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Periodicidade Semestral - Número 2 - Jul./Dez. 2000
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SEÇÃO RESENHA

RESENHA CRÍTICA DO LIVRO:
ENCONTROS E ENCANTAMENTOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Luciana Esmeralda Ostetto (org.)

Encontros e Encantamentos na Educação Infantil, uma obra que nos remete ao mundo da fantasia, do mágico, sem deixar de lado o comprometimento com a educação das crianças de 0 a 6 anos.
São relatos de experiências de estágio curricular, vivenciadas por alunas da 8a fase do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Santa Catarina, no ano de 1997, e também por crianças, professores, funcionários de creches e pré - escolas públicas de Florianópolis - SC.
Experiências que nos levam a redescobrir, a resignificar o cotidiano da Educação Infantil de uma maneira comprometida e apaixonada.
Capítulo por capítulo, as autoras nos fazem viajar no mundo dos limites e das possibilidades, apresentando histórias de vivências com e entre as crianças, que envolvem faz - de conta, imaginação, tempo, espaço, rotina, constância, planejamento, registro, avaliação... que envolvem a construção do grupo... das identidades
o “eu” e o “outro”... nosso pulsar... nossa vida!
O primeiro capítulo deste livro: “Andando por creches e pré - escolas públicas: construindo uma proposta de estágio”, traz uma síntese da proposta de estágio, que vem sendo construída no curso de Pedagogia – habilitação em Educação Infantil, na Universidade Federal de Santa Catarina.
Esta proposta consiste na atuação em creches e pré - escolas públicas, por meio de projetos de estágio que propiciem espaços para a reflexão do grupo (toda a instituição), sobre o fazer pedagógico na Educação Infantil.
“O trabalho pedagógico na creche: entre limites e possibilidades”, segundo capítulo, mostra-nos um pouco da proposta de estágio, fazendo-nos adentrar no cotidiano da creche (caracterizando seus limites e possibilidades), e também no desafio de trabalhar com bebês, bem como o início do encaminhamento dos estágios por meio de projetos.
O terceiro capítulo, com o título “Espaço que dê Espaço”, outra experiência com bebês, ressalta a importância da organização do espaço para o trabalho com crianças pequenas e sua relação com a intenção do educador e, até mesmo, com a concepção de infância que permeia o trabalho pedagógico na creche.
Uma aventura: “O mapa do tesouro: ultrapassando obstáculos e seguindo pistas no cotidiano da Educação Infantil”, o quarto capítulo, enfatiza a importância do registro diário, que não vai apenas relatar fatos, mas mostrar vida, movimento do grupo, reflexões para poder planejar e avaliar. Registro que mostra barreiras, obstáculos, mas que também dá pistas para o aventurar-se.
Além da reflexão sobre o registro, este capítulo ainda resgata a importância de contar histórias para as crianças de 0 a 6 anos de idade.
“Por encanto, contando contos... histórias de um projeto de trabalho”, é o quinto capítulo, prioriza a fantasia e o suspense, o contar histórias, alegrar-se e aventurar-se com as histórias e o faz-de-conta no cotidiano da Educação Infantil.
“Alevanta, boi dourado, alevanta devagar...”: meninos e meninas brincando com  o boi - de - mamão, fazendo-se grupo”   é o sexto capítulo e nos mostra com crianças de um ano e meio a dois anos e meio a experiência de construir, cantar e encantar o espaço e as personagens do boi - de - mamão, experiência rica de alegria, festa e entusiasmo... como a própria apresentação do boi - de - mamão.
No sétimo capítulo estamos “Entre fadas, jacarés e pintores: A história de construção de um grupo”, que de forma mágica nos apresenta um espetáculo no qual, cada ato nos faz refletir sobre o grupo, a roda, a rotina... a mágica, a fantasia, o sonho, a alegria... a imaginação, a criação... as crianças, personagens principais deste capítulo.
Era uma vez crianças de 3 anos e meio a 4 anos e meio, que estavam envolvidas com cobras, bruxas, castelos, castelo Rá - Tim - Bum, boi - de - mamão, ... boi - de - mamão?   O que o boi - de - mamão tem haver com castelo?  É no capítulo oito, “Era uma vez ... crianças, cobras, bruxas e histórias de encantamento”, percebemos como o inventar, fantasiar, imaginar podem gerar mil formar de encenar.
Autores, personagens, cenários... Reis, rainhas... eles estão nas histórias que lemos e que fazemos, e no capítulo 9 - “Ouvindo e fazendo histórias” - as crianças de 4 anos e meio a 5 anos e meio formam seu grupo, na roda, mesmo com reis e rainhas, dividem seus medos e viajam nas histórias, mostrando que para elas a história não tem fim, ela se renova a cada instante.
“Planejamento na educação Infantil: mais que atividade, a criança em foco”, é o décimo capítulo que nos leva a pensar que toda essa alegria, todo esse encantamento não é fruto apenas de sonho, é algo possível, realizável, mas que para isso é necessário querer... ousar... errar... arriscar... experimentar... tentar... observar... sonhar... registrar... imaginar... avaliar... encantar... planejar... pesquisar... planejar... planejar... um plano que seja mais que mera burocracia, um plano que acima de tudo tenha a criança como foco de todas as atitudes do educador.
Este livro nos propõe um desafio, o de ser educadores e educadoras na Educação Infantil assumindo o risco de acerta, errar, registrar, avaliar e ser avaliado, transformar e ser transformado, em fim o desafio de viver plena e absolutamente os encantos da Educação Infantil.

Resenha por Claudia e Fabrícia
Ilha de Santa Catarina
Junho de 2000.

Bibliografia:
OSTETTO, Luciana E. (org.) Encontros e Encantamentos na Educação Infantil: Partilhando experiências de estágios.  Campinas, SP: Papirus, 2000.

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