modernidade que surgiram essas instituições todas, aí é que vai se trabalhar com o específico: hóspede vai para hotel; louco para hospício; doente para hospital. Pode-se ver que a raiz de tudo é ho, tudo a mesma origem porque era a mesma instituição que abrigava a todos. E estas instituições vão se constituir na modernidade com este regramento, com esta normatividade. A pesquisa também se estendeu ao campo da Sociologia, da Antropologia, da Filosofia, onde questões da religião também vão aparecer na constituição da rotina. Assim, a primeira fase da tese foi tentar organizar a
parte mais social da rotina, como ela chegou na Educação Infantil. COTIDIANO OU ROTINA?
A segunda parte do trabalho foi a revisão de literatura dos grandes pedagogos: Froebel, Pestalozzi, Montessori, Dewey. O que esses autores falam de rotina? Depois procurei na literatura brasileira contemporânea o que se fala sobre rotina. Eu vou um pouco por aí, fazendo uma distinção entre
rotina e cotidiano. O cotidiano é o tempo vivido pela gente; a rotina é uma
construção que se faz para organizar o cotidiano. Tento separar porque existe muita
gente usando rotina e cotidiano como sinônimos. METODOLOGIA
Fiz um trabalho de observações participativas
em 3 escolas: duas públicas e uma privada. Penso a rotina a partir do tempo: como é
vivido o tempo na rotina? PEDAGOGIAS DAS ROTINAS Chego a diferentes tipos de pedagogias: nas pedagogias
das rotinas. Aí eu trabalho um pouco com a antinomia das pedagogias. Geralmente é assim: ou ela é flexível ou é
inflexível; ou ela leva em consideração mais a natureza, a assistência, a higiene, a
limpeza ou mais a cultura, a questão da informação... As conclusões são um pouco em termos de se fazer uma
vida cotidiana alegre, saudável, interessante, não uma vida rotinizada, monótona,
repetitiva. Existe um tempo de repetição porque nossa ambigüidade vai ter o repetível
e o novo. Alguns momentos da repetição até determinado momento são muito importantes,
são constitutivos do sujeito para que ele se organize. É essa a questão: de superar as
antinomias e trabalhar com as duas juntas, na tensão, pela complexidade da ação
pedagógica. Professora do Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS Pesquisadora da área da Educação Infantil Integrante do Grupo de Educação Infantil (GEIN/UFRGS) Doutora em Educação pela UNICAMP Título da Tese: Pôr amor e força: rotinas na Educação Infantil. Campinas, São Paulo, 2000. Antinomias que permeiam as práticas discursivas da Educação Infantil: Segurança & Imposição; Cuidado & Educação; Coletivo & Individual; Trabalho & Brincadeira; Criança & Aluno; Iniciativa & Obstáculos; Fixo & Transformáveis; Homogêneo & Heterogêneo; Ação & Contenção; Separação & Encontro; Livre E Dirigido; Atenção & Controle; Imposição & Proposição; Cultura Da Infância & Cultura Infantil; Prazer & Desprazer; Repressão & Resistência; Submissão À Uma Pedagogia; Igualdade E Diversidade; Código Forte E Código Fraco; Confiança & Risco; Mantenedora & Inovadora; Adultos & Crianças; Dependente & Independentte; Socialização & Sociabilidade; Institucional & Doméstico; Público & Privado; Símbolos & Alegorias; Mesma Idade & Idades Diferentes; Variação & Repetição; Masculino & Feminino; Exterior & Interior; Poder Centralizado & Poder Capilar; Ocupado & Ocioso; Ensino & Aprendizagem; Autonomia e Heteronomia; Conhecimento Cotidiano & Conhecimento Científico; Famílias Incluídas & Famílias Excluídas; Disciplinas Imposta & Organização Espontânea; Inovação & Tradição; Resistência & Conformismo; Coadjuvante & Protagonista; Espontâneo & Dirigido; Coesão Do Grupo & Autonomia Individual; Massificadas & Individualizadas; Fechada À Comunidade & Aberta À Comunidade; Esperado & Inusitado; Diferente & Habitual; Conteúdo & Expressão; Solitário & Solidário; Cooperativo & Competitivo; Liberdade & Norma; Particular & Universal; Mostrar & Esconder; Privacidade & Publicização; Convicção & Tolerância; Natural & Cultural; Aceitação & Recusa; Criação & Tradição; Obrigatório & Suplementar (Barbosa, Maria Carmen S. Pôr amor e força: rotinas na Educação Infantil. (Tese de Doutorado) Campinas, SP, 2000).
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E-mail: zeroseis@ced.ufsc.br
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