"RELATO DE EXPERIÊNCIA NO COTIDIANO
DA EDUCAÇÃO INFANTIL"
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Anotado pelas acadêmicas:
Eliane M. M. Madureira
Eveland Deiconclili Caetano
Fabiana Meurer Silvino |
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Em uma
tarde de sol, caminhávamos nós na “floresta” com as crianças e o
professor. A “floresta”, assim denominada pelas crianças, nada mais era
do que um terreno situado ao lado da Creche "Fermínio Francisco Vieira",
no Córrego Grande, bairro de Florianópolis, onde um grupo de estagiárias
está vivenciando sua prática.
Entre borboletas, árvores,
folhagens e gravetos, o grupo de vinte e seis crianças, com idade entre
cinco e seis anos, seguia junto com as estagiárias e o professor numa
pequena trilha.
- Cuidado com a cobra! Não se
esqueçam de pulá-la!
Grita o
professor causando um grande alvoroço entre as crianças. Eis que de
repente surge por entre a folhagem um grande descampado. Livres como
pássaros, as crianças começaram a correr em direção ao morro. Elas
queriam trepar numa árvore localizada na subida do morro. O professor
deixou que o grupo satisfizesse a sua vontade. |
- Teria sido só está ?
Não, o professor teve que entrar no mato para pegar uma
carcaça de bicicleta abandonada que estava chamando atenção das crianças.
Ufa! Depois de tantas curiosidades começa mais uma
atividade.
- Atividade, que atividade?
- Esqueceu que estamos numa aula de Educação Física!
Educação Física na Educação Infantil? Que baita!!!
Após muita correria, jogos e brincadeiras que
trabalharam com o tato e a audição a das crianças, o grupo se reuniu para
retornar à creche. No caminho de volta, o professor pegou uma borboleta, entre algumas
flores, a fim de mostrar suas anteninhas para as crianças e depois a liberou.
- Véio Zuza, véio Zuza!! -
Chamam as crianças.
- Onde estará o véio Zuza? - Pergunta o
professor. E como um toque de mágica, após sair detrás de uma árvore com um pedaço de
pau na mão como se fosse uma bengala, surge o velho Zuza. Que curtição! Todos queriam
abraçar, conversar e brincar com o velho Zuza que em alguns minutos depois se transformou
novamente no professor e depois noutro personagem.
Lá estávamos nós,
vivenciando esse momento mágico, admiradas com o envolvimento, a
sensibilidade e o desempenho do professor. Quem será ele? Qual será sua
história?
Numa conversa informal, descobrimos que o professor trabalha
com a Educação Infantil há dois anos, e com o Ensino Fundamental há vinte anos.
Sua experiência com as crianças com as crianças de 0 a
6 seis anos de idade se deu a partir da convivência com elas e com as professoras da
creche. Conhecer suas necessidades, vontades e maneira de agir foi um longo caminho de
observação e reflexão.
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Sua prática se consolidou a
partir da observação daquilo que as crianças necessitavam, dentro é claro de suas
especificidades.
Aulas de Educação Física para as crianças de 2
e 3 anos de idade? Como? Isso é possível? Entre relatos e afirmações descobrimos que
sim, que tudo é possível quando não limitamos as crianças, pois elas são capazes de
explorar de forma significativa as atividades propostas, são inteligentes, espertas e
surpreendentes, sempre aprendemos com elas.
Na tentativa de aprofundar a questão da importância da
Educação Física na Educação Infantil, conversamos com a docente Cristiane Ker de
Melo, professora da disciplina Recreação e Lazer Centro de Desportos da UFSC.
Na conversa com a professora, demonstramos o relato e
desenvolvemos algumas discussões fundamentais. Por exemplo, a surpresa diante da forma
como professor de Educação Física da Creche do Córrego Grande trabalha com seus
alunos. Surpresa, porque embora a criança seja um sujeito repleto de movimento, de
expressão corporal e de sentidos aguçados, o trato desses sentidos em algumas ocasiões,
não tem recebido a atenção devida. Talvez pelo fato da Educação Física e a
educação cognitiva da criança serem pensados como processos distintos, desvinculados.
Como se o desenvolvimento físico e cognitivo não tivessem relação. A criança não é
só o cognitivo nem tampouco um corpo a ser adestrado mas sim um sujeito de multiplas
dimensões que deseja descobrir o mundo. |
O adestramento do
corpo continua muito presente na Educação Física, principalmente para os profissionais
que tenham por referência o exercício de sua prática voltado para o lado técnico e
competitivo, e não para a exploração da expressão corporal através da ludicidade, da
criatividade, do deixar se envolver experimentando novos valores, descobrindo novas
possibilidades.
E o que é a criança senão imaginação, movimento e alegria!
Sabemos que a criança é um ser social que nasce com capacidades afetivas, emocionais e
cognitivas. Tem desejo de estar próxima às pessoas e é capaz de interagir e aprender
com elas. Também sabemos que a medida que crescem, vão desaprendendo a perceber certa
coisas como por exemplo, a anteninha da borboleta, etc. O mundo se torna sério, a
brincadeira perde o lugar para a racionalidade. A criança precisa moldar-se para essa
nova realidade. Pensando nisso é que devemos proporcionar para as crianças cada vez mais
momentos prazerosos em que elas se sintam seguras para se expressar. Momentos que
proporcionem uma amplitude de experiências, que possibilitem espaço e tempo para a
produção da cultura infantil. E isso não é só um desafio para o professor de
Educação Física, mas sim para todos os profissionais que compreenderem a criança
como ser criança, que tem o direito de viver sua infância sendo
tratada como um sujeito de direitos. |
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