Periodicidade Semestral - Número 2 - Jul./Dez. 2000
(Página melhor visualizada com a resolução 800X600)

 

SEÇÃO ENTREVISTA

PÔR AMOR E FORÇA: Rotinas na Educação Infantil.

Profa. Maria Carmem Silveira Barbosa

Entrevistada realizada pelas acadêmicas:

Aline Nunes Ricci, Fabiana Gonçalves

Geisyara Morgana Borges, Josiana Piccolli

Simone da Silveira

Em conversa informal com a professora Maria Carmen, por ocasião do Seminário de comemoração aos 20 anos do Núcleo de Desenvolvimento Infantil – NDI/UFSC - A infância sob um olhar multidisciplinar, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco sobre a tese de doutorado dela e sobre as considerações que faz a respeito da rotina na Educação Infantil.

O TEMA

- " Meu trabalho de Doutorado é relacionado à rotina na escola. A questão da rotina para mim como educadora era difícil porque eu sempre fui uma pessoa meio desorganizada. Em função dessa minha inabilidade de lidar com horários e o descontrole que a rotina fazia sobre minha vida, resolvi escolher um tema que na supervisão de estágio inquietava também as alunas, pois haviam escolas que tinham rotinas pré-determinadas, igual para todas as classes, do berçário aos seis anos. Penso que isso é um absurdo, porque as necessidades das crianças são diferentes. Aí eu resolvi colocar esta questão, só que eu não queria fazer um estudo da rotina dentro da escola. 

QUESTÕES INICIAIS

LI0059.JPG (19667 bytes)

- A minha primeira pergunta era: Por que é que se organiza o trabalho pedagógico em torno da rotina na educação infantil? 

Comecei a levantar hipóteses: Será que isso é uma herança da puericultura, será que é uma herança do higienismo? Então, resolvi pesquisar na história e compreender como é esta questão de se constituir uma vida rotinizada. 

OS PRIMEIROS ACHADOS

Até a modernidade as crianças e velhos ficavam todos juntos nos grandes asilos, nos hospitais, não existia o específico. Foi exatamente na modernidade que surgiram essas instituições todas, aí é que vai se trabalhar com o específico: spede vai para hotel; louco para hospício; doente para hospital. Pode-se ver que a raiz de tudo é ho, tudo a mesma origem porque era a mesma instituição que abrigava a todos. E estas instituições vão se constituir na modernidade com este regramento, com esta normatividade. 

A pesquisa também se estendeu ao campo da Sociologia, da Antropologia, da Filosofia, onde questões da religião também vão aparecer na constituição da rotina. 

Assim, a primeira fase da tese foi tentar organizar a parte mais social da rotina, como ela chegou na Educação Infantil.

COTIDIANO OU ROTINA?

A segunda parte do trabalho foi a revisão de literatura dos grandes pedagogos: Froebel, Pestalozzi, Montessori, Dewey. O que esses autores falam de rotina? Depois procurei na literatura brasileira contemporânea o que se fala sobre rotina. 

Eu vou um pouco por aí, fazendo uma distinção entre rotina e cotidiano. O cotidiano é o tempo vivido pela gente; a rotina é uma construção que se faz para organizar o cotidiano. Tento separar porque existe muita gente usando rotina e cotidiano como sinônimos. 

METODOLOGIA

Fiz um trabalho de observações participativas em 3 escolas: duas públicas e uma privada. Penso a rotina a partir do tempo: como é vivido o tempo na rotina? 

PEDAGOGIAS DAS ROTINAS

Chego a diferentes tipos de pedagogias: nas pedagogias das rotinas. Aí eu trabalho um pouco com a antinomia  das pedagogias. Geralmente é assim: ou ela é flexível ou é inflexível; ou ela leva em consideração mais a natureza, a assistência, a higiene, a limpeza ou mais a cultura, a questão da informação...

CONCLUSÕES 

As conclusões são um pouco em termos de se fazer uma vida cotidiana alegre, saudável, interessante, não uma vida rotinizada, monótona, repetitiva. Existe um tempo de repetição porque nossa ambigüidade vai ter o repetível e o novo. Alguns momentos da repetição até determinado momento são muito importantes, são constitutivos do sujeito para que ele se organize. É essa a questão: de superar as antinomias e trabalhar com as duas juntas, na tensão, pela complexidade da ação pedagógica. 
 


Maria Carmem Silveira Barbosa

Professora do Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Pesquisadora da área da Educação Infantil

Integrante do Grupo de Educação Infantil (GEIN/UFRGS)

Doutora em Educação pela UNICAMP

Título da Tese: Pôr amor e força: rotinas na Educação Infantil. Campinas, São Paulo, 2000.

Voltar ao início


Antinomias que permeiam as práticas discursivas da Educação Infantil:

Segurança & Imposição; Cuidado & Educação; Coletivo & Individual; Trabalho & Brincadeira; Criança & Aluno; Iniciativa & Obstáculos; Fixo & Transformáveis; Homogêneo & Heterogêneo; Ação & Contenção; Separação & Encontro; Livre E Dirigido; Atenção & Controle; Imposição & Proposição; Cultura Da Infância & Cultura Infantil; Prazer & Desprazer; Repressão & Resistência; Submissão À Uma Pedagogia; Igualdade E Diversidade; Código Forte E Código Fraco; Confiança & Risco; Mantenedora & Inovadora; Adultos & Crianças; Dependente & Independentte; Socialização & Sociabilidade; Institucional & Doméstico; Público & Privado; Símbolos & Alegorias; Mesma Idade & Idades Diferentes; Variação & Repetição; Masculino & Feminino; Exterior & Interior; Poder Centralizado & Poder Capilar; Ocupado & Ocioso; Ensino & Aprendizagem; Autonomia e Heteronomia; Conhecimento Cotidiano & Conhecimento Científico; Famílias Incluídas & Famílias Excluídas; Disciplinas Imposta & Organização Espontânea; Inovação & Tradição; Resistência & Conformismo; Coadjuvante & Protagonista; Espontâneo & Dirigido; Coesão Do Grupo & Autonomia Individual; Massificadas & Individualizadas; Fechada À Comunidade & Aberta À Comunidade; Esperado & Inusitado; Diferente & Habitual; Conteúdo & Expressão; Solitário & Solidário; Cooperativo & Competitivo; Liberdade & Norma; Particular & Universal; Mostrar & Esconder; Privacidade & Publicização; Convicção & Tolerância; Natural & Cultural; Aceitação & Recusa; Criação & Tradição; Obrigatório & Suplementar (Barbosa, Maria Carmen S. Pôr amor e força: rotinas na Educação Infantil. (Tese de Doutorado) Campinas, SP, 2000).

Voltar

 


           E-mail: zeroseis@ced.ufsc.br


SUMÁRIO

SUMÁRIO GERAL DE ARTIGOS

EXPEDIENTE


  VISITE O NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL
 

Números já Publicados

Número 1   Número 2   Número 3   Número 4   Número 5   Número 6

Número 7  Número 8   Número 9   Número 10   Número 11  

 Número 12   Número 13   Número 14   Número 15   Número 16



webmaster:

Prof. João Josué da Silva Filho