Periodicidade
semestral - Número 16 - Julho/Dezembro de 2007
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Este texto trata-se de um relato de um projeto de extensão desenvolvido com docentes de creche na cidade de Ilhéus, BA num convênio com o Programa BNB de Cultura do Banco do Nordeste do Brasil e a Universidade Estadual de Santa Cruz através de seu Programa de incentivo à Leitura - PROLER.
O projeto
denominado Orientação para Docentes de Creche sobre o trabalho com literatura
infantil teve como objetivos desde a inserção da cultura da arte e do trabalho
com literatura infantil nas creches até a orientação para os docentes de como
trabalhar com este tipo de arte em suas salas de aula. Houve a preocupação de
criar-se um pequeno acervo de livros de literatura infantil em cada sala de
aula, cujos docentes estavam envolvidos, para que o trabalho com literatura
infantil fosse desencadeado a partir das orientações. A metodologia abrangeu
estudo, debates e sugestão de atividades com livros de literatura infantil em
sala de aula a partir da criação de uma apostila como subsídio teórico e
constitui-se como um curso de formação continuada.
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2. A lei 10.639 e a diversidade cultural do Colégio Estadual Lauro Muller
Isadora Marques Crochik
Este
texto trata do relatório de um trabalho exploratório, sem pretensão científica,
realizando junto com as crianças do Colégio Lauro Muller. Meu objetivo foi
realizar um primeiro contato com as crianças, buscando um retrato de seu modo de
pensar sobre a escravidão, suas origens e conseqüências. Não me ocupei em
analisar e interpretar os discursos das crianças, pois o meu interesse maior
neste texto não é discutir o que elas pensam, nem relacionar o seu pensamento
com o pensamento e atitude de adultos. Este trabalho é, na verdade, uma base
para pensar maneiras eficientes de incluir discussões e conceitos antropológicos
relativos à diversidade cultural e a questão dos negros no Brasil no cotidiano
da escola.
A concepção de criança que permeou desde o planejamento da atividade, a interação com as crianças e a reflexão posterior está em ressonância com a recente conquista conceitual da antropologia da criança, que as considera seres sociais plenos, atuantes e produtores de cultura. As crianças, portanto, não foram meu objeto de estudo, mas minhas interlocutoras. Além disso, convém relembrar que podemos relacionar o discurso e atitude infantil com o discurso e atitude do adulto, mas não de uma forma determinada, direta e objetiva do tipo: “o discurso da criança reflete o racismo da sociedade brasileira” ou “a o discurso da criança é evidência de tal característica da mentalidade adulta dominante”. Neste trabalho não me ocupo em relacionar o pensamento das crianças com o pensamento hegemônico, ou com qualquer outro pensamento, mas considero conveniente dizer que reflexo, evidência e reprodução são termos insuficientes para pensar esta relação. Afinal, não podemos considerar a criança como um ser passivo, que “recebe” a cultura, mas sim como seres que constroem seu próprio lugar e significados.
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