Periodicidade
Semestral - Número 5 - Janeiro/Julho de 2002
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A IMPORTÂNCIA
DAS BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Adriana Elza Cúrcio
Cristina de Souza
Elisangela Aparecida Carvalho
Grasiela Valério
O presente artigo apresenta algumas reflexões
acerca da importância das brincadeiras na educação
infantil (crianças de 0 a 6 anos). As brincadeiras constituem-se
como uma característica principal da infância, principalmente
entre 0 a 6 anos, mas que nem sempre está presente nas instituições
que atendem esta faixa etária.
As brincadeiras para as crianças são
momentos em que ela pode representar as experiências que vivem entre
os adultos. É através das brincadeiras que as crianças
ampliam os conhecimentos sobre si, sobre o mundo e sobre tudo que está
ao seu redor. Elas manipulam e exploram os objetos, comunicam-se com outras
crianças e adultos, desenvolvem suas múltiplas linguagens,
organizam seus pensamentos, descobrem regras, tomam decisões.Porém,
mesmo reconhecendo que as crianças ao brincar são criativas,
e que brincando elas estão interagindo com os outros, muitas vezes,
a brincadeira não é valorizada. As crianças são
vistas como submissas aos adultos nada produtivas.
“Brincando a criança pode tornar-se algo que não é, ou melhor, que ainda não é (através da brincadeira a criança pode ser o que quiser), agir com objetos substitutivos, interagir segundo padrões não determinados pela realidade do espaço social em que vive e ultrapassar os limites que lhe são apresentados”. (PRADO,1999:02).
As crianças
quando brincam não estão interessadas no resultado que a
brincadeira possa lhes trazer, suas atenções estão
voltadas para a atividade em si, o que ela quer é brincar.As brincadeiras
entre as crianças variam: pode ser tanto somente entre as meninas:
casinha, mamãe e filhinha, ou de meninos: carrinho, de luta entre
alguns meninos, ou até entre as meninas e os meninos juntos, fazendo
bolinho de areia, brincando de pega-pega.
As crianças
pequenas apresentam uma forma própria de perceber e explorar o ambiente,
de manter contato com as outras crianças, mesmo que elas ainda não
façam uso da linguagem oral, através do movimento corporal,
gestual, elas se comunicam. O adulto ao se permitir brincar com as crianças,
sem envergonhar-se disto, poderá ampliar, estruturar, modificar
e incrementar as experiências das crianças.
Ao participar
junto com as crianças das brincadeiras, ambos aprendem através
da interação, constroem significados
“apropriando-se dos diversos bens culturais e se construindo ao mesmo tempo, entre lembranças de adultos que brincavam quando crianças ou não, entre novas brincadeiras relembradas, aprendidas ou inventados exibindo que, mais do que coisa de criança, elas são de todos aqueles que ousaram tornar-se criança também”. (PRADO,1999:13).
O lugar ocupado pelas crianças numa determinada cultura, a educação que as mesmas recebem, e as relações que elas estabelecem com os sujeitos de seu meio, permitirão compreender melhor o cotidiano infantil. Segundo Bruner “a brincadeira é importante para a exploração. A ausência de pressão do ambiente cria, um clima propício para investigações necessárias a solução de problemas. Assim, brincar leva a criança tornar-se mais flexível e buscar alternativas de ação”. (Bruner apud Kishimoto, 1999:26).
As crianças quando querem brincar não utilizam somente o imaginário, mas também o afetivo, o corpo, o sonho, o prazer, o riso, o movimento, elas acabam criando uma nova roupagem para o já existente. Segundo Prado (1999), “A cultura infantil é um produto coletivo dos grupos infantis, sendo a creche um novo espaço da criança pequena, espaço de trocas infantis, garantindo e comprometido com a educação Infantil que deve garantir, portanto, o tempo de viver a infância, não furtando o direito a brincadeira, ao lúdico, as diversas formas de expressão das crianças, as suas múltiplas linguagens, as relações que estabelecem na construção e criação de brincadeiras, formas de brincar e seus significados”.
Se criar cultura é algo humano, as crianças pequenas também criam, pois elas criam e recriam muitas brincadeiras, reelaboram e resignificam. Elas apropriam-se dos objetos e dos brinquedos de formas diversificadas, mas nem sempre tudo que é por elas modificado supera as expectativas dos adultos.
Reconhecer que as crianças são seres criativos e complexos, é saber reconhecer que elas possuem direitos e entre vários está o direito ao brincar que não se limita somente em representar a realidade aparente, ela cuida em alarga-la, condensa-la, intensifica-la conduzi-la para novos caminhos, em que ela como protagonista ganha a cena.
Na pesquisa intitulada: ”As crianças no interior da creche: A educação e o cuidado nos momentos de sono, higiene e alimentação” Coutinho utilizou conhecimentos já produzidos por outras áreas que trazem valiosas contribuições para o estudo da infância sob diferentes enfoques. A autora cita a pesquisa realizada por Florestan Fernandes “As Trocinhas do Bom Retiro” (1961), pesquisa esta realizada para a disciplina de Sociologia (1944). O autor busca perceber nas crianças suas culturas por meio das brincadeiras tradicionais realizadas nas ruas (por meninos e meninas).
De acordo com a autora, Florestan
Fernandes, desde aquela época (1944) já busca observar o
que é próprio das crianças, a sua criação,
seus saberes, sem perguntar as crianças, apenas observando, buscando
entender o que fazem, como se relacionam, se agrupam. Esse estudo exige,
é claro, um tempo e uma proximidade maior com o grupo para que se
possa fazer uma análise ampla das vivências desses grupos
infantis. Florestan Fernandes considera que as culturas infantis provêm
das culturas do adulto. As crianças intervêm sobre ela e transmitem
para os outros, acrescentam algo que é seu, que é próprio
do universo infantil. Sendo assim as crianças também são
produtoras de cultura e não meras receptoras ou copiadoras.
Ainda segundo
Coutinho (2002), mesmo que não estejamos totalmente preparados para
compreender o significado real das expressões das crianças,
sabemos que a partir do que temos conseguido, estamos indo pelo caminho
certo, voltando nosso olhar para as manifestações das crianças
no sentido de tentar interpretá-las e compreendê-las, observando
o seu jeito de ser, os conhecimentos que são próprios da
infância e não induzi-las para as respostas que procuramos
obter.
Referências Bibliográficas:
COUTINHO, Ângela M. S. As crianças no interior da creche: A educação e o cuidado nos momentos de sono, higiene e alimentação. Dissertação de Mestrado. Ilha de Santa Catarina, UFSC, Fevereiro de 2002.
KISHIMOTO, Tizuko Mochida. Jogos Infantis: o jogo, a criança e educação. 5ªed. Petrópolis,RJ: Vozes,1993.
____________. Jogo, brinquedo, brincadeira e a Educação. 3ªed. São Paulo; Cortez, 1999.
PRADO, Patrícia Dias. As crianças pequenininhas produzem cultura? Considerações sobre educação e cultura infantil em creche. Campinas: Proposições, vol.10, nº1(28), março de 1999.
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